Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
- Código
- vu113166
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Gastroenterologia
- AInflamatória.
- BEstenosante.
- CFistulizante.
- DExtraintestinal.
- EConsumptiva.
GabaritoC — Fistulizante.
Gabarito: letra C. O vedolizumabe, um anticorpo anti-integrina α4β7, é menos eficaz que o infliximabe (anti-TNF) na forma fistulizante da doença de Crohn, pois os anti-TNF têm evidência robusta de cicatrização de fístulas, enquanto o vedolizumabe não demonstrou o mesmo benefício nesse fenótipo. A base dessa distinção está na fisiopatologia: o infliximabe atua diretamente na cascata inflamatória que sustenta a formação de fístulas, enquanto o vedolizumabe apenas bloqueia a migração linfocitária para o intestino, sem ação direta sobre o processo fistulizante.
A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica, transmural, que pode se manifestar em diferentes fenótipos clínicos: inflamatório, estenosante (estenose) e fistulizante (fístulas). Essa classificação de Montreal é fundamental para a escolha terapêutica, pois cada forma responde de maneira distinta aos agentes biológicos. O infliximabe, um anticorpo monoclonal quimérico anti-TNF-α, foi o primeiro biológico aprovado para a DII e demonstrou eficácia comprovada na indução e manutenção da remissão, incluindo a cicatrização de fístulas — um marco no tratamento da doença fistulizante. O vedolizumabe, por sua vez, é um anticorpo monoclonal humanizado que bloqueia a integrina α4β7, impedindo a migração de linfócitos para o trato gastrointestinal. Embora seja eficaz na doença inflamatória e na manutenção da remissão, sua eficácia na doença fistulizante é inferior à do infliximabe, pois não há evidências robustas de que promova o fechamento de fístulas com a mesma eficácia.
Na prática clínica, a escolha entre infliximabe e vedolizumabe depende do fenótipo da doença. Para pacientes com doença fistulizante, especialmente com fístulas perianais, o infliximabe é o agente de primeira linha, com dados de ensaios clínicos randomizados (como o estudo ACCENT II) demonstrando cicatrização completa de fístulas em uma proporção significativa de pacientes. O vedolizumabe, embora aprovado para a doença de Crohn moderada a grave, não possui indicação formal para o tratamento de fístulas, e estudos observacionais sugerem menor taxa de fechamento fistuloso quando comparado aos anti-TNF. Essa diferença é explorada pela banca, que cobra o conhecimento específico sobre a eficácia diferencial dos biológicos nos diferentes fenótipos.
A pegadinha desta questão está em confundir a eficácia global do vedolizumabe (que é boa na doença inflamatória) com sua eficácia em um fenótipo específico (fistulizante). O candidato que sabe que o vedolizumabe é eficaz na doença de Crohn pode ser tentado a marcar a alternativa A (inflamatória), mas a pergunta é justamente sobre onde ele é menos eficaz que o infliximabe. A resposta correta é a forma fistulizante, pois é nela que o infliximabe tem vantagem comprovada. As demais alternativas — estenosante, extraintestinal e consumptiva — não são formas clássicas da doença de Crohn ou não representam a principal diferença de eficácia entre os dois agentes.
Guarde a distinção central: anti-TNF (infliximabe) é o padrão-ouro para doença fistulizante; anti-integrina (vedolizumabe) é alternativa para doença inflamatória, mas com eficácia inferior em fístulas. É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.
Forma clínica | Vedolizumabe vs. Infliximabe | Justificativa |
|---|---|---|
Inflamatória | Eficácia comparável | Vedolizumabe é opção válida, com boa resposta na indução de remissão (ex.: estudo GEMINI 2). |
Estenosante | Eficácia limitada em ambos | Fibrose predominante responde pouco a qualquer biológico; não há diferença central entre os agentes. |
Fistulizante | Vedolizumabe menos eficaz | Infliximabe tem evidência robusta de cicatrização de fístulas (ex.: ACCENT II); vedolizumabe não demonstra o mesmo benefício. |
Extraintestinal | Não se aplica | Não é fenótipo clássico da doença de Crohn; sem comparação específica entre os agentes. |
Consumptiva | Não se aplica | Termo não reconhecido na classificação de Montreal; não corresponde a forma clínica válida. |
A forma inflamatória é a que melhor responde ao vedolizumabe. Estudos como o GEMINI 2 mostraram eficácia do vedolizumabe na indução de remissão clínica em doença de Crohn moderada a grave, incluindo pacientes com fenótipo inflamatório. Nesse cenário, o vedolizumabe é uma opção válida, com eficácia comparável ou até superior em alguns desfechos quando comparado a placebo. Portanto, não é na forma inflamatória que o vedolizumabe é menos eficaz que o infliximabe.
A forma estenosante (estenose) é um desafio terapêutico para todos os biológicos, pois a fibrose predominante não responde bem a agentes anti-inflamatórios. Tanto o infliximabe quanto o vedolizumabe têm eficácia limitada na estenose fibrótica, e a cirurgia é frequentemente necessária. Não há evidência de que o vedolizumabe seja especificamente menos eficaz que o infliximabe nesse fenótipo; ambos são considerados opções, mas com resposta limitada. A diferença de eficácia entre eles não é o ponto central na forma estenosante.
A forma fistulizante é onde o vedolizumabe demonstra menor eficácia comparado ao infliximabe. O infliximabe tem evidência robusta de cicatrização de fístulas, com estudos randomizados mostrando fechamento completo em até 55% dos pacientes. O vedolizumabe, embora eficaz na doença inflamatória, não possui dados consistentes de cicatrização fistulosa, e estudos observacionais indicam taxas inferiores. A fisiopatologia explica: o TNF-α é uma citocina central na formação e manutenção de fístulas, e o bloqueio direto pelo infliximabe é mais eficaz do que a simples inibição da migração linfocitária promovida pelo vedolizumabe.
A forma extraintestinal não é uma classificação padrão da doença de Crohn. As manifestações extraintestinais (como artrite, uveíte, eritema nodoso) podem ocorrer, mas não definem um fenótipo da doença. A pergunta se refere às formas clássicas de apresentação (inflamatória, estenosante, fistulizante), e a extraintestinal não se enquadra nesse contexto. Além disso, não há comparação específica de eficácia entre vedolizumabe e infliximabe para manifestações extraintestinais.
A forma consumptiva não é uma classificação reconhecida da doença de Crohn. O termo "consumptiva" pode remeter a um estado de caquexia ou desnutrição, mas não é um fenótipo formal da doença. A classificação de Montreal divide a doença em inflamatória, estenosante e fistulizante, e a consumptiva não faz parte dela. Portanto, a alternativa não corresponde a uma forma clínica válida da doença de Crohn.
Gabarito: letra C — o vedolizumabe é menos eficaz que o infliximabe na forma fistulizante da doença de Crohn.
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