Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113168
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia
A infecção por Helicobacter pylori no ser humano, predominantemente no antro gástrico, predispõe a úlceras de
Afundo gástrico.
Bcárdia.
Cgrande curvatura do estômago.
Dpequena curvatura do estômago.
Eduodeno.
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GabaritoE — duodeno.
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Úlcera péptica e Helicobacter pylori
Gabarito: letra E. A infecção por Helicobacter pylori predominante no antro gástrico leva à hipersecreção ácida e predispõe a úlceras duodenais — a associação clássica da bactéria com a úlcera duodenal, em contraste com a úlcera gástrica, que se relaciona mais à gastrite atrófica do corpo gástrico.
A úlcera péptica é um defeito da mucosa que penetra a muscular da mucosa, com pelo menos 5 mm de diâmetro. Sua fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre agressão (ácido, pepsina, AINEs, H. pylori) e defesa da mucosa. O H. pylori é uma bactéria espiralada que coloniza a mucosa gástrica, especialmente o antro, e é a principal causa de úlcera péptica, junto com os AINEs.
O ponto-chave da questão é a localização da infecção e sua consequência fisiopatológica. Quando o H. pylori coloniza predominantemente o antro gástrico, ele inibe as células D produtoras de somatostatina, o que leva à secreção desinibida de gastrina pelas células G. O aumento de gastrina estimula as células parietais do corpo gástrico a produzirem mais ácido, criando um ambiente hiperácido que agride o duodeno, especialmente o bulbo duodenal, onde o conteúdo gástrico penetra. Por isso, a infecção antral está fortemente associada a úlceras duodenais.
Em contrapartida, quando a colonização é predominante no corpo gástrico, a inflamação crônica inibe a secreção das células parietais, levando à gastrite atrófica e à diminuição da produção de ácido. Esse padrão está associado a úlceras gástricas, adenomas gástricos e maior risco de adenocarcinoma gástrico. Essa distinção é fundamental para entender por que a infecção antral predispõe a úlcera duodenal e não gástrica.
A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode associar H. pylori a úlcera gástrica de forma genérica, mas a questão especifica a localização antral, que é o gatilho para a úlcera duodenal. Guarde a regra: antro → hiperacidez → úlcera duodenal; corpo → hipocloridria → úlcera gástrica.
H. pylori no antro gástrico: Inibe células D (somatostatina); Desinibição de gastrina (células G); Hiperacidez (células parietais); Úlcera duodenal (bulbo); H. pylori no corpo gástrico (Gastrite atrófica, Hipocloridria, Úlcera gástrica (pequena curvatura))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A úlcera de fundo gástrico não é a consequência típica da infecção antral por H. pylori. O fundo gástrico é uma região com menor densidade de células parietais e não é o sítio preferencial de úlceras associadas à bactéria. A infecção antral, ao contrário, aumenta a acidez e agride o duodeno.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A cárdia é a região de transição esôfago-gástrica e não é o local clássico de úlcera péptica associada ao H. pylori. Úlceras nessa região são mais relacionadas à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) e ao esôfago de Barrett, não à infecção antral.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A grande curvatura do estômago não é o sítio preferencial de úlceras por H. pylori. As úlceras gástricas associadas à bactéria ocorrem mais frequentemente no ângulo gástrico da pequena curvatura, e mesmo assim estão ligadas à gastrite do corpo, não à infecção antral predominante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A pequena curvatura do estômago é o sítio mais frequente de úlceras gástricas, mas isso ocorre no contexto de gastrite do corpo gástrico, não da infecção antral predominante. A questão especifica a localização antral, que é o fator que direciona para a úlcera duodenal. A pequena curvatura seria um distrator plausível para quem confunde úlcera gástrica com a infecção antral.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A infecção antral por H. pylori leva à depleção de somatostatina, hipersecreção de gastrina e ácido, resultando em hiperacidez que agride o duodeno, especialmente o bulbo duodenal. Essa é a associação clássica e mais forte da bactéria: praticamente todos os pacientes com úlcera duodenal são infectados por H. pylori. O texto de apoio confirma: "as infecções mais predominantes no antro pilórico estão mais fortemente associadas a úlceras duodenais e ao aumento da acidez".
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a consequência da infecção antral (úlcera duodenal) pela consequência da infecção do corpo gástrico (úlcera gástrica). O candidato que memoriza apenas "H. pylori causa úlcera péptica" sem distinguir a localização cai nas alternativas C ou D. A palavra "antro" no enunciado é o gatilho: ela aponta diretamente para a hiperacidez e a úlcera duodenal.