Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113169
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia
Um homem de 32 anos de idade foi diagnosticado com abcesso único no lobo direito do fígado. Feita a punção, realizada por radiointervenção, é obtido um líquido espesso de coloração amarronzada. Aventa-se a hipótese da etiologia por Entamoeba histolytica.O método diagnóstico de escolha correta é:
Asorologia IgG e IgM plasmática.
Bparasitológico de fezes.
Cantígeno do parasita nas fezes.
Dantígeno do parasita no líquido aspirado.
Ereação de PCR no líquido aspirado.
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GabaritoD — antígeno do parasita no líquido aspirado.
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Abscesso hepático amebiano: diagnóstico
Gabarito: letra D. No abscesso hepático amebiano, o método diagnóstico de escolha é a detecção de antígeno da Entamoeba histolytica no líquido aspirado (ou no soro), pois a pesquisa direta de trofozoítas no material é raramente positiva — eles se localizam na periferia da lesão, e o conteúdo é tipicamente acelular. A alternativa D é a que melhor se alinha a essa realidade clínica e laboratorial.
O abscesso hepático é a manifestação extraintestinal mais comum da amebíase, causada pela Entamoeba histolytica. O parasita, ao atingir o fígado pela circulação portal, provoca necrose tecidual progressiva, formando uma coleção que, na maioria dos casos, é única e localizada no lobo direito — que recebe a maior parte da drenagem venosa do cólon. O líquido aspirado tem aspecto característico de "pasta de anchovas" ou achocolatado, inodoro, e é estéril, com raríssima presença de bactérias e trofozoítas, pois estes se concentram na periferia da lesão, não no centro necrótico.
O diagnóstico laboratorial da amebíase hepática não se baseia no parasitológico de fezes, pois a eliminação de cistos e trofozoítas nas fezes é incomum nessa forma da doença. A sorologia (IgG e IgM) é útil, mas a detecção de anticorpos pode ser negativa nas fases iniciais e não distingue infecção passada de atual. A detecção de antígeno no líquido aspirado é o método mais sensível e específico, sendo considerada o padrão-ouro para confirmar a etiologia amebiana do abscesso. A PCR também é uma opção, mas é menos disponível e mais cara, não sendo o método de escolha inicial.
Na prática, o diagnóstico é frequentemente presuntivo, baseado em achados clínicos, epidemiológicos e de imagem (ultrassonografia, TC), associado à resposta terapêutica ao metronidazol. A punção aspirativa é indicada em casos selecionados — dúvida diagnóstica, falha terapêutica ou risco de ruptura — e, quando realizada, o material deve ser enviado para pesquisa de antígeno, que confirma a etiologia. A distinção entre abscesso amebiano e piogênico é crucial, pois o tratamento difere: o amebiano responde a antiparasitários, enquanto o piogênico requer drenagem e antibióticos.
A pegadinha desta questão está em associar o diagnóstico de amebíase hepática ao parasitológico de fezes, que é o exame clássico para amebíase intestinal, mas não para a forma extraintestinal. O candidato deve lembrar que, no abscesso hepático, o parasita não está nas fezes, e sim no fígado, e que a pesquisa direta no aspirado é pouco sensível, sendo a detecção de antígeno o método de escolha.
Abscesso hepático amebiano
1Manifestação extraintestinal
Lobo direito (drenagem portal)
Líquido "pasta de anchovas"
Conteúdo acelular (trofozoítas na periferia)
2Diagnóstico
Antígeno no líquido aspirado (padrão-ouro)
Parasitológico de fezes (forma intestinal)
Sorologia (fase inicial negativa)
PCR (cara, indisponível)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A sorologia IgG e IgM plasmática é um método diagnóstico útil, mas não é o de escolha para o abscesso hepático amebiano. A sorologia pode ser negativa nas primeiras semanas de infecção e não diferencia infecção atual de pregressa, além de não ser específica para a forma hepática. A detecção de antígeno no líquido aspirado é superior em sensibilidade e especificidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O parasitológico de fezes é o exame clássico para amebíase intestinal, mas no abscesso hepático a eliminação de cistos e trofozoítas nas fezes é incomum, como mencionado no texto de apoio. Portanto, não é o método de escolha para o diagnóstico da forma extraintestinal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A detecção de antígeno do parasita nas fezes é útil para o diagnóstico de amebíase intestinal, mas não se aplica ao abscesso hepático, pois o parasita não está nas fezes nessa forma da doença. O antígeno deve ser pesquisado no líquido aspirado ou no soro.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A detecção de antígeno da Entamoeba histolytica no líquido aspirado do abscesso é o método diagnóstico de escolha. O líquido aspirado, embora acelular, contém antígenos do parasita que podem ser detectados por métodos imunoenzimáticos (ELISA) ou imunocromatográficos, confirmando a etiologia amebiana. Essa é a alternativa que melhor se alinha à prática clínica e à literatura.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A reação de PCR no líquido aspirado é um método sensível e específico, mas não é o de escolha inicial. A PCR é mais cara, menos disponível e demorada, sendo reservada para casos de dúvida diagnóstica ou quando outros métodos não estão disponíveis. A detecção de antígeno é mais rápida, barata e igualmente eficaz.