Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu113173
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia Pediátrica
Adolescente do sexo feminino, 16 anos e 9 meses, apresenta quadro de diarreia com muco, pus e sangue, além de emagrecimento importante. A colonoscopia revelou pancolite severa (Escore 3 de Mayo), e a dosagem de calprotectina fecal foi de 1100 (VR: < 50 mcg/g fezes).Com relação a essa situação clínica, assinale a alternativa correta.
AO diagnóstico mais provável é retocolite ulcerativa inespecífica, e o escore 3 de Mayo corresponde à presença de ulcerações e sangramento espontâneo.
BO diagnóstico mais provável é retocolite ulcerativa inespecífica, e o tratamento de escolha é o cirúrgico.
CO diagnóstico mais provável é doença de Crohn, e o escore 3 de Mayo corresponde à presença de sangramento espontâneo e ulcerações.
DNa retocolite ulcerativa inespecífica costuma-se observar a presença de granulomas não caseosos na biópsia intestinal.
EA retocolite ulcerativa inespecífica frequentemente apresenta lesões que envolvem todo o trato gastrointestinal, desde a boca até o ânus.
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GabaritoA — O diagnóstico mais provável é retocolite ulcerativa inespecífica, e o escore 3 de Mayo corresponde à presença de ulcerações e sangramento espontâneo.
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Retocolite Ulcerativa: Diagnóstico e Escore de Mayo
Gabarito: letra A. O quadro descrito — diarreia com muco, pus e sangue, emagrecimento, pancolite severa e calprotectina fecal muito elevada — é altamente sugestivo de retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI), e o escore 3 de Mayo corresponde à presença de ulcerações e sangramento espontâneo, conforme a classificação endoscópica de gravidade da doença. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes, como confundir RCUI com doença de Crohn, indicar tratamento cirúrgico como primeira escolha ou atribuir à RCUI características que pertencem à doença de Crohn.
A retocolite ulcerativa é uma doença inflamatória intestinal (DII) crônica que acomete predominantemente a camada mucosa do cólon, de forma contínua, afetando o reto e se estendendo proximalmente. O diagnóstico é estabelecido pela combinação de história clínica, exames laboratoriais, exame endoscópico e achados histopatológicos. A colonoscopia é fundamental, e o escore de Mayo é uma ferramenta amplamente utilizada para classificar a atividade endoscópica da doença, variando de 0 (normal) a 3 (doença grave). O escore 3 é caracterizado por ulcerações espontâneas e sangramento, o que se correlaciona com o quadro clínico apresentado pela paciente.
A calprotectina fecal é um marcador de inflamação intestinal, e valores muito elevados (como 1100 mcg/g, com valor de referência < 50) indicam inflamação ativa significativa, reforçando o diagnóstico de DII. A pancolite, que é o comprometimento de todo o cólon, é uma apresentação extensa da RCUI e está associada a quadros clínicos mais graves, como o descrito no enunciado.
É importante distinguir a RCUI da doença de Crohn, pois ambas são DII, mas apresentam diferenças fundamentais. A doença de Crohn pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, e frequentemente apresenta granulomas não caseosos na biópsia, além de acometimento transmural e lesões descontínuas. Já a RCUI afeta apenas o cólon, de forma contínua, e não apresenta granulomas. O tratamento da RCUI é clínico, com uso de aminosalicilatos, corticosteroides, imunossupressores e agentes biológicos, sendo a cirurgia reservada para casos refratários ou complicações.
A banca explora a confusão entre as duas principais DII, além de testar o conhecimento sobre o escore de Mayo e as indicações cirúrgicas. A alternativa correta é a única que associa corretamente o diagnóstico provável com a definição do escore endoscópico.
Retocolite ulcerativa (RCUI): Acometimento (Cólon, contínuo, Reto → proximal); Histologia (Inflamação da mucosa, Sem granulomas); Escore de Mayo (0: normal, 3: ulcerações + sangramento espontâneo); Tratamento (Clínico (1ª escolha), Cirurgia (casos refratários)); Doença de Crohn (contraste) (Qualquer parte do TGI (boca ao ânus), Transmural, descontínua, Granulomas não caseosos)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que o diagnóstico mais provável é retocolite ulcerativa inespecífica, dado o quadro clínico de diarreia com muco, pus e sangue, emagrecimento e pancolite severa. Além disso, o escore 3 de Mayo corresponde à presença de ulcerações e sangramento espontâneo, que é a definição endoscópica de atividade grave da doença. A calprotectina fecal elevada reforça a inflamação intestinal ativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O erro está em afirmar que o tratamento de escolha é o cirúrgico. O tratamento inicial da RCUI é clínico, com medicamentos como mesalazina, corticosteroides, imunossupressores e agentes biológicos. A cirurgia (colectomia) é reservada para casos de falha terapêutica, complicações graves ou neoplasia, não sendo a primeira opção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que o diagnóstico mais provável é doença de Crohn. O quadro clínico de diarreia com muco, pus e sangue, com pancolite severa, é mais característico de RCUI. Além disso, o escore de Mayo é um instrumento de classificação endoscópica da RCUI, não da doença de Crohn. A doença de Crohn tem apresentação clínica mais variada, podendo acometer qualquer parte do TGI, e o escore de Mayo não é utilizado para sua avaliação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmação está incorreta porque a presença de granulomas não caseosos é característica da doença de Crohn, não da retocolite ulcerativa. Na RCUI, os achados histopatológicos típicos incluem inflamação limitada à mucosa, distorção das criptas e depleção de células caliciformes, sem granulomas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está incorreta ao afirmar que a RCUI frequentemente apresenta lesões que envolvem todo o trato gastrointestinal. A RCUI afeta apenas o cólon, de forma contínua, a partir do reto. O acometimento de todo o TGI, da boca ao ânus, é característico da doença de Crohn, não da RCUI.