Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
vu113176
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia Pediátrica
A definição de lesão de Dieulafoy é:
Alaceração da mucosa na junção esofagogástrica.
Bartéria superficial que erode através do tubo digestivo.
Clesão do aparelho digestivo que representa um enovelado de micro vasos.
Dúlcera péptica crônica associada à infecção por Helicobacter pylori.
Esangramento em lesão polipoide intestinal.
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GabaritoB — artéria superficial que erode através do tubo digestivo.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Lesão de Dieulafoy: definição e diagnóstico
Gabarito: letra B. A lesão de Dieulafoy é definida como uma artéria submucosa aberrante e dilatada que erode o epitélio de revestimento sobrejacente do tubo digestivo, sem associação com úlcera primária — exatamente o que descreve a alternativa B. As demais opções descrevem outras entidades da hemorragia digestiva alta (HDA), como a síndrome de Mallory-Weiss (laceração da junção esofagogástrica), as angiodisplasias (enovelado de microvasos) e a úlcera péptica associada ao H. pylori.
A lesão de Dieulafoy é uma causa rara, porém importante, de hemorragia digestiva alta, responsável por cerca de 1% dos casos. Trata-se de uma malformação vascular caracterizada por uma artéria de calibre anormalmente grande na submucosa, que permanece tortuosa e não se ramifica de forma habitual. Essa artéria aberrante pode erodir a mucosa que a recobre, expondo-se à luz do órgão e provocando sangramento. O ponto crítico é que essa erosão ocorre sem a presença de uma úlcera primária — ou seja, não há processo ulcerativo prévio; o sangramento decorre diretamente da ruptura do vaso anômalo.
O quadro clínico típico é o de sangramento digestivo alto recorrente e frequentemente maciço, que pode ser intermitente. Por isso, muitas vezes o diagnóstico é desafiador: o paciente pode apresentar múltiplas endoscopias digestivas altas sem que a lesão seja identificada, justamente porque o sangramento cessa espontaneamente e o vaso pode não estar visível no momento do exame. A lesão é mais comum no estômago proximal, especialmente na pequena curvatura, mas pode ocorrer em qualquer local do trato gastrointestinal — inclusive em vias aéreas, causando hemoptise.
O diagnóstico é essencialmente endoscópico. Na endoscopia, a lesão pode ser identificada como uma arteríola proeminente, pulsátil, com ou sem sangramento ativo, frequentemente com um pequeno defeito mucoso ao redor, mas sem características de úlcera péptica. Em casos de sangramento ativo, pode ser vista como um jato de sangue arterial. Quando a endoscopia não identifica a lesão (situação comum devido à intermitência do sangramento), outras modalidades diagnósticas podem ser necessárias, como a angiografia ou a enteroscopia.
O tratamento é endoscópico na maioria dos casos, com técnicas de hemostasia como injeção de adrenalina, coagulação com plasma de argônio, hemoclipe ou ligadura elástica. Em casos refratários, pode ser necessária a embolização angiográfica ou o tratamento cirúrgico.
A distinção fundamental que separa a lesão de Dieulafoy das demais alternativas é a natureza vascular da lesão: é um vaso aberrante que erode a mucosa, e não uma laceração, uma úlcera, um enovelado de microvasos ou uma lesão polipoide. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Lesão de Dieulafoy
1Natureza vascular
Artéria submucosa aberrante e dilatada
Erode o epitélio sobrejacente
Sem úlcera primária
2Quadro clínico
HDA recorrente e maciça
Intermitente (dificulta diagnóstico)
Estômago proximal (pequena curvatura)
3Diagnóstico
Endoscopia (arteríola pulsátil)
Angiografia/enteroscopia se necessário
4Tratamento
Hemostasia endoscópica
Embolização/cirurgia se refratário
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A descrição de "laceração da mucosa na junção esofagogástrica" corresponde à síndrome de Mallory-Weiss, que é uma laceração linear da mucosa do esôfago distal ou da junção esofagogástrica, geralmente associada a episódios de vômitos repetidos ou esforço. A lesão de Dieulafoy não é uma laceração, mas sim uma artéria submucosa aberrante que erode a mucosa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A definição de lesão de Dieulafoy é precisamente a de uma artéria superficial (submucosa) que erode através do tubo digestivo. O vaso é aberrante, dilatado e tortuoso, e a erosão do epitélio sobrejacente ocorre sem associação com úlcera primária. Essa é a definição clássica e o que a alternativa descreve com precisão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A descrição de "enovelado de microvasos" corresponde às angiodisplasias (também chamadas de malformações arteriovenosas, teleangiectasias ou ectasias vasculares). Essas lesões são caracterizadas por vasos ectásicos e frágeis na mucosa e submucosa, e cursam tipicamente com sangramento de pequena monta, anemia ferropriva ou sangue oculto positivo. A lesão de Dieulafoy, ao contrário, é um vaso único e calibroso, não um enovelado de microvasos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A descrição de "úlcera péptica crônica associada à infecção por Helicobacter pylori" refere-se à doença ulcerosa péptica, que é a causa mais comum de hemorragia digestiva alta. A lesão de Dieulafoy, por definição, não está associada a úlcera primária — essa é uma característica distintiva fundamental. A infecção pelo H. pylori é um fator etiológico importante da úlcera péptica, mas não tem relação com a lesão de Dieulafoy.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A descrição de "sangramento em lesão polipoide intestinal" refere-se ao sangramento de pólipos intestinais, que são lesões elevadas da mucosa, podendo ser benignas ou malignas. O sangramento de pólipos é uma causa de hemorragia digestiva, mas não corresponde à definição de lesão de Dieulafoy, que é uma lesão vascular, não polipoide.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as principais causas de hemorragia digestiva alta. A alternativa A descreve a síndrome de Mallory-Weiss (laceração), a C descreve as angiodisplasias (enovelado de microvasos) e a D descreve a úlcera péptica — todas são causas de HDA, mas com mecanismos fisiopatológicos distintos. A pegadinha está em reconhecer que a lesão de Dieulafoy é um vaso aberrante único, não uma laceração, não um enovelado de vasos e não uma úlcera. Memorize a tríade: vaso submucoso aberrante + erosão da mucosa + ausência de úlcera primária.