Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113178
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia Pediátrica
Assinale a afirmativa correta sobre a Helicobacter pylori.
  1. AHelicobacter pylori é uma bactéria Gram-positiva, microaerófila, não flagelada que vive no muco gástrico e pode ser encontrada em crianças assintomáticas.
  2. BO processo inflamatório secundário à infecção por Helicobacter pylori pode localizar-se no antro gástrico, no corpo gástrico ou em todo o estômago, motivo pelo qual os endoscopistas se referem a gastrite antral e pangastrites.
  3. CTeste rápido da urease: é um método não invasivo, baseado na liberação de amônia que se forma pela atuação da urease produzida pela Helicobacter pylori sobre a ureia (hidrólise). Os indicadores de cor, pela mudança de pH, revelam a presença da Helicobacter pylori dentro de 1 hora no máximo. A sensibilidade do método é muito boa.
  4. DTestes expiratórios 14C e 13C são pouco sensíveis e específicos; neles, a quantidade de 14C e/ou 13C no ar expirado, após ingestão de ureia marcada pelos mesmos, permite verificar a ação da Helicobacter pylori sobre a ureia, do que decorre a presença no ar expirado de CO2 marcado pelo carbono 13 ou carbono 14.
  5. ETeste de ELISA: quantifica anticorpo IgA contra Helicobacter pylori e negativa após a erradicação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — O processo inflamatório secundário à infecção por Helicobacter pylori pode localizar-se no antro gástrico, no corpo gástrico ou em todo o estômago, motivo pelo qual os endoscopistas se referem a gastrite antral e pangastrites.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Helicobacter pylori: características e diagnóstico

Gabarito: letra B. A afirmativa correta é a que descreve a localização variável do processo inflamatório da infecção por H. pylori — podendo ser antral, corporal ou difusa (pangastrite) —, o que fundamenta a classificação endoscópica da gastrite. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a bacteriologia, os métodos diagnósticos e a sorologia da bactéria.

A Helicobacter pylori é um bacilo Gram-negativo, flagelado, microaerófilo e urease-positivo, que coloniza a mucosa gástrica de cerca de metade da população mundial. Sua capacidade de sobreviver no ambiente ácido do estômago deve-se à produção de urease, enzima que hidrolisa a ureia em amônia e gás carbônico, neutralizando o microambiente ao redor da bactéria. Os flagelos conferem motilidade, permitindo que a bactéria atravesse a camada de muco e adira às células epiteliais gástricas por meio de adesinas. A infecção desencadeia uma resposta inflamatória crônica com infiltrado de neutrófilos, linfócitos e plasmócitos, caracterizando a gastrite crônica.

A localização da infecção determina o padrão da gastrite e as complicações associadas. A colonização predominante do antro está associada a úlceras duodenais e hiperacidez, enquanto a colonização do corpo gástrico correlaciona-se com gastrite atrófica, úlceras gástricas e maior risco de adenocarcinoma. Quando a infecção acomete todo o estômago, denomina-se pangastrite. Essa distinção topográfica é clinicamente relevante e justifica a nomenclatura utilizada pelos endoscopistas.

O diagnóstico da infecção por H. pylori pode ser feito por métodos invasivos (que requerem endoscopia com biópsia) e não invasivos. Entre os invasivos estão o teste rápido da urease, o exame histológico e a cultura. Entre os não invasivos, destacam-se o teste respiratório com ureia marcada (13C ou 14C) e a pesquisa de antígenos fecais. O teste sorológico (ELISA) detecta anticorpos IgG, IgA ou IgM, mas tem valor limitado para confirmar erradicação, pois os anticorpos podem permanecer elevados por meses após o tratamento.

A banca explora, nesta questão, o conhecimento das características microbiológicas e dos métodos diagnósticos da H. pylori. O candidato deve estar atento às características da bactéria (Gram-negativo, flagelado, microaerófilo) e às diferenças entre os métodos invasivos e não invasivos, bem como às suas sensibilidades e especificidades. A alternativa correta é a única que apresenta uma afirmação fiel à fisiopatologia da infecção.

Característica

H. pylori (correto)

Erro na alternativa

A – Bacteriologia

Bacilo Gram-negativo, flagelado, microaerófilo

Afirma ser Gram-positiva e não flagelada

B – Localização da gastrite

Antro, corpo ou difusa (pangastrite)

— (afirmação correta)

C – Teste rápido da urease

Método invasivo (biópsia endoscópica)

Classifica como não invasivo

D – Teste respiratório (13C/14C)

Alta sensibilidade e especificidade (>95%)

Afirma ser pouco sensível e específico

E – ELISA

Detecta principalmente IgG; anticorpos persistem por meses após erradicação

Afirma quantificar IgA e negativação rápida pós-tratamento

H. pylori
  • 1Bacteriologia
    • Gram-negativo
    • Flagelado
    • Microaerófilo
    • Urease-positivo
  • 2Gastrite (topografia)
    • Antral → úlcera duodenal
    • Corpal → atrófica/úlcera gástrica
    • Pangastrite → difusa
  • 3Diagnóstico
    • Invasivos (endoscopia)
      • Teste rápido da urease
      • Histologia
      • Cultura
    • Não invasivos
      • Teste respiratório (13C/14C)
      • Antígeno fecal
      • Sorologia (IgG)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a H. pylori é uma bactéria Gram-positiva, não flagelada. Isso está incorreto: a H. pylori é um bacilo Gram-negativo e flagelado. Os flagelos são essenciais para a motilidade da bactéria através do muco gástrico, permitindo que ela alcance o epitélio. Além disso, a bactéria é microaerófila e pode ser encontrada em crianças assintomáticas, o que é verdadeiro, mas o erro na classificação de Gram e na presença de flagelos torna a alternativa incorreta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente que o processo inflamatório da infecção por H. pylori pode localizar-se no antro gástrico, no corpo gástrico ou em todo o estômago, dando origem à gastrite antral e às pangastrites. Essa variação topográfica é bem documentada e tem implicações clínicas: a gastrite antral está associada a úlceras duodenais, enquanto a gastrite do corpo gástrico está associada a gastrite atrófica e úlceras gástricas. A pangastrite ocorre quando a infecção acomete difusamente o estômago. A afirmativa está correta e é a resposta da questão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa descreve o teste rápido da urease como um método não invasivo, o que está incorreto. O teste rápido da urease é um método invasivo, pois requer a obtenção de biópsia gástrica durante a endoscopia digestiva alta. O princípio do teste está correto: a urease produzida pela H. pylori hidrolisa a ureia, liberando amônia e elevando o pH, o que é detectado por um indicador de cor. No entanto, a classificação do método como não invasivo é o erro central da alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os testes expiratórios com 14C e 13C são pouco sensíveis e específicos, o que é incorreto. O teste respiratório com ureia marcada é um método não invasivo com alta sensibilidade e especificidade (acima de 95%), sendo considerado um dos melhores métodos para diagnóstico e confirmação de erradicação da H. pylori. O princípio descrito está correto: após a ingestão de ureia marcada com 13C ou 14C, a urease bacteriana hidrolisa a ureia, liberando CO2 marcado que é exalado e pode ser medido. No entanto, a afirmação sobre a baixa sensibilidade e especificidade é falsa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o teste de ELISA quantifica anticorpos IgA contra H. pylori e que esses anticorpos negativam após a erradicação. Isso está incorreto por dois motivos: (1) o ELISA pode detectar anticorpos IgG, IgA e IgM, mas o mais utilizado é a detecção de IgG, que é o marcador de infecção crônica; (2) os anticorpos IgG podem permanecer elevados por meses ou até anos após a erradicação bem-sucedida, o que torna o teste sorológico inadequado para confirmar a cura. A alternativa erra ao especificar IgA e ao afirmar que os anticorpos negativam rapidamente após o tratamento.

Gabarito: letra B

Link permanente: /questoes/vu113178