Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu113182
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia Pediátrica
Sobre pólipos gastrointestinais em crianças, assinale a alternativa correta.
AA síndrome da polipose juvenil frequentemente é caracterizada por inúmeros pólipos adenomatosos no trato gastrointestinal.
BPólipos juvenis esporádicos ou isolados são mais preocupantes em crianças, pois são comumente hamartomatosos e com risco neoplásico maior.
CComo a maioria dos pólipos colônicos solitários na infância são benignos, não há necessidade de encaminhar o pólipo removido por colonoscopia para anatomopatológico.
DA polipose adenomatosa familiar é a condição benigna mais comum relacionada aos pólipos pediátricos e apresenta baixo risco neoplásico.
EA síndrome Peutz Jaeghers é uma síndrome de polipose que se associa frequentemente com lesões mucocutâneas.
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GabaritoE — A síndrome Peutz Jaeghers é uma síndrome de polipose que se associa frequentemente com lesões mucocutâneas.
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Pólipos gastrointestinais na infância: síndromes de polipose e risco neoplásico
Gabarito: letra E. A síndrome de Peutz-Jeghers é uma síndrome de polipose hereditária que se associa classicamente a lesões mucocutâneas características (máculas melanóticas em lábios, mucosa oral e extremidades), além de pólipos hamartomatosos no trato gastrointestinal. As demais alternativas invertem conceitos fundamentais sobre os tipos de pólipos e síndromes polipoides na infância.
Os pólipos gastrointestinais na infância são, em sua grande maioria, hamartomatosos e benignos, sendo o pólipo juvenil esporádico a lesão mais comum. A compreensão das síndromes de polipose hereditária é essencial, pois cada uma apresenta um risco neoplásico distinto e manifestações clínicas próprias. A polipose adenomatosa familiar (PAF) é a síndrome com maior potencial de malignização, enquanto as síndromes hamartomatosas, como a Peutz-Jeghers e a polipose juvenil, apresentam risco aumentado, porém menor, de câncer colorretal e de outros tumores.
A classificação histológica é o ponto central: pólipos adenomatosos são neoplásicos e têm potencial maligno; pólipos hamartomatosos são, em regra, benignos, mas podem se associar a síndromes genéticas com risco de transformação maligna. O diagnóstico diferencial entre pólipo esporádico e síndrome de polipose é crucial para a conduta e o seguimento.
Na prática clínica, todo pólipo removido deve ser encaminhado para exame anatomopatológico, independentemente da suspeita inicial de benignidade, pois a histologia define o diagnóstico e o risco. A colonoscopia é o método de escolha para diagnóstico e tratamento, e a identificação de múltiplos pólipos ou de síndromes específicas altera completamente o manejo e o rastreamento familiar.
A banca explora a confusão entre os tipos histológicos e as síndromes: troca hamartoma por adenoma, inverte o risco neoplásico e subestima a importância do anatomopatológico. O conhecimento das características de cada síndrome — Peutz-Jeghers, polipose juvenil e PAF — é o que permite acertar a questão.
Pólipos gastrointestinais na infância
1Tipos histológicos
Hamartomatosos (benignos)
Adenomatosos (neoplásicos)
2Síndromes de polipose
Peutz-Jeghers
Hamartomas
Máculas melanóticas (lábios, mucosa oral)
Polipose juvenil
Hamartomas
Risco aumentado de câncer
PAF (adenomatosa familiar)
Adenomas em grande número
Alto risco de malignização
3Pólipo juvenil esporádico
Mais comum
Benigno
Baixo risco neoplásico
4Conduta
Todo pólipo → anatomopatológico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A síndrome da polipose juvenil é caracterizada por pólipos hamartomatosos, não adenomatosos. A alternativa troca o tipo histológico: adenomas são neoplásicos e típicos da PAF, enquanto hamartomas são a marca da polipose juvenil. Embora haja risco aumentado de câncer colorretal, a histologia predominante é hamartomatosa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Pólipos juvenis esporádicos ou isolados são benignos e não apresentam risco neoplásico significativo. A alternativa inverte o conceito: hamartomas esporádicos têm baixo potencial maligno, ao contrário do que afirma. O risco neoplásico maior está associado às síndromes de polipose, não aos pólipos isolados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Todo pólipo removido por colonoscopia deve ser encaminhado para exame anatomopatológico, mesmo que a maioria seja benigna. A histologia é essencial para confirmar o tipo de pólipo, excluir displasia ou malignidade e orientar o seguimento. A alternativa subestima a importância do diagnóstico anatomopatológico, o que é um erro grave na prática.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A polipose adenomatosa familiar (PAF) é uma condição de alto risco neoplásico, não benigna. É a síndrome de polipose mais importante pelo potencial de malignização: centenas a milhares de adenomas no cólon levam ao câncer colorretal em idade precoce se não houver intervenção. A alternativa inverte completamente o risco.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome de Peutz-Jeghers é uma síndrome de polipose hamartomatosa que se associa frequentemente a lesões mucocutâneas características: máculas melanóticas (manchas escuras) em lábios, mucosa oral, região perioral e extremidades. Essas lesões são um marcador clínico importante da síndrome e auxiliam no diagnóstico. Além dos pólipos gastrointestinais, há risco aumentado de câncer colorretal e de outros órgãos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os tipos histológicos e os riscos neoplásicos entre as síndromes. A pegadinha clássica é afirmar que a polipose juvenil tem pólipos adenomatosos (são hamartomatosos) e que a PAF é benigna (é a de maior risco). A Peutz-Jeghers, com suas lesões mucocutâneas, é o conceito mais específico e menos confundido — por isso é a correta.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, associe: Peutz-Jeghers → hamartomas + manchas na boca; Polipose Juvenil → hamartomas esporádicos benignos; PAF → adenomas em grande número + alto risco de câncer. Todo pólipo removido vai para anatomopatológico, sempre.