Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu113184
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia Pediátrica
Assinale a alternativa correta sobre o manejo pediátrico da esofagite eosinofílica em crianças, de acordo com as mais recentes orientações da ESPGHAN (European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition).
ADevido ao risco de desnutrição em crianças pequenas, a terapia dietética de exclusão de alguns alimentos, como o leite, ovos e trigo não deve ser realizada rotineiramente e, quando indicada, deve ser guiada por teste de sensibilização (IgE específica)
BO uso de corticosteroides tópicos deglutidos é considerado dentro da primeira linha de fármacos a ser instituída diante da confirmação do diagnóstico e que pode ser mantido após a remissão do quadro clínico.
CInibidores de bomba de prótons não devem ser usados pois não têm a capacidade de remissão do quadro clínico da esofagite eosinofílica.
DInibidores de bomba de prótons serão sempre o tratamento inicial da esofagite eosinofílica, particularmente quando se consideram os efeitos adversos da corticoterapia, que sempre será prolongada.
EO tempo de terapêutica mínimo para indução do tratamento da esofagite eosinofílica deve ser de 2 a 4 semanas.
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GabaritoB — O uso de corticosteroides tópicos deglutidos é considerado dentro da primeira linha de fármacos a ser instituída diante da confirmação do diagnóstico e que pode ser mantido após a remissão do quadro clínico.
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Esofagite eosinofílica em pediatria: manejo segundo a ESPGHAN
Gabarito: letra B. O uso de corticosteroides tópicos deglutidos é considerado tratamento de primeira linha após a confirmação diagnóstica da esofagite eosinofílica (EEo), podendo ser mantido após a remissão clínica — exatamente o que afirma a alternativa. As demais opções distorcem o papel dos inibidores de bomba de prótons (IBPs), da dieta de exclusão e do tempo de tratamento, conforme as diretrizes da ESPGHAN.
A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica, imunomediada, caracterizada por infiltração eosinofílica da mucosa esofágica. O diagnóstico é estabelecido quando há sintomas de disfunção esofágica associados a ≥15 eosinófilos por campo de grande aumento em biópsias esofágicas. Na prática, o manejo pediátrico segue uma abordagem em etapas, e é fundamental compreender o papel de cada modalidade terapêutica para não cair nas armadilhas que a banca monta.
O primeiro passo após o diagnóstico é a prova terapêutica com inibidor de bomba de prótons (IBP) por 8 semanas, seguida de nova endoscopia com biópsias. Se houver resolução dos sintomas e da eosinofilia, o caso é classificado como eosinofilia esofágica responsiva a IBP (EER-IBP), que pode estar associada à doença do refluxo gastroesofágico. Se persistirem sintomas e eosinofilia, confirma-se o diagnóstico de EEo propriamente dita. Portanto, os IBPs não são contraindicados — pelo contrário, são parte da investigação diagnóstica e podem ser eficazes em um subgrupo de pacientes.
A terapia farmacológica de primeira linha para a EEo confirmada é o uso de corticosteroides tópicos deglutidos (fluticasona ou budesonida), por um período inicial de 8 semanas. Esses fármacos atuam diretamente na mucosa esofágica, reduzindo a inflamação eosinofílica, e podem ser mantidos após a remissão clínica para controle da doença, que é crônica e recidivante. Em casos refratários ou com necessidade de melhora rápida, podem ser usados corticosteroides sistêmicos (prednisona).
A dieta de eliminação é uma alternativa válida como terapia inicial, especialmente em crianças pequenas, e pode ser guiada por testes de sensibilização alérgica, mas não é contraindicada pelo risco de desnutrição — pelo contrário, é uma das principais estratégias, devendo ser supervisionada por nutricionista para evitar déficits nutricionais. A dilatação esofágica é reservada para casos com estenoses, quando a terapia medicamentosa e dietética falham.
A pegadinha central desta questão está na hierarquia terapêutica: a banca tenta fazer o candidato acreditar que os IBPs são sempre o tratamento inicial (alternativa D) ou que não devem ser usados (alternativa C), quando na verdade eles são o primeiro passo diagnóstico-terapêutico, mas a primeira linha farmacológica para a EEo confirmada são os corticosteroides tópicos deglutidos. Guarde essa sequência: IBP (prova diagnóstica) → se não responder, confirma EEo → corticoide tópico deglutido (primeira linha) → dieta de eliminação (alternativa) → corticoide sistêmico (casos graves) → dilatação (estenoses).
Modalidade Terapêutica
Papel no Manejo
Indicação/Contexto
Observação-Chave
IBP (inibidor de bomba de prótons)
Primeiro passo diagnóstico-terapêutico (prova de 8 semanas)
Investigação inicial; se houver remissão, classifica-se como EER-IBP
Não é contraindicado; não é "sempre" o tratamento inicial da EEo confirmada
Primeira linha farmacológica após confirmação diagnóstica
EEo confirmada; pode ser mantido após remissão clínica (doença crônica/recidivante)
Período de indução: 8 semanas
Dieta de eliminação
Estratégia terapêutica alternativa/válida
Incluindo crianças pequenas; pode ser guiada por testes de sensibilização, mas não é obrigatório
Supervisionada por nutricionista para evitar desnutrição
Corticosteroide sistêmico (prednisona)
Casos refratários ou necessidade de melhora rápida
Quando tópico e dieta não são suficientes
Uso mais restrito
Dilatação esofágica
Reservada para estenoses
Quando terapia medicamentosa e dietética falham
Não é tratamento de primeira linha
1IBP por 8 semanas
2Endoscopia de reavaliação
3Corticoide tópico deglutido
4Dieta de eliminação
5Corticoide sistêmico
6Dilatação esofágica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a dieta de exclusão não deve ser realizada rotineiramente em crianças pequenas pelo risco de desnutrição e que, quando indicada, deve ser guiada por teste de IgE específica. Erro duplo: a dieta de eliminação é uma das principais estratégias terapêuticas da EEo, inclusive em crianças pequenas, e embora os testes de sensibilização possam auxiliar, a dieta empírica de exclusão (leite, ovos, trigo, soja, etc.) é amplamente utilizada. O risco de desnutrição é manejado com acompanhamento nutricional, não com contraindicação da dieta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os corticosteroides tópicos deglutidos (fluticasona, budesonida) são considerados primeira linha farmacológica após a confirmação diagnóstica da EEo, e podem ser mantidos após a remissão clínica, pois a doença é crônica e recidivante. A alternativa espelha corretamente a recomendação da ESPGHAN.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que os IBPs não devem ser usados por não terem capacidade de remissão clínica. Falso: os IBPs são o primeiro passo na abordagem diagnóstica e terapêutica — uma prova de 8 semanas pode levar à remissão em um subgrupo de pacientes (EER-IBP). Não são contraindicados; são parte essencial do algoritmo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que os IBPs serão sempre o tratamento inicial da EEo. Erro: os IBPs são o primeiro passo diagnóstico, mas a primeira linha farmacológica para a EEo confirmada são os corticosteroides tópicos deglutidos. A palavra "sempre" torna a afirmação absoluta e incorreta, pois há pacientes que não respondem aos IBPs e seguem diretamente para corticoides.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o tempo mínimo de terapia para indução é de 2 a 4 semanas. Erro: o período de indução recomendado é de 8 semanas tanto para a prova terapêutica com IBP quanto para o tratamento com corticosteroides tópicos deglutidos. O prazo de 2 a 4 semanas aparece em outros contextos pediátricos (como teste de fórmula hipoalergênica em lactentes com regurgitação), mas não na indução da EEo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o papel dos IBPs (primeiro passo diagnóstico-terapêutico) e a primeira linha farmacológica da EEo confirmada (corticosteroides tópicos deglutidos). Nas alternativas C e D, ela inverte essa hierarquia — ora proibindo os IBPs, ora tornando-os "sempre" o tratamento inicial. Lembre-se: IBP é a prova inicial; corticoide tópico é a primeira linha após confirmação. Com esse esquema mental, você elimina as duas de imediato.
NÃO CAIA NESSA!
Para fixar a sequência terapêutica da EEo, memorize o fluxo: IBP 8 semanas → endoscopia de reavaliação → se persistir, EEo confirmada → corticoide tópico deglutido (1ª linha) → dieta de eliminação (alternativa) → corticoide sistêmico (refratário) → dilatação (estenose). Nas provas, a banca costuma trocar o tempo de indução (8 semanas) por prazos menores (2–4 semanas) e inverter a hierarquia entre IBP e corticoide tópico.