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Questão de Medicina — Gastroenterologia — VUNESP 2025

MedicinaGastroenterologia
Código
vu113185
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia Pediátrica
A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica definida por sintomas de disfunção esofágica e por uma infiltração histológica de eosinófilos. Assinale a alternativa correta sobre o diagnóstico dessa condição em crianças, de acordo com as mais recentes orientações da ESPGHAN (European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition).
  1. AUm teste terapêutico com um inibidor de bomba de próton (IBP) evidenciando uma não resposta dos sintomas é o principal critério diagnóstico da esofagite eosinofílica em escolares e adolescentes.
  2. BAo contrário da população adulta, a associação da esofagite eosinofílica com outras condições alérgicas é menos comum nas crianças, sendo comumente manifestada no trato digestório, de forma clínica isolada.
  3. CLactentes com risco aumentado de doenças alérgicas e, em particular de esofagite eosinofílica (sexo masculino e pais com esofagite eosinofílica) devem realizar manejo preventivo com utilização de fórmulas extensamente hidrolisadas após o desmame.
  4. DPacientes com suspeita de esofagite eosinofílica que foram submetidos à endoscopia durante o tratamento com IBP podem precisar repetir a endoscopia após interromper o tratamento para descartar o diagnóstico de EoE.
  5. EPara evitar sobrediagnósticos, recomenda-se que as biópsias esofágicas somente sejam realizadas sempre que um diagnóstico de EoE for considerado, e os achados da aparência endoscópica do esôfago foram compatíveis com a doença.
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GabaritoD — Pacientes com suspeita de esofagite eosinofílica que foram submetidos à endoscopia durante o tratamento com IBP podem precisar repetir a endoscopia após interromper o tratamento para descartar o diagnóstico de EoE.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Esofagite eosinofílica em crianças: diagnóstico segundo a ESPGHAN

Gabarito: letra D. A alternativa correta reflete a recomendação atual da ESPGHAN de que, em pacientes com suspeita de esofagite eosinofílica (EoE) que realizaram endoscopia durante o uso de inibidor de bomba de prótons (IBP), a repetição do exame após a suspensão do IBP pode ser necessária para afastar o diagnóstico, pois o IBP pode mascarar a eosinofilia esofágica. As demais alternativas contêm erros conceituais ou condutas não recomendadas pelas diretrizes pediátricas.

A esofagite eosinofílica é uma doença inflamatória crônica, mediada por mecanismos alérgicos, caracterizada por sintomas de disfunção esofágica e infiltração eosinofílica na mucosa. O diagnóstico é essencialmente histológico: a presença de ≥15 eosinófilos por campo de grande aumento (HPF) em biópsias esofágicas, após exclusão de outras causas de eosinofilia esofágica, como a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Por isso, a endoscopia com biópsias é o pilar diagnóstico, e a coleta deve ser feita em múltiplos sítios (proximal e distal), pois a inflamação é frequentemente patchy (descontínua).

Historicamente, a resposta ao IBP era utilizada para diferenciar EoE de DRGE: se houvesse melhora clínica e histológica após 8 semanas de IBP, o diagnóstico era de "eosinofilia esofágica responsiva a IBP" (EER-IBP), e não EoE. No entanto, as diretrizes mais recentes, incluindo as da ESPGHAN, reconhecem que a EoE e a DRGE podem coexistir e que o IBP pode reduzir a eosinofilia mesmo em pacientes com EoE verdadeira. Assim, a resposta ao IBP não é mais um critério diagnóstico definitivo, e a distinção entre EoE e EER-IBP tornou-se menos rígida. Na prática, muitos pacientes com EoE são tratados inicialmente com IBP, e a repetição da endoscopia após a suspensão do IBP pode ser necessária para confirmar o diagnóstico, especialmente se a endoscopia inicial foi feita durante o uso do IBP e não mostrou eosinofilia significativa.

A ESPGHAN também enfatiza que o diagnóstico de EoE em crianças deve considerar a idade e a apresentação clínica. Em lactentes e pré-escolares, os sintomas são inespecíficos (recusa alimentar, vômitos, dor abdominal, falha de crescimento), enquanto em escolares e adolescentes predominam disfagia e impactação alimentar. A associação com outras doenças alérgicas (asma, rinite, dermatite atópica, alergia alimentar) é comum, e a história familiar de EoE é um fator de risco. No entanto, não há recomendação de manejo preventivo com fórmulas extensamente hidrolisadas em lactentes de risco, pois não há evidência suficiente para essa conduta. A abordagem terapêutica inclui IBP, corticosteroides tópicos deglutidos (fluticasona, budesonida) e dietas de eliminação, mas a decisão deve ser individualizada.

A alternativa D é a única que está alinhada com as orientações atuais: se o paciente estava em uso de IBP no momento da endoscopia, a ausência de eosinofilia não exclui EoE, e a repetição do exame após a suspensão do IBP (por pelo menos 2-4 semanas) pode ser necessária para estabelecer o diagnóstico. Essa recomendação visa evitar tanto o subdiagnóstico quanto o sobrediagnóstico, garantindo que a biópsia seja realizada em condições ideais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o papel do IBP no diagnóstico. Muitos candidatos acreditam que a resposta ao IBP define o diagnóstico (como era antes), mas as diretrizes atuais consideram que o IBP pode mascarar a eosinofilia, e a repetição da endoscopia após sua suspensão é uma ferramenta válida. Fique atento: a alternativa A inverte essa lógica, e a alternativa D a aplica corretamente.

1Pilar: endoscopia + biópsias
≥15 eosinófilos/HPF
Múltiplos sítios (proximal e distal)
Inflamação patchy
2Papel do IBP
Não é critério diagnóstico
Pode mascarar eosinofilia
Repetir endoscopia após suspensão
3Exclusão de outras causas
DRGE
Outras eosinofilias esofágicas
Diagnóstico de EoE (ESPGHAN)
LEVELsoulevel.com.br
Diagnóstico de EoE (ESPGHAN): Pilar: endoscopia + biópsias (≥15 eosinófilos/HPF, Múltiplos sítios (proximal e distal), Inflamação patchy); Papel do IBP (Não é critério diagnóstico, Pode mascarar eosinofilia, Repetir endoscopia após suspensão); Exclusão de outras causas (DRGE, Outras eosinofilias esofágicas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O erro está em afirmar que a não resposta ao IBP é o principal critério diagnóstico da EoE. O diagnóstico é histológico (≥15 eosinófilos/HPF), e a resposta ao IBP não é critério diagnóstico, mas sim uma ferramenta terapêutica e, historicamente, de classificação. Além disso, a não resposta ao IBP não confirma EoE, pois outras causas de eosinofilia esofágica devem ser excluídas. A ESPGHAN não recomenda o uso da resposta ao IBP como critério diagnóstico isolado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a associação com outras condições alérgicas é menos comum em crianças do que em adultos, o que é falso. Na verdade, a EoE em crianças está frequentemente associada a outras atopias (asma, rinite, dermatite atópica, alergia alimentar), e essa associação é tão ou mais comum que em adultos. A apresentação clínica pode ser isolada, mas a comorbidade alérgica é frequente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A recomendação de usar fórmulas extensamente hidrolisadas como prevenção em lactentes de risco (sexo masculino, pais com EoE) não é respaldada pelas diretrizes da ESPGHAN. Não há evidência de que essa medida previna o desenvolvimento de EoE. A prevenção primária da EoE não é estabelecida, e a introdução de fórmulas hidrolisadas não é recomendada rotineiramente.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa está correta porque reflete a recomendação de que, se a endoscopia foi realizada durante o uso de IBP, a repetição após a suspensão do IBP pode ser necessária para descartar ou confirmar EoE. O IBP pode reduzir a eosinofilia esofágica, mascarando o diagnóstico. A ESPGHAN orienta que, em casos de suspeita clínica persistente, a endoscopia deve ser repetida após a suspensão do IBP (geralmente por 2-4 semanas) para avaliar a eosinofilia em condições basais.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A recomendação de realizar biópsias somente quando o diagnóstico de EoE for considerado e os achados endoscópicos forem compatíveis é incorreta. As biópsias esofágicas devem ser realizadas em todos os pacientes com suspeita de EoE, independentemente da aparência endoscópica, pois a mucosa pode parecer normal em até 10-30% dos casos. A endoscopia com biópsias múltiplas é o padrão-ouro, e a ausência de achados endoscópicos não exclui a doença.

Gabarito: letra D

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