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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu113191
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Gastroenterologia Pediátrica
Pré-escolar, sexo masculino, apresenta-se com queixa de diarreia crônica, sem relato de sangue, há cerca de 1 ano. A mãe afirma que está mais apático e com apetite reduzido. No exame físico, apresenta-se com abdome distendido, face edemaciada e edema assimétrico em membros inferiores, mais acentuado à direita. O hemograma apresenta Hb: 10 g/dL, leucócitos totais de 10.000/microL (linfócitos: 700/microL) e plaquetas normais. Outros exames: albumina: 2,5 g/dL, gamaglobulina: 0,2 g/dL, esteatócrito: 10%, alfa-1 antitripsina fecal: 5 mg/g fezes. Qual o diagnóstico provável?
  1. ADeficiência de alfa-1 antitripsina.
  2. BDoença de Kwashiorkor.
  3. CHipogamaglobulinemia congênita.
  4. DEnteropatia perdedora de proteínas.
  5. EFibrose cística.
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GabaritoD — Enteropatia perdedora de proteínas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Enteropatia perdedora de proteínas: diagnóstico diferencial na diarreia crônica

Gabarito: letra D. O quadro clínico-laboratorial — diarreia crônica, hipoalbuminemia (albumina 2,5 g/dL), hipogamaglobulinemia (gamaglobulina 0,2 g/dL), linfopenia (linfócitos 700/microL), edema assimétrico e esteatorreia — é a tríade clássica da enteropatia perdedora de proteínas (EPP), confirmada pela alfa-1 antitripsina fecal elevada (5 mg/g fezes). A perda de proteínas pelo trato gastrointestinal leva à hipoproteinemia, que se manifesta como edema, e a perda linfática associada explica a linfopenia e a hipogamaglobulinemia.

A enteropatia perdedora de proteínas é uma síndrome caracterizada pela perda excessiva de proteínas séricas pelo trato gastrointestinal, resultando em hipoproteinemia e edema. Não é uma doença única, mas uma manifestação de diversas condições subjacentes que causam perda de proteínas pela mucosa intestinal ou pelos vasos linfáticos. As causas podem ser divididas em dois grandes grupos: as que cursam com perda de proteínas por mecanismo inflamatório/erosivo (doença inflamatória intestinal, infecções, alergia alimentar) e as que cursam com perda por obstrução linfática (linfangiectasia intestinal, cardiopatias congênitas, linfoma).

O diagnóstico é firmado pela demonstração da perda proteica entérica, sendo a dosagem da alfa-1 antitripsina fecal o exame de escolha. A alfa-1 antitripsina é uma proteína que não é digerida no intestino e, portanto, sua presença aumentada nas fezes indica perda de proteínas plasmáticas para a luz intestinal. Valores normais são inferiores a 2,5 mg/g de fezes; o paciente apresenta 5 mg/g, confirmando a perda. A hipoalbuminemia e a hipogamaglobulinemia são consequências diretas dessa perda, e a linfopenia ocorre quando há perda de linfa, que carrega linfócitos.

O edema assimétrico em membros inferiores, mais acentuado à direita, é um achado que pode sugerir obstrução linfática localizada, como na linfangiectasia intestinal, em que a perda de linfa é o mecanismo predominante. A esteatorreia (esteatócrito 10%) também é compatível, pois a perda de linfa prejudica a absorção de gorduras de cadeia longa. A apatia e a redução do apetite são manifestações inespecíficas da doença crônica.

A distinção crucial para esta questão é entre a enteropatia perdedora de proteínas e as outras condições listadas. A deficiência de alfa-1 antitripsina (alternativa A) é uma doença genética que causa enfisema e doença hepática, não diarreia crônica com hipoproteinemia. A doença de Kwashiorkor (alternativa B) é uma forma de desnutrição proteico-calórica, mas o paciente não apresenta os sinais clássicos de desnutrição (baixo peso, alterações de cabelo e pele) e a alfa-1 antitripsina fecal seria normal. A hipogamaglobulinemia congênita (alternativa C) causa infecções de repetição, não diarreia crônica com perda proteica. A fibrose cística (alternativa E) causa diarreia crônica com esteatorreia, mas a alfa-1 antitripsina fecal seria normal e o quadro não explicaria a hipogamaglobulinemia e a linfopenia.

Guarde a fronteira entre a EPP e as demais causas de diarreia crônica: é a associação de hipoalbuminemia + hipogamaglobulinemia + linfopenia + alfa-1 antitripsina fecal elevada que fecha o diagnóstico de EPP. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.

Critério

Enteropatia Perdedora de Proteínas (EPP)

Deficiência de Alfa-1 Antitripsina

Doença de Kwashiorkor

Hipogamaglobulinemia Congênita

Fibrose Cística

Mecanismo

Perda de proteínas séricas pelo TGI (mucosa ou linfa)

Doença genética (deficiência sérica da proteína)

Desnutrição proteico-calórica primária

Imunodeficiência primária (deficiência de anticorpos)

Mutação no gene CFTR (disfunção do transporte de cloro)

Alfa-1 antitripsina fecal

Elevada (marcador de perda)

Normal (a deficiência é sérica, não fecal)

Normal

Normal

Normal

Hipoalbuminemia

Presente (consequência da perda)

Ausente

Presente (por aporte inadequado)

Ausente

Ausente

Hipogamaglobulinemia

Presente (secundária à perda de linfa)

Ausente

Pode estar presente (por desnutrição)

Presente (primária)

Ausente

Linfopenia

Presente (perda de linfa carrega linfócitos)

Ausente

Ausente

Ausente

Ausente

Esteatorreia

Presente (perda de linfa prejudica absorção de gorduras)

Ausente

Ausente

Ausente

Presente (insuficiência pancreática)

Edema assimétrico

Pode estar presente (sugere obstrução linfática localizada)

Ausente

Edema simétrico (anasarca)

Ausente

Ausente

Manifestações típicas

Diarreia crônica + edema + perda proteica

Enfisema e doença hepática

Baixo peso, alterações de cabelo e pele

Infecções de repetição

Doença pulmonar crônica + insuficiência pancreática

1Mecanismo
Perda proteica entérica
Perda linfática associada
2Achados-chave
Hipoalbuminemia
Hipogamaglobulinemia
Linfopenia
Alfa-1 antitripsina fecal elevada
3Diagnóstico diferencial
Deficiência de alfa-1 antitripsina (doença genética)
Kwashiorkor (desnutrição)
Hipogamaglobulinemia congênita (imunodeficiência)
Fibrose cística (CFTR)
Enteropatia perdedora de proteínas
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Enteropatia perdedora de proteínas: Mecanismo (Perda proteica entérica, Perda linfática associada); Achados-chave (Hipoalbuminemia, Hipogamaglobulinemia, Linfopenia, Alfa-1 antitripsina fecal elevada); Diagnóstico diferencial (Deficiência de alfa-1 antitripsina (doença genética), Kwashiorkor (desnutrição), Hipogamaglobulinemia congênita (imunodeficiência), Fibrose cística (CFTR))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A deficiência de alfa-1 antitripsina é uma doença genética autossômica codominante que predispõe a doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema) e doença hepática (cirrose, hepatocarcinoma). Não causa diarreia crônica nem enteropatia perdedora de proteínas. O exame de alfa-1 antitripsina fecal está elevado no paciente, o que indica perda proteica entérica, e não deficiência da proteína. A confusão aqui é entre a dosagem fecal (marcador de perda) e a deficiência sérica (doença genética).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A doença de Kwashiorkor é uma forma de desnutrição proteico-calórica grave, caracterizada por edema, hipoalbuminemia, alterações cutâneas e hepáticas. Embora o paciente apresente hipoalbuminemia e edema, ele não tem os sinais clássicos de desnutrição (baixo peso, cabelo quebradiço, dermatose). Além disso, a alfa-1 antitripsina fecal elevada e a linfopenia não são explicadas pela desnutrição isolada. A diarreia crônica com esteatorreia e a perda proteica entérica apontam para uma causa gastrointestinal primária, não para uma deficiência nutricional primária.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipogamaglobulinemia congênita (como a agamaglobulinemia ligada ao X) causa deficiência de anticorpos, levando a infecções de repetição, especialmente respiratórias e gastrointestinais. Embora o paciente apresente gamaglobulina baixa (0,2 g/dL), a hipogamaglobulinemia aqui é secundária à perda proteica entérica, não primária. A presença de hipoalbuminemia, linfopenia e alfa-1 antitripsina fecal elevada indica que a perda de proteínas é o mecanismo central, e não uma imunodeficiência primária. Além disso, a hipogamaglobulinemia congênita não causa esteatorreia nem edema assimétrico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A enteropatia perdedora de proteínas é a síndrome que melhor explica o conjunto de achados: diarreia crônica, hipoalbuminemia (2,5 g/dL), hipogamaglobulinemia (0,2 g/dL), linfopenia (700/microL), edema assimétrico e esteatorreia (esteatócrito 10%). A alfa-1 antitripsina fecal elevada (5 mg/g fezes) é o exame confirmatório, demonstrando a perda de proteínas pelo trato gastrointestinal. A linfopenia e a hipogamaglobulinemia ocorrem porque a linfa perdida carrega linfócitos e imunoglobulinas. O edema assimétrico, mais acentuado à direita, pode sugerir obstrução linfática localizada, como na linfangiectasia intestinal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fibrose cística é uma doença autossômica recessiva causada por mutação no gene CFTR, que leva a doença pulmonar crônica, insuficiência pancreática e diarreia crônica com esteatorreia. Embora o paciente apresente diarreia crônica e esteatorreia, a fibrose cística não explica a hipoalbuminemia, a hipogamaglobulinemia, a linfopenia nem a alfa-1 antitripsina fecal elevada. Além disso, o edema assimétrico não é uma manifestação típica da fibrose cística. O diagnóstico de fibrose cística seria confirmado pelo teste do suor ou teste genético, não pela dosagem de alfa-1 antitripsina fecal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a dosagem de alfa-1 antitripsina fecal (marcador de perda proteica entérica) e a deficiência de alfa-1 antitripsina (doença genética). O valor elevado (5 mg/g) indica perda, não deficiência. Além disso, a hipogamaglobulinemia e a linfopenia são secundárias à perda de linfa, não a uma imunodeficiência primária. Fique atento: a combinação de hipoalbuminemia + hipogamaglobulinemia + linfopenia + alfa-1 antitripsina fecal elevada é patognomônica de enteropatia perdedora de proteínas.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de diarreia crônica com esteatorreia, monte um quadro mental: se houver hipoproteinemia + linfopenia + alfa-1 antitripsina fecal elevada, pense em enteropatia perdedora de proteínas. Se houver doença pulmonar e insuficiência pancreática, pense em fibrose cística. Se houver desnutrição, pense em Kwashiorkor. A alfa-1 antitripsina fecal é o exame-chave que separa a EPP das demais.

Gabarito: letra D — Enteropatia perdedora de proteínas.

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