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Questão de Medicina — Genética Médica — VUNESP 2025

MedicinaGenética Médica
Código
vu113195
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Genética Médica
Um casal procura aconselhamento genético após quatro perdas gestacionais consecutivas, todas ocorridas no segundo trimestre. A mulher tem 34 anos e apresenta um histórico médico significativo de trombose venosa profunda após a gravidez anterior. O homem, de 36 anos, não possui histórico clínico relevante. Exames laboratoriais revelam que a mulher é heterozigota para o fator V de Leiden e carrega uma translocação equilibrada entre os cromossomos 13 e 14 (translocação robertsoniana).Nesse contexto, qual é a melhor abordagem para auxiliar esse casal a alcançar uma gravidez bem-sucedida?
  1. ARecomendar suplementação de anticoagulantes durante a gestação.
  2. BSolicitar estudo do cariótipo do parceiro para excluir anormalidades estruturais.
  3. CRealizar inseminação artificial com espermatozoides do parceiro.
  4. DOferecer diagnóstico genético pré-implantacional (PGT) associado à fertilização in vitro (FIV).
  5. EIndicar triagem genética ampla para doenças monogênicas associadas à perda gestacional.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Oferecer diagnóstico genético pré-implantacional (PGT) associado à fertilização in vitro (FIV).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Perdas gestacionais recorrentes: trombofilia e translocação robertsoniana

Gabarito: letra D. A melhor abordagem é oferecer diagnóstico genético pré-implantacional (PGT) associado à fertilização in vitro (FIV), pois a mulher é portadora de uma translocação robertsoniana entre os cromossomos 13 e 14, que aumenta o risco de embriões com aneuploidias (como trissomias 13, 14 e 21), levando a perdas gestacionais. O PGT permite selecionar embriões euploides antes da transferência, aumentando as chances de uma gravidez bem-sucedida.

A perda gestacional recorrente (PGR) é definida como duas ou mais falhas de gestação confirmadas por ultrassom ou histopatologia. As causas são multifatoriais e incluem fatores genéticos, anatômicos, endócrinos, imunológicos e trombofílicos. No caso apresentado, dois fatores de risco se destacam: a trombofilia (fator V de Leiden heterozigoto) e a alteração cromossômica estrutural (translocação robertsoniana).

A translocação robertsoniana é uma alteração cromossômica que envolve a fusão de dois cromossomos acrocêntricos (13, 14, 15, 21, 22) pelo centrômero, resultando em um cromossomo derivativo e na perda dos braços curtos. Portadores equilibrados são fenotipicamente normais, mas apresentam risco aumentado de produzir gametas desbalanceados, levando a conceptos com trissomias ou monossomias, que geralmente resultam em abortamento. No caso da translocação rob(13;14), os gametas podem ser: normal, equilibrado, ou desbalanceado (trissomia 13, trissomia 14, monossomia 13, monossomia 14, entre outros). As trissomias 13 e 14 são letais na maioria dos casos, causando perdas no primeiro trimestre, mas a trissomia 13 (síndrome de Patau) pode sobreviver até o segundo trimestre, o que se encaixa no histórico de perdas no segundo trimestre.

O fator V de Leiden heterozigoto é uma trombofilia de baixo risco, mas associado à gestação, aumenta o risco de trombose venosa profunda (TEV) e de complicações placentárias, como abortamento de repetição, pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal. No entanto, o tratamento com anticoagulantes (como heparina de baixo peso molecular) é indicado para profilaxia de TEV, mas não corrige a causa genética das perdas. Portanto, a abordagem mais completa envolve o PGT para selecionar embriões sem a translocação desbalanceada, associado à FIV.

A alternativa D é a mais adequada, pois aborda diretamente a causa genética das perdas gestacionais. As demais alternativas são incompletas ou incorretas: a suplementação de anticoagulantes (A) trata a trombofilia, mas não a translocação; o cariótipo do parceiro (B) é importante para excluir outras alterações, mas não é a abordagem principal; a inseminação artificial (C) não resolve o problema genético; e a triagem genética ampla (E) não é específica para o caso.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Recomendar suplementação de anticoagulantes durante a gestação é uma medida importante para a trombofilia (fator V de Leiden), mas não aborda a causa genética das perdas gestacionais (translocação robertsoniana). A anticoagulação pode reduzir o risco de trombose e complicações placentárias, mas não impede a formação de embriões com aneuploidias. A conduta correta seria associar a anticoagulação ao PGT, mas a alternativa isolada é insuficiente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Solicitar estudo do cariótipo do parceiro para excluir anormalidades estruturais é uma medida diagnóstica importante, pois o parceiro também pode ser portador de uma alteração cromossômica equilibrada. No entanto, essa medida não é a melhor abordagem para auxiliar o casal a alcançar uma gravidez bem-sucedida, pois não oferece uma solução reprodutiva. O cariótipo do parceiro deve ser realizado como parte da investigação, mas a abordagem principal é o PGT.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Realizar inseminação artificial com espermatozoides do parceiro não é uma abordagem adequada, pois a inseminação artificial não seleciona embriões quanto à presença de aneuploidias. A translocação robertsoniana da mulher aumenta o risco de embriões desbalanceados, e a inseminação artificial não oferece nenhuma vantagem genética. A FIV com PGT é a técnica indicada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Oferecer diagnóstico genético pré-implantacional (PGT) associado à fertilização in vitro (FIV) é a melhor abordagem, pois permite selecionar embriões euploides (sem aneuploidias) antes da transferência. No caso da translocação robertsoniana rob(13;14), o PGT pode identificar embriões portadores da translocação equilibrada (que são saudáveis) e embriões com trissomias ou monossomias (que causariam perdas gestacionais). A FIV é necessária para obter embriões e realizar o PGT. Essa abordagem aumenta significativamente as chances de uma gravidez bem-sucedida.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Indicar triagem genética ampla para doenças monogênicas associadas à perda gestacional não é a abordagem mais adequada, pois o caso em questão envolve uma alteração cromossômica estrutural (translocação robertsoniana), e não uma doença monogênica. A triagem genética ampla pode ser útil em outros contextos, mas não aborda a causa específica das perdas gestacionais deste casal.

Gabarito: letra D

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