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Questão de Medicina — Genética Médica — VUNESP 2025

MedicinaGenética Médica
Código
vu113202
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Genética Médica
Um paciente de 40 anos foi diagnosticado com hipertensão arterial primária de difícil controle e tem apresentado complicações como insuficiência renal crônica e aumento do risco cardiovascular. O histórico familiar revela que tanto os pais quanto outros membros próximos da família também apresentaram hipertensão em idades precoces. A pressão arterial elevada nas gerações anteriores parece ter variação nas idades de início e na gravidade dos sintomas.Considerando o diagnóstico e o histórico familiar, qual seria a explicação mais adequada para o padrão observado de hipertensão arterial primária?
  1. AÉ uma condição monogênica.
  2. BÉ causada por fatores ambientais.
  3. CSegue um padrão de herança ligada ao cromossomo X.
  4. DÉ uma doença poligênica, com múltiplos genes envolvidos, polialelismo e herdabilidade.
  5. EÉ causada por mutações no cromossomo Y, afetando apenas os homens.
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GabaritoD — É uma doença poligênica, com múltiplos genes envolvidos, polialelismo e herdabilidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão arterial primária: herança poligênica e multifatorial

Gabarito: letra D. A hipertensão arterial primária (essencial) é uma doença poligênica e multifatorial: resulta da interação de múltiplos genes (cada um com efeito pequeno), com polialelismo e herdabilidade, somada a fatores ambientais — é exatamente o que o padrão familiar descrito (vários membros afetados, idades de início e gravidade variáveis) indica. As alternativas A, B, C e E estão incorretas porque descrevem padrões que não se aplicam à hipertensão primária: monogenia, causa exclusivamente ambiental, herança ligada ao X ou ao Y.

A hipertensão arterial primária, também chamada de essencial, é definida pela elevação crônica da pressão arterial sem uma causa secundária identificável (como nefropatia parenquimatosa ou tumor suprarrenal). O conceito de "primária" não significa que não haja causa — significa que a causa é complexa e multifatorial, envolvendo a interação entre predisposição genética e fatores ambientais. O texto de apoio é claro ao afirmar que "a grande maioria dos casos de hipertensão arterial tem sua ocorrência explicada por interação entre predisposição genética (história familiar de hipertensão) e excessiva ingestão de sódio", com potencialização por outros fatores como obesidade, álcool, transtornos do sono e sedentarismo.

O padrão de herança da hipertensão primária é poligênico: dezenas a centenas de genes contribuem, cada um com efeito modesto, para a regulação da pressão arterial (sistema renina-angiotensina-aldosterona, canais de sódio, receptores adrenérgicos, entre outros). Além disso, há polialelismo — múltiplas variantes alélicas em cada um desses genes — e herdabilidade significativa, estimada em torno de 27% para o controle da pressão arterial, conforme estudos de associação genômica ampla (GWAS). Isso explica por que a história familiar é um fator de risco tão importante e por que a apresentação clínica varia tanto entre os membros de uma mesma família: cada indivíduo herda uma combinação diferente de alelos de risco, que interage com seu ambiente específico.

Para contrastar, as formas monogênicas de hipertensão existem, mas são secundárias e raras — como o hiperaldosteronismo familiar, a síndrome de Liddle, a hiperplasia adrenal congênita e as formas hereditárias de feocromocitoma. Nessas condições, uma mutação em um único gene causa a doença com padrão de herança mendeliano clássico (autossômico dominante ou recessivo). O enunciado, porém, descreve exatamente o oposto: variação na idade de início e na gravidade entre gerações, o que é a assinatura da herança poligênica, não da monogênica.

A pegadinha central desta questão é a confusão entre herança poligênica e monogênica. O candidato que vê "histórico familiar" e "vários membros afetados" pode ser tentado a pensar em uma doença mendeliana clássica (monogênica). Mas a variação na expressão clínica — idades de início e gravidade diferentes entre parentes — é o oposto do que se espera de uma mutação de efeito grande em um único gene, que tende a produzir fenótipos mais uniformes. É essa variabilidade que aponta para a arquitetura genética complexa da hipertensão primária.

Guarde a fronteira decisiva: hipertensão primária = poligênica + multifatorial (genes + ambiente); hipertensão secundária = pode ser monogênica (causa única identificável). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Característica

Hipertensão Primária (Essencial)

Hipertensão Secundária (Monogênica)

Causa

Poligênica + multifatorial (interação genes-ambiente)

Causa única identificável (ex.: mutação em um gene, nefropatia, tumor)

Padrão de herança

Poligênico, com polialelismo e herdabilidade

Mendeliano clássico (autossômico dominante ou recessivo)

Apresentação clínica

Variável (idade de início e gravidade diferentes entre familiares)

Mais uniforme, fenótipos típicos

Exemplos

Hipertensão arterial primária (caso descrito)

Síndrome de Liddle, hiperaldosteronismo familiar, feocromocitoma hereditário

1Herança poligênica
Múltiplos genes de pequeno efeito
Polialelismo
Herdabilidade (~27%)
2Fatores ambientais
Excesso de sódio
Obesidade
Álcool, sedentarismo
3Padrão familiar
Vários membros afetados
Idade e gravidade variáveis
4Formas monogênicas (secundárias)
Síndrome de Liddle
Hiperaldosteronismo familiar
Hipertensão primária
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Hipertensão primária: Herança poligênica (Múltiplos genes de pequeno efeito, Polialelismo, Herdabilidade (~27%)); Fatores ambientais (Excesso de sódio, Obesidade, Álcool, sedentarismo); Padrão familiar (Vários membros afetados, Idade e gravidade variáveis); Formas monogênicas (secundárias) (Síndrome de Liddle, Hiperaldosteronismo familiar)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a hipertensão primária é uma condição monogênica. Errado: a hipertensão primária é poligênica, envolvendo múltiplos genes de pequeno efeito. As formas monogênicas de hipertensão existem, mas são secundárias (ex.: síndrome de Liddle, hiperaldosteronismo familiar) e apresentam padrão de herança mendeliano, com fenótipos mais uniformes — não o padrão variável descrito no enunciado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a hipertensão primária é causada apenas por fatores ambientais. Incorreto: embora fatores ambientais (ingestão de sódio, obesidade, álcool, sedentarismo) sejam importantes, a hipertensão primária resulta da interação entre predisposição genética e ambiente. A forte história familiar descrita no enunciado evidencia o componente genético, que esta alternativa ignora por completo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a hipertensão primária segue padrão de herança ligada ao cromossomo X. Não há evidência de que a hipertensão primária seja uma doença ligada ao X. Esse padrão de herança é característico de doenças monogênicas específicas (ex.: hemofilia, distrofia muscular de Duchenne), não de uma condição poligênica e multifatorial como a hipertensão essencial. Além disso, o enunciado mostra homens e mulheres afetados em várias gerações, sem o padrão característico de herança ligada ao X.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a explicação correta. A hipertensão arterial primária é uma doença poligênica, com múltiplos genes envolvidos, polialelismo (múltiplas variantes alélicas em cada gene) e herdabilidade significativa. O padrão familiar descrito — vários membros afetados, com variação na idade de início e gravidade — é a assinatura clássica da herança poligênica e multifatorial, em que a combinação de alelos de risco herdados interage com fatores ambientais para determinar a expressão clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a hipertensão primária é causada por mutações no cromossomo Y, afetando apenas homens. Absurdo: o cromossomo Y está presente apenas no sexo masculino, mas a hipertensão primária afeta homens e mulheres em proporções semelhantes. O enunciado menciona "tanto os pais quanto outros membros próximos da família", sem restrição ao sexo masculino. Não há qualquer base genética para essa afirmação.

Gabarito: letra D — a hipertensão arterial primária é uma doença poligênica, com múltiplos genes envolvidos, polialelismo e herdabilidade, em interação com fatores ambientais.

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