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Questão de Medicina — Genética Médica — VUNESP 2025

MedicinaGenética Médica
Código
vu113208
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Genética Médica
Um laboratório de genética realiza uma pesquisa sobre distrofia muscular de Duchenne (DMD), uma doença ligada ao cromossomo X, causada por mutações no gene DMD que codifica a proteína distrofina. Uma amostra de DNA de um paciente masculino é analisada por PCR multiplex, mas não foram detectados éxons 45 a 50 do gene DMD.Nesse cenário, qual seria o próximo passo mais adequado para confirmar a mutação e investigar a correlação genótipo-fenótipo?
  1. ARealizar sequenciamento completo do genoma para identificar mutações adicionais em genes relacionados à distrofia muscular.
  2. BExecutar hibridização fluorescente in situ (FISH) para detectar deleções ou duplicações cromossômicas amplas.
  3. CUsar Western blot para avaliar os níveis de expressão da distrofina diretamente nos tecidos do paciente.
  4. DRealizar análise por Southern blot para confirmar a deleção dos éxons observada no PCR multiplex.
  5. ERealizar MLPA (Multiplex Ligation-dependent Probe Amplification) para confirmar a deleção e determinar sua extensão precisa.
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GabaritoE — Realizar MLPA (Multiplex Ligation-dependent Probe Amplification) para confirmar a deleção e determinar sua extensão precisa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diagnóstico molecular da Distrofia Muscular de Duchenne (DMD)

Gabarito: letra E. Após a PCR multiplex indicar a ausência dos éxons 45 a 50 do gene DMD, o próximo passo mais adequado é a MLPA (Multiplex Ligation-dependent Probe Amplification), técnica quantitativa que confirma a deleção e determina sua extensão precisa, permitindo a correlação genótipo-fenótipo. A PCR multiplex é qualitativa e pode falhar na amplificação de um alelo por polimorfismos na região de anelamento dos iniciadores; a MLPA, por usar sondas que hibridizam e são ligadas antes da amplificação, fornece uma medida semiquantitativa do número de cópias de cada éxon, sendo o padrão-ouro para detectar deleções e duplicações no gene DMD.

A distrofia muscular de Duchenne é uma doença ligada ao cromossomo X, causada por mutações no gene DMD, que codifica a distrofina, uma proteína do citoesqueleto subsarcolemal essencial para a estabilidade da membrana muscular durante a contração. As deleções de um ou mais éxons são a causa mais comum da doença, correspondendo a cerca de 60-70% dos casos. A PCR multiplex é uma técnica de triagem que amplifica simultaneamente vários éxons do gene, mas tem limitações importantes: ela é qualitativa (presença ou ausência do produto de PCR), não detecta duplicações e pode gerar falsos negativos se houver polimorfismos nos sítios de anelamento dos primers. Por isso, quando a PCR multiplex sugere uma deleção, é necessário confirmar e caracterizar a alteração com uma técnica quantitativa.

A MLPA é a técnica de escolha nesse cenário. Ela funciona com sondas específicas para cada éxon, que hibridizam ao DNA, são ligadas e amplificadas por PCR. A quantidade de produto amplificado é proporcional ao número de cópias da sequência alvo, permitindo detectar tanto deleções (redução do sinal) quanto duplicações (aumento do sinal) com alta sensibilidade e resolução. Além disso, a MLPA delimita com precisão os pontos de quebra da deleção, informação crucial para a correlação genótipo-fenótipo: deleções que mantêm a fase de leitura (in-frame) geralmente resultam em distrofina truncada, porém funcional, associada à forma mais leve de Becker; deleções que alteram a fase de leitura (out-of-frame) levam à ausência de distrofina funcional, causando o fenótipo grave de Duchenne. Essa distinção é fundamental para o prognóstico e para a elegibilidade a terapias de exon skipping, como a eteplirsen (éxon 51) e a golodirsen/viltolarsen (éxon 53).

A correlação genótipo-fenótipo na DMD é um dos principais objetivos do diagnóstico molecular. Conhecer a extensão exata da deleção permite prever se a proteína será truncada ou ausente, orientando o aconselhamento genético e a escolha de terapias-alvo. Por exemplo, um paciente com deleção dos éxons 45-50 (out-of-frame) tem fenótipo Duchenne clássico, enquanto uma deleção in-frame, como a dos éxons 45-48, pode resultar em fenótipo Becker mais leve. A MLPA, ao fornecer essa informação quantitativa e precisa, é o passo lógico após a triagem por PCR multiplex.

A pegadinha desta questão está em distinguir as técnicas de biologia molecular e suas aplicações específicas. O candidato pode ser tentado a escolher o Southern blot (alternativa D), que também detecta deleções, mas é uma técnica mais antiga, trabalhosa, que requer grande quantidade de DNA de alta qualidade e tem menor resolução para delimitar a extensão da deleção. O Western blot (alternativa C) avalia a expressão da proteína, não a mutação no DNA, e não é necessário para o diagnóstico molecular, que é feito por testes genéticos. O FISH (alternativa B) detecta alterações cromossômicas amplas, não deleções de éxons individuais. O sequenciamento completo do genoma (alternativa A) é um exame mais caro e demorado, não sendo o próximo passo mais adequado quando a PCR multiplex já indicou a região provável da deleção.

Guarde a fronteira entre as técnicas: PCR multiplex é triagem qualitativa; MLPA é confirmação quantitativa e delimitação da extensão; Southern blot é alternativa antiga; Western blot avalia proteína; FISH detecta alterações cromossômicas amplas. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

  1. 1PCR multiplex (triagem qualitativa)
  2. 2MLPA (confirmação quantitativa)
  3. 3Correlação genótipo-fenótipo (in-frame vs out-of-frame)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O sequenciamento completo do genoma (WGS) é uma técnica abrangente, mas não é o próximo passo mais adequado neste cenário. A PCR multiplex já indicou a região provável da deleção (éxons 45-50), e o WGS é mais caro, demorado e gera uma quantidade enorme de dados, sendo desnecessário para confirmar uma deleção já localizada. Além disso, o WGS pode não detectar deleções grandes com a mesma precisão da MLPA, que é especificamente desenhada para quantificar o número de cópias de cada éxon. O objetivo aqui é confirmar e delimitar a deleção, não buscar mutações adicionais em outros genes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hibridização fluorescente in situ (FISH) é uma técnica citogenética que detecta deleções ou duplicações cromossômicas amplas, visíveis ao microscópio, mas não tem resolução para detectar deleções de poucos éxons, como a dos éxons 45-50 do gene DMD. O gene DMD é enorme (cerca de 2,4 Mb), e uma deleção de 6 éxons pode não ser visível por FISH. Além disso, o FISH é mais adequado para detectar alterações cromossômicas estruturais, como translocações ou grandes deleções que envolvem regiões cromossômicas inteiras, não deleções intra-gênicas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O Western blot avalia a expressão da proteína distrofina nos tecidos, não a mutação no DNA. Embora seja útil para confirmar a ausência ou redução da distrofina, não é o próximo passo para confirmar a deleção dos éxons identificada na PCR multiplex. O diagnóstico molecular da DMD é feito por testes genéticos, e a biópsia muscular com Western blot não é necessária para estabelecer o diagnóstico, conforme o contexto clínico. Além disso, o Western blot não fornece informações sobre a extensão da deleção, que é essencial para a correlação genótipo-fenótipo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O Southern blot é uma técnica que pode detectar deleções, mas é considerada obsoleta para esse fim. Ela requer grande quantidade de DNA de alta qualidade, é trabalhosa, demorada e tem menor resolução para delimitar a extensão exata da deleção. A MLPA a substituiu como padrão-ouro para detecção de deleções e duplicações no gene DMD, pois é mais rápida, sensível e fornece informação quantitativa precisa sobre o número de cópias de cada éxon. Portanto, embora o Southern blot pudesse confirmar a deleção, não é a melhor escolha.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A MLPA é a técnica de escolha para confirmar e caracterizar a deleção dos éxons 45-50 do gene DMD. Ela é quantitativa, permitindo detectar tanto deleções quanto duplicações, e delimita com precisão os pontos de quebra da deleção. Essa informação é essencial para a correlação genótipo-fenótipo, pois determina se a mutação é in-frame (fenótipo Becker mais leve) ou out-of-frame (fenótipo Duchenne grave), orientando o prognóstico e a elegibilidade a terapias de exon skipping. A MLPA é rápida, sensível e requer pequena quantidade de DNA, sendo o padrão-ouro no diagnóstico molecular da DMD.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato oferecendo técnicas que, embora sejam usadas em genética, não são adequadas para este cenário específico. A armadilha está em escolher o Southern blot (alternativa D), que é uma técnica antiga e menos precisa, ou o Western blot (alternativa C), que avalia proteína e não DNA. A chave é lembrar que a MLPA é a técnica quantitativa padrão-ouro para detectar e delimitar deleções/duplicações no gene DMD, fornecendo a informação necessária para a correlação genótipo-fenótipo.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de diagnóstico molecular, monte um fluxo mental: triagem (PCR multiplex) → confirmação quantitativa (MLPA) → correlação genótipo-fenótipo (in-frame vs out-of-frame). Lembre-se: PCR multiplex é qualitativa; MLPA é quantitativa; Southern blot é obsoleto; Western blot é para proteína; FISH é para alterações cromossômicas amplas. Essa sequência resolve a maioria das questões sobre DMD.

Gabarito: letra E

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