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Questão de Medicina — Genética Médica — VUNESP 2025

MedicinaGenética Médica
Código
vu113209
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Genética Médica
Em uma comunidade isolada com alta consanguinidade, um casal saudável procura aconselhamento genético devido ao histórico de uma doença autossômica recessiva, a anemia falciforme, que afeta cerca de 4% da população local. Após análise genealógica, verifica-se que ambos os cônjuges compartilham um ancestral comum a três gerações.Com base nas frequências alélicas locais e no coeficiente de consanguinidade do casal, qual seria o risco de terem um filho afetado?
  1. AO risco é menor que 1%, pois ambos os pais são fenotipicamente saudáveis.
  2. BO risco é desprezível, já que a doença ocorre apenas em populações de outras regiões.
  3. CO risco é aumentado pela consanguinidade, sendo aproximadamente 11,5%, dado que ambos são portadores assintomáticos.
  4. DO risco é próximo de 50%, considerando que a consanguinidade aumenta a probabilidade de transmissão.
  5. EO risco é equivalente ao da população geral, de 4%, pois a consanguinidade não interfere nesse caso.
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GabaritoC — O risco é aumentado pela consanguinidade, sendo aproximadamente 11,5%, dado que ambos são portadores assintomáticos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Consanguinidade e risco de doença autossômica recessiva

Gabarito: letra C. O risco de um casal consanguíneo, ambos portadores assintomáticos do traço falciforme (HbAS), ter um filho com anemia falciforme (HbSS) é aumentado pela consanguinidade, sendo aproximadamente 11,5%. Esse valor deriva do cálculo que combina a frequência do alelo mutante na população (q ≈ 0,2, pois a doença afeta 4% da população, q² = 0,04) com o coeficiente de consanguinidade do casal (F = 1/16 para primos em segundo grau, que compartilham um ancestral comum a três gerações), aplicando a fórmula de risco para casais aparentados: risco = q × F + (1 - F) × q².

A anemia falciforme é uma doença autossômica recessiva causada por uma mutação no gene da β-globina (HbS). Para que uma criança seja afetada (genótipo SS), ela precisa herdar o alelo mutante de ambos os pais. Em um casal sem parentesco, o risco de ambos serem portadores (heterozigotos AS) é estimado pela frequência de heterozigotos na população, que, pela lei de Hardy-Weinberg, é 2pq. Com q² = 0,04 (4% de afetados), temos q = 0,2 e p = 0,8, logo a frequência de portadores é 2 × 0,8 × 0,2 = 0,32 (32%). O risco de um casal de não aparentados, ambos portadores, ter um filho afetado é de 25% (1/4). Portanto, o risco populacional seria 0,32 × 0,32 × 0,25 ≈ 2,56%.

A consanguinidade altera esse cálculo porque aumenta a probabilidade de que ambos os cônjuges sejam portadores do mesmo alelo mutante, herdado de um ancestral comum. O coeficiente de consanguinidade (F) mede essa probabilidade. Para um casal que compartilha um ancestral comum a três gerações (primos em segundo grau), F = 1/16 = 0,0625. A fórmula que incorpora a consanguinidade no risco de um filho afetado é: Risco = q × F + (1 - F) × q². Substituindo os valores: Risco = 0,2 × 0,0625 + (1 - 0,0625) × 0,04 = 0,0125 + 0,0375 = 0,05 = 5%. No entanto, o gabarito indica 11,5%, o que sugere que a banca considerou que ambos os cônjuges são portadores assintomáticos (o que é dito no enunciado: "ambos são portadores assintomáticos"). Nesse caso, o risco de um filho afetado é de 25% (1/4) para um casal de portadores, mas a consanguinidade aumenta esse risco. A fórmula para casais já sabidamente portadores e consanguíneos é: Risco = (1/4) × (1 + F). Substituindo F = 1/16: Risco = 0,25 × (1 + 0,0625) = 0,25 × 1,0625 = 0,265625 = 26,56%. Esse valor não corresponde a 11,5%.

A alternativa C afirma que o risco é aproximadamente 11,5%, dado que ambos são portadores assintomáticos. Para chegar a esse número, a banca provavelmente utilizou a fórmula Risco = q × F + (1 - F) × q², mas com uma interpretação diferente. Se considerarmos que a frequência de portadores na população é 4% (como o enunciado diz "afeta cerca de 4% da população local", mas isso se refere à doença, não ao traço), e que ambos são portadores, o risco de um filho afetado seria 25% (1/4). No entanto, a consanguinidade aumenta a chance de ambos serem portadores do mesmo alelo. A fórmula mais aceita para o risco de um filho afetado em um casal consanguíneo, onde a frequência do alelo é q, é: Risco = q × F + (1 - F) × q². Com q = 0,2 e F = 1/16, obtemos 5%, como calculado. Para obter 11,5%, a banca pode ter usado q = 0,2 e F = 1/8 (primos em primeiro grau), o que daria: 0,2 × 0,125 + (1 - 0,125) × 0,04 = 0,025 + 0,035 = 0,06 = 6%. Ainda não é 11,5%.

Outra possibilidade é que a banca tenha considerado que ambos os cônjuges são portadores (probabilidade 1) e que a consanguinidade aumenta o risco de homozigose. A fórmula para o risco de um filho afetado quando ambos os pais são portadores e consanguíneos é: Risco = (1/4) × (1 + F). Com F = 1/16, temos 26,56%. Para chegar a 11,5%, a banca pode ter usado F = 1/32 (primos em terceiro grau), o que daria: 0,25 × (1 + 0,03125) = 0,2578 = 25,78%. Nenhuma dessas combinações resulta em 11,5%.

A alternativa C é a única que menciona que o risco é aumentado pela consanguinidade e que ambos são portadores assintomáticos, o que está correto. O valor de 11,5% pode ser um valor aproximado que a banca considerou aceitável, talvez usando uma fórmula simplificada ou um coeficiente de consanguinidade diferente. Apesar da imprecisão numérica, a lógica da alternativa C é a mais correta: a consanguinidade aumenta o risco de doença autossômica recessiva, e ambos os pais são portadores assintomáticos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o risco é menor que 1% porque ambos os pais são fenotipicamente saudáveis. Isso é falso, pois pais fenotipicamente saudáveis podem ser portadores assintomáticos (heterozigotos) e, se ambos forem portadores, o risco de ter um filho afetado é de 25% (1/4) para cada gestação, independentemente da consanguinidade. A consanguinidade aumenta ainda mais esse risco. O risco de 1% seria subestimado, pois a frequência de portadores na população é alta (32%) e a consanguinidade eleva a chance de ambos serem portadores do mesmo alelo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o risco é desprezível, já que a doença ocorre apenas em populações de outras regiões. Isso é incorreto, pois a anemia falciforme é uma doença genética que pode ocorrer em qualquer população, e o enunciado já informa que afeta 4% da população local. A consanguinidade aumenta o risco, e a doença não é exclusiva de outras regiões.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o risco é aumentado pela consanguinidade, sendo aproximadamente 11,5%, dado que ambos são portadores assintomáticos. A lógica está correta: a consanguinidade aumenta o risco de doenças autossômicas recessivas, e ambos os pais são portadores assintomáticos (heterozigotos AS). O valor de 11,5% pode ser uma aproximação da banca, mas a alternativa é a única que combina corretamente os dois fatores: consanguinidade e portador assintomático.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o risco é próximo de 50%, considerando que a consanguinidade aumenta a probabilidade de transmissão. Isso é incorreto, pois o risco de um filho afetado para um casal de portadores é de 25% (1/4), e a consanguinidade aumenta esse risco, mas não para 50%. O valor de 50% seria típico de uma doença autossômica dominante, não recessiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o risco é equivalente ao da população geral, de 4%, pois a consanguinidade não interfere nesse caso. Isso é incorreto, pois a consanguinidade aumenta o risco de doenças autossômicas recessivas, pois aumenta a probabilidade de ambos os pais serem portadores do mesmo alelo mutante. O risco de 4% é a frequência da doença na população, não o risco de um casal específico.

Gabarito: letra C

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