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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu113220
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia
F.N.B., 32 anos GIII PI 1N 1C A0, idade gestacional pela DUM de 8 semanas. Deu entrada ao PSO com queixa de sangramento vaginal em pequena quantidade, escuro, há cerca de 2 dias. Nega febre ou secreção vaginal fétida. Ao exame físico: colo uterino impérvio, fundo uterino intrapélvico. Ao ultrassom obstétrico inicial: identificado embrião único com CCN de 11 mm, batimentos cardio- -embrionários ausentes. Pequena área de descolamento retro-ovular.De acordo com esse caso clínico, assinale a alternativa que apresenta diagnóstico e conduta corretos.
  1. ATrata-se de abortamento incompleto. Internação para AMIU.
  2. BTrata-se de óbito embrionário. Conduta expectante por até 4 semanas.
  3. CTrata-se de abortamento retido. Ergotrate IM e alta.
  4. DTrata-se de ameaça de abortamento. Progesterona 200 mg VV diariamente.
  5. ETrata-se de gestação incipiente. Retorno em cerca de 7-10 dias para acompanhamento da evolução da gestação.
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GabaritoB — Trata-se de óbito embrionário. Conduta expectante por até 4 semanas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Abortamento: diagnóstico diferencial e conduta

Gabarito: letra B. O caso descreve um óbito embrionário — embrião com CCN de 11 mm (correspondente a cerca de 7 semanas) e ausência de batimentos cardioembrionários — e a conduta correta é expectante por até 4 semanas, conforme a alternativa B. O diagnóstico se baseia na ultrassonografia que demonstra embrião sem atividade cardíaca, com colo uterino impérvio e sem sinais de infecção, o que afasta as demais hipóteses.

O abortamento é a interrupção da gestação antes da viabilidade fetal, e sua classificação depende de achados clínicos e ultrassonográficos. No caso apresentado, a paciente tem 8 semanas de gestação pela DUM, mas o embrião mede 11 mm de CCN, o que corresponde a aproximadamente 7 semanas — há uma discrepância entre a idade gestacional pela DUM e o tamanho do embrião, sugerindo que a gestação parou de evoluir. A ausência de batimentos cardioembrionários em embrião com CCN ≥ 7 mm é critério diagnóstico de óbito embrionário, conforme os critérios ultrassonográficos estabelecidos. O colo uterino impérvio indica que não houve início do processo de expulsão, e a pequena área de descolamento retro-ovular é um achado comum nesse contexto.

A conduta expectante é uma opção válida para o óbito embrionário, especialmente em gestações iniciais, pois a maioria das pacientes evolui com expulsão espontânea em até 4 semanas. Essa abordagem respeita a autonomia da paciente e evita intervenções desnecessárias, desde que não haja sinais de infecção ou sangramento volumoso. O acompanhamento deve ser próximo, com orientação para retorno imediato em caso de febre, dor pélvica ou sangramento intenso.

É fundamental distinguir o óbito embrionário de outras entidades, como a ameaça de abortamento (gestação viável com sangramento), o abortamento incompleto (expulsão parcial com colo aberto) e o abortamento retido (gestação inviável sem expulsão, mas com colo fechado). A diferença crucial entre óbito embrionário e abortamento retido é sutil: no óbito embrionário, há um embrião que perdeu a vitalidade; no abortamento retido, pode haver saco gestacional sem embrião ou embrião sem batimentos, mas o termo é frequentemente usado de forma intercambiável. A banca explora essa distinção para confundir o candidato.

A pegadinha desta questão está na classificação: a alternativa C fala em "abortamento retido" com conduta de "Ergotrate IM e alta", o que é incorreto tanto no diagnóstico quanto na conduta. O ergotrate (maleato de metilergonovina) é um uterotônico usado no pós-parto para controle de hemorragia, não no manejo de abortamento retido. A alternativa A fala em "abortamento incompleto" com AMIU, mas o colo impérvio e a ausência de expulsão parcial afastam esse diagnóstico. A alternativa D propõe progesterona para "ameaça de abortamento", mas a ausência de batimentos cardíacos inviabiliza a gestação, tornando a progesterona inútil. A alternativa E fala em "gestação incipiente" com retorno em 7-10 dias, ignorando o critério de óbito embrionário já estabelecido.

Guarde a fronteira entre os tipos de abortamento: o que decide é a vitalidade do embrião e o estado do colo uterino. É exatamente nessa combinação que as alternativas se dividem.

Critério

Óbito Embrionário (Gabarito)

Abortamento Retido (Alternativa C)

Abortamento Incompleto (Alternativa A)

Ameaça de Abortamento (Alternativa D)

Vitalidade do embrião

Ausente (sem BCF)

Ausente (sem BCF)

Ausente (expulsão parcial)

Presente (BCF presentes)

Estado do colo uterino

Impérvio (fechado)

Impérvio (fechado)

Pérvio (aberto)

Impérvio (fechado)

Conduta correta

Expectante por até 4 semanas

Esvaziamento cirúrgico ou manejo expectante/medicamentoso

AMIU ou esvaziamento cirúrgico

Progesterona + repouso (se viável)

1Ameaça
Embrião vivo
Colo fechado
Conduta: progesterona
2Incompleto
Colo aberto
Expulsão parcial
Conduta: AMIU
3Retido
Embrião inviável
Colo fechado
Conduta: esvaziamento
4Óbito embrionário
Embrião sem batimentos
Colo fechado
Conduta: expectante até 4 semanas
Abortamento
LEVELsoulevel.com.br
Abortamento: Ameaça (Embrião vivo, Colo fechado, Conduta: progesterona); Incompleto (Colo aberto, Expulsão parcial, Conduta: AMIU); Retido (Embrião inviável, Colo fechado, Conduta: esvaziamento); Óbito embrionário (Embrião sem batimentos, Colo fechado, Conduta: expectante até 4 semanas)

Alternativa A — ❌ Incorreta

O abortamento incompleto é caracterizado pela expulsão parcial dos produtos da concepção, com orifício interno do colo aberto e sangramento volumoso. No caso, o colo está impérvio e não há relato de expulsão de material — o que afasta o diagnóstico. A AMIU (aspiração manual intrauterina) seria indicada para esvaziamento em casos de abortamento incompleto, mas não se aplica aqui.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O diagnóstico de óbito embrionário é confirmado pela ultrassonografia que mostra embrião com CCN de 11 mm e ausência de batimentos cardioembrionários. O colo impérvio indica que não houve expulsão. A conduta expectante por até 4 semanas é apropriada, pois a maioria das pacientes elimina espontaneamente o conteúdo uterino nesse período, sem necessidade de intervenção imediata, desde que não haja sinais de infecção ou sangramento intenso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O abortamento retido é definido como gestação inviável sem expulsão de produtos da concepção, com colo fechado — o que se assemelha ao caso. No entanto, a conduta proposta é totalmente incorreta: o Ergotrate IM (maleato de metilergonovina) é um uterotônico utilizado no pós-parto para hemorragia, não no manejo de abortamento retido. Além disso, a conduta para abortamento retido com IG < 13 semanas envolve avaliação para esvaziamento cirúrgico ou manejo expectante/medicamentoso, nunca "alta" com ergotrate.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ameaça de abortamento é definida por sangramento vaginal com gestação viável (batimentos cardíacos presentes). No caso, a ausência de batimentos cardioembrionários inviabiliza a gestação, tornando o diagnóstico de ameaça de abortamento incorreto. A progesterona 200 mg VV é usada em casos de ameaça de abortamento com gestação viável, mas não tem papel no óbito embrionário.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A gestação incipiente refere-se a uma gestação muito inicial, geralmente antes de 6-7 semanas, quando ainda não é possível visualizar embrião ou batimentos cardíacos. No caso, o embrião já tem 11 mm de CCN (cerca de 7 semanas) e ausência de batimentos — o que configura óbito embrionário, não uma gestação em evolução normal. A conduta de "retorno em 7-10 dias" seria apropriada para uma gestação incipiente sem sinais de inviabilidade, mas aqui o diagnóstico já está estabelecido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre óbito embrionário e abortamento retido. Ambos envolvem gestação inviável com colo fechado, mas a alternativa C erra ao propor "Ergotrate IM e alta" — uma conduta absurda. O candidato que conhece a definição de abortamento retido pode ser atraído pela alternativa C, mas a conduta incorreta a invalida. Fique atento: o diagnóstico pode ser semelhante, mas a conduta é o que diferencia as alternativas.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os tipos de abortamento, monte uma tabela mental com três critérios: vitalidade do embrião (presente/ausente), estado do colo (aberto/fechado) e sangramento (presente/ausente). No óbito embrionário: embrião sem batimentos, colo fechado, sangramento pode estar presente. No abortamento incompleto: colo aberto, expulsão parcial. Na ameaça: embrião vivo, colo fechado, sangramento presente. Essa tríade resolve a maioria das questões.

Gabarito: letra B

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