Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu113224
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia
S.F.R., 37 anos, GIV PIII 2C 1N A0, idade gestacional de 29 semanas, deu entrada no PSO queixando-se de dor em hipogástrio intensa, de início súbito. Ao exame físico: pequena quantidade de sangue vermelho vivo em dedo de luva ao toque vaginal, colo impérvio. Sem sangramento ativo. Tônus uterino normal. PA: 90 x 60 mmHg; FC: 100 bpm; BCF: 120 bpm.De acordo com o caso apresentado, assinale a alternativa que representa o diagnóstico mais sugestivo.
APlacenta prévia.
BDescolamento prematuro de placenta.
CRotura de vasa prévia.
DRotura de seio venoso.
ERotura uterina.
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GabaritoE — Rotura uterina.
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Hemorragias da segunda metade da gestação: diagnóstico diferencial
Gabarito: letra E. O quadro de dor abdominal intensa de início súbito, sangramento vaginal discreto, colo impérvio, tônus uterino normal e instabilidade hemodinâmica (PA 90x60 mmHg, FC 100 bpm) em gestante de 29 semanas com cicatriz uterina prévia (GIV PIII 2C 1N A0) é mais sugestivo de rotura uterina. O diagnóstico diferencial com descolamento prematuro de placenta (DPP) é o ponto central: no DPP, o tônus uterino costuma estar aumentado (útero hipertônico, "em madeira"), enquanto na rotura uterina o tônus pode estar normal, com dor intensa e sinais de choque desproporcionais ao sangramento externo.
A hemorragia da segunda metade da gestação é uma emergência obstétrica que exige raciocínio rápido. As principais causas são: placenta prévia, descolamento prematuro de placenta (DPP), rotura uterina e vasa prévia. Cada uma tem um perfil clínico distinto, e a chave do diagnóstico está na combinação de sintomas, sinais vitais e exame físico.
Placenta prévia é a implantação da placenta sobre o orifício interno do colo uterino. O sangramento é tipicamente indolor, de sangue vermelho vivo, de início insidioso, e o tônus uterino é normal. O colo pode estar impérvio, mas a dor intensa não é característica. No caso, a dor intensa de início súbito afasta esse diagnóstico.
Descolamento prematuro de placenta (DPP) é a separação prematura da placenta normalmente inserida. A tríade clássica é dor abdominal intensa, hipertonia uterina (útero "em madeira") e sangramento vaginal (que pode ser ausente ou discreto, pois o sangue pode ficar retido atrás da placenta). O tônus uterino aumentado é um achado quase constante. No caso apresentado, o tônus uterino está normal, o que fala contra DPP.
Rotura uterina é a solução de continuidade da parede uterina, geralmente associada a cicatriz uterina prévia (cesárea, miomectomia) ou a trabalho de parto prolongado. O quadro clássico é dor abdominal intensa de início súbito, sangramento vaginal (que pode ser discreto), sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia) e tônus uterino que pode estar normal ou aumentado. A apresentação fetal pode estar alterada, e os batimentos cardíacos fetais podem mostrar sofrimento. A paciente do caso tem GIV PIII 2C 1N A0, ou seja, 2 cesáreas prévias — o principal fator de risco para rotura uterina. A dor súbita, o sangramento discreto, o colo impérvio, o tônus normal e a instabilidade hemodinâmica (PA 90x60 mmHg, FC 100 bpm) são altamente sugestivos de rotura uterina.
Vasa prévia é a presença de vasos fetais (do cordão umbilical) atravessando as membranas sobre o orifício interno do colo. O sangramento ocorre quando esses vasos se rompem, geralmente na amniorrexe (rotura das membranas). O sangramento é de sangue fetal, e o quadro é de sofrimento fetal agudo (bradicardia, variabilidade reduzida) com sangramento vaginal. A dor intensa não é característica, e o tônus uterino é normal. No caso, a dor intensa e a estabilidade relativa do BCF (120 bpm) afastam vasa prévia.
Rotura de seio venoso é uma complicação rara, geralmente associada a placenta prévia ou acesarismo, em que um seio venoso da decídua se rompe, causando sangramento. O quadro é de sangramento vaginal, mas sem dor intensa ou instabilidade hemodinâmica importante. Não é o diagnóstico mais sugestivo no caso.
A pegadinha desta questão é a tentação de diagnosticar DPP pela tríade dor + sangramento + choque. No entanto, o tônus uterino normal é o dado que desvia o diagnóstico para rotura uterina. A banca explora a confusão entre DPP e rotura uterina, que são as duas principais causas de hemorragia com dor na segunda metade da gestação.
Hemorragias 2ª metade da gestação
1Placenta prévia
Sangramento indolor
Tônus normal
2DPP
Dor intensa
Útero hipertônico ("em madeira")
3Rotura uterina
Dor súbita intensa
Sangramento discreto
Tônus normal
Choque desproporcional
Cicatriz uterina prévia
4Vasa prévia
Sofrimento fetal agudo
Sem dor intensa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Placenta prévia cursa com sangramento vaginal indolor, de sangue vermelho vivo, geralmente sem dor abdominal intensa. O tônus uterino é normal, mas a dor intensa de início súbito não é característica. Além disso, a instabilidade hemodinâmica com PA 90x60 mmHg e FC 100 bpm seria incomum em placenta prévia sem sangramento ativo importante.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Descolamento prematuro de placenta (DPP) é o principal diagnóstico diferencial, mas o tônus uterino normal é o achado que o afasta. No DPP, o útero está hipertônico ("em madeira"), com dor intensa e contínua. A paciente apresenta tônus normal, o que é mais compatível com rotura uterina. Além disso, a história de 2 cesáreas prévias é um forte fator de risco para rotura uterina, não para DPP.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Rotura de vasa prévia causa sangramento de sangue fetal, geralmente associado à amniorrexe. O quadro é de sofrimento fetal agudo (bradicardia, variabilidade reduzida) com sangramento vaginal. A dor intensa não é característica, e o BCF de 120 bpm é normal. A instabilidade hemodinâmica materna seria tardia e menos proeminente.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Rotura de seio venoso é uma complicação rara, geralmente associada a placenta prévia ou acesarismo. Causa sangramento vaginal, mas sem dor intensa ou instabilidade hemodinâmica importante. O quadro de dor súbita e choque não é compatível.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Rotura uterina é a complicação mais sugestiva. A paciente tem 2 cesáreas prévias (GIV PIII 2C 1N A0), o principal fator de risco. O quadro de dor abdominal intensa de início súbito, sangramento vaginal discreto, colo impérvio, tônus uterino normal e instabilidade hemodinâmica (PA 90x60 mmHg, FC 100 bpm) é clássico. A rotura uterina pode ocorrer antes do trabalho de parto, especialmente em gestantes com cicatriz uterina, e o sangramento pode ser interno, explicando o choque desproporcional ao sangramento externo.