Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu113226
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia
A endometriose (EDT) é uma causa conhecida de dor pélvica, podendo ser manifestada por dismenorreia e dispareunia de profundidade.Com relação ao tratamento hormonal associado ao tratamento cirúrgico da endometriose, assinale a alternativa que representa a informação correta.
AO tratamento pré-operatório com análogos de GnRH diminui o risco de recidiva da dor.
BO contraceptivo oral contínuo diminui o risco de recidiva de endometriomas.
CSistema intrauterino liberador de levonorgestrel é o método mais eficaz para prevenção da recidiva da dor após o tratamento cirúrgico EDT.
DO dienogeste é o tratamento de eleição para prevenção da recidiva da dismenorreia em pacientes submetidas ao tratamento cirúrgico da EDT.
EO desogestrel isolado é superior ao anticoncepcional combinado (desogestrel/etinilestradiol) no tratamento da dor após cirurgia conservadora para EDT.
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GabaritoB — O contraceptivo oral contínuo diminui o risco de recidiva de endometriomas.
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Endometriose: tratamento hormonal adjuvante ao cirúrgico
Gabarito: letra B. O contraceptivo oral combinado em uso contínuo é a opção que, com base nas evidências disponíveis, demonstra benefício na redução do volume dos endometriomas, o que sustenta a afirmação de que diminui o risco de recidiva desses cistos. As demais alternativas apresentam afirmações sem suporte científico sólido ou que contradizem a literatura, como a ausência de evidência de que o tratamento pré-operatório com análogos do GnRH reduza a recidiva da dor.
A endometriose é definida pela presença de tecido endometrial (glândulas e/ou estroma) ectópico, fora da cavidade uterina, e é uma causa frequente de dor pélvica crônica, dismenorreia e dispareunia de profundidade. O tratamento visa, primordialmente, o controle dos sintomas e pode ser clínico (hormonal), cirúrgico ou uma combinação de ambos. A base do tratamento hormonal é criar um ambiente desfavorável ao crescimento dos implantes endometriais, seja por meio de pseudogravidez, pseudomenopausa ou anovulação crônica.
Quando se associa o tratamento hormonal ao cirúrgico, o objetivo é reduzir a recidiva dos sintomas e das lesões. No entanto, é fundamental distinguir o que a evidência científica realmente suporta. Estudos comparativos entre as diferentes opções hormonais (ACOs, progestagênios, análogos do GnRH, danazol) não demonstraram superioridade consistente de uma sobre as outras no controle da dor. A escolha, portanto, baseia-se na relação custo-benefício, perfil de efeitos colaterais e preferência da paciente.
Um ponto crucial é que o tratamento pré-operatório com análogos do GnRH, embora eficaz no controle temporário da dor, não demonstrou reduzir o risco de recidiva após a cirurgia. Da mesma forma, não há evidência robusta de que o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) seja o método mais eficaz para prevenção da recidiva da dor, nem que o dienogeste seja o tratamento de eleição para esse fim, nem que o desogestrel isolado seja superior ao combinado. A literatura, na verdade, aponta que os ACOs combinados, especialmente em uso contínuo, são eficazes na redução da dismenorreia e da dor pélvica, e demonstraram benefício na redução do volume dos endometriomas, o que embasa a alternativa B.
Lei 8.080/1990 (não aplicável diretamente, mas o contexto clínico é o que decide):
A questão não exige citação de dispositivo legal, mas sim o conhecimento de evidências clínicas sobre o manejo da endometriose.
Tratamento hormonal adjuvante ao cirúrgico
1Objetivo
Reduzir recidiva de sintomas
Reduzir recidiva de lesões
2Evidências
GnRH pré-operatório não reduz recidiva da dor
ACO contínuo reduz volume de endometriomas
SIU-LNG não é o mais eficaz
Dienogeste não é o de eleição
Desogestrel isolado não é superior ao combinado
3Escolha da opção
Custo-benefício
Perfil de efeitos colaterais
Preferência da paciente
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O tratamento pré-operatório com análogos de GnRH não demonstrou reduzir o risco de recidiva da dor após a cirurgia. Embora os análogos do GnRH sejam eficazes no controle temporário da dor, criando um estado de hipogonadismo hipogonadotrófico, essa supressão é reversível e não altera o curso da doença a longo prazo. A literatura não suporta essa afirmação como uma estratégia para prevenir recidiva.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O contraceptivo oral combinado, quando utilizado de forma contínua, demonstrou benefício na redução do volume dos endometriomas, conforme estudos comparados a placebo. Essa evidência sustenta a afirmação de que o uso contínuo de ACOs pode diminuir o risco de recidiva de endometriomas após o tratamento cirúrgico, pois mantém a supressão hormonal e um ambiente desfavorável ao crescimento dos implantes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) é uma opção de tratamento hormonal eficaz para o controle da dor, mas não há evidência de que seja o método mais eficaz para prevenção da recidiva da dor após o tratamento cirúrgico. A literatura não estabelece superioridade do SIU-LNG sobre outras opções hormonais nesse contexto específico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O dienogeste é um progestagênio eficaz no tratamento da dor associada à endometriose, mas não é considerado o tratamento de eleição para prevenção da recidiva da dismenorreia em pacientes submetidas ao tratamento cirúrgico. Não há evidência de superioridade do dienogeste sobre outras opções hormonais, como ACOs contínuos ou outros progestagênios, para esse fim.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não há evidência de que o desogestrel isolado seja superior ao anticoncepcional combinado (desogestrel/etinilestradiol) no tratamento da dor após cirurgia conservadora para endometriose. Os estudos comparativos entre as diferentes opções hormonais não demonstraram superioridade de uma sobre as outras no controle da dor, e a escolha deve ser individualizada.