Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu113228
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia
O sangramento uterino anormal é queixa frequente no consultório ginecológico, podendo comprometer, substancialmente, a qualidade de vida do paciente. Sobre esse diagnóstico sindrômico, assinale a alternativa que representa a informação correta.
ADentre as causas anatômicas, estão: coagulopatias, distúrbios ovulatórios, iatrogênicos e endometriais.
BIstmocele e malformações arteriovenosas não são causas de sangramento uterino anormal.
CA maioria dos pólipos endometriais tem transformação maligna.
DNa investigação do pólipo endometrial, para minimizar as taxas de resultados falso positivos, indica-se a realização do exame de imagem na segunda fase do ciclo menstrual.
EA histeroscopia com biópsia guiada é o padrão-ouro no diagnóstico de pólipos endometriais.
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GabaritoE — A histeroscopia com biópsia guiada é o padrão-ouro no diagnóstico de pólipos endometriais.
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Sangramento Uterino Anormal (SUA): classificação PALM-COEIN e diagnóstico
Gabarito: letra E. A histeroscopia com biópsia guiada é o padrão-ouro no diagnóstico dos pólipos endometriais, pois permite visualização direta da cavidade e coleta dirigida do tecido. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a classificação etiológica do SUA e sobre as características dos pólipos.
O sangramento uterino anormal (SUA) é definido como qualquer alteração no padrão menstrual normal — frequência, duração, regularidade ou volume — e é uma das queixas mais comuns em ginecologia, afetando 20 a 33% dos atendimentos. Para sistematizar as causas, a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) propôs, em 2011 (atualizado em 2018), o acrônimo PALM-COEIN, que divide as etiologias em dois grandes grupos: as estruturais (PALM) e as não estruturais (COEIN).
O grupo PALM corresponde às causas orgânicas, identificáveis por imagem ou histopatologia: Pólipo, Adenomiose, Leiomioma e Malignidade/hiperplasia. O grupo COEIN reúne as causas funcionais: Coagulopatias, disfunções Ovulatórias, disfunções Endometriais, causas Iatrogênicas e Não classificadas. Essa distinção é fundamental para a investigação e o tratamento, pois as causas estruturais geralmente exigem abordagem cirúrgica, enquanto as não estruturais respondem a tratamento clínico.
Os pólipos endometriais são crescimentos locais do endométrio, geralmente benignos, mas com potencial de malignização (risco que aumenta com idade, tamanho > 15 mm, pós-menopausa e presença de sangramento). O diagnóstico definitivo é histológico, e a histeroscopia com biópsia dirigida é o método de escolha, pois permite visualizar diretamente a lesão e coletar amostra precisa, superando a ultrassonografia, que pode gerar falsos positivos e não fornece tecido para análise.
A investigação do SUA deve sempre considerar a idade da paciente, descartar gravidez (β-hCG) e causas orgânicas, e incluir exames como ultrassonografia transvaginal, histeroscopia e biópsia endometrial quando indicado. A classificação PALM-COEIN é a ferramenta central para guiar essa investigação, e é exatamente sobre ela que as alternativas desta questão se debruçam — vamos analisar cada uma.
SUA (PALM-COEIN)
1Estruturais (PALM)
Pólipo
Adenomiose
Leiomioma
Malignidade/hiperplasia
2Não estruturais (COEIN)
Coagulopatia
Ovulatória
Endometrial
Iatrogênica
Não classificada
3Pólipo endometrial
Maioria benigna
Malignização rara (1–5%)
Diagnóstico
Padrão-ouro: histeroscopia + biópsia
USG: 1ª fase do ciclo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que as causas anatômicas incluem coagulopatias, distúrbios ovulatórios, iatrogênicos e endometriais. Isso está errado porque mistura os dois grupos da classificação PALM-COEIN: coagulopatias (C), disfunções ovulatórias (O), causas endometriais (E) e iatrogênicas (I) são causas não estruturais (COEIN), não anatômicas. As causas anatômicas (estruturais) são pólipo, adenomiose, leiomioma e malignidade/hiperplasia (PALM). A banca trocou os grupos, e o candidato que não domina o acrônimo pode cair na armadilha.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que istmocele e malformações arteriovenosas não são causas de SUA. Isso é falso: ambas são causas reconhecidas de sangramento uterino anormal. A istmocele é uma falha de cicatrização após cesariana, que pode causar sangramento pós-menstrual; as malformações arteriovenosas uterinas são comunicações anômalas entre artérias e veias, que podem provocar sangramento intenso e recorrente. A alternativa nega a existência dessas causas, contrariando a literatura.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que a maioria dos pólipos endometriais tem transformação maligna. Isso é incorreto: a grande maioria dos pólipos é benigna. A malignização é rara, ocorrendo em cerca de 1 a 5% dos casos, e está associada a fatores de risco como pós-menopausa, tamanho > 15 mm, idade avançada e presença de sangramento. A banca inverte a frequência: o comum é a benignidade, não a malignidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Sugere que, na investigação do pólipo endometrial, o exame de imagem deve ser realizado na segunda fase do ciclo menstrual para minimizar falsos positivos. Isso está errado: a ultrassonografia transvaginal para avaliação endometrial deve ser feita na primeira fase do ciclo (fase proliferativa, logo após a menstruação), quando o endométrio está mais fino, facilitando a visualização de lesões como pólipos. Na segunda fase (secretora), o endométrio está espessado pela ação da progesterona, o que pode mascarar ou simular pólipos, aumentando os falsos positivos. A alternativa inverte a fase correta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A histeroscopia com biópsia guiada é, de fato, o padrão-ouro no diagnóstico dos pólipos endometriais. Ela permite a visualização direta da cavidade uterina, identificação precisa do pólipo e coleta de material para exame histopatológico, que é o que confirma o diagnóstico. Esse método supera a ultrassonografia, que pode ter resultados falso-positivos ou falso-negativos, e é essencial para diferenciar pólipos de outras lesões e avaliar a necessidade de tratamento cirúrgico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os grupos da classificação PALM-COEIN e as fases do ciclo menstrual. Na alternativa A, ela mistura causas estruturais e não estruturais; na D, troca a fase proliferativa pela secretora. Para não cair, memorize o acrônimo e lembre: PALM = estruturais (pólipo, adenomiose, leiomioma, malignidade), COEIN = não estruturais (coagulopatia, ovulatória, endometrial, iatrogênica, não classificada). E na USG, a primeira fase do ciclo é a melhor para avaliar o endométrio. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪