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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu113229
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia
O câncer de mama é o tipo mais prevalente entre as mulheres no mundo, com estimativa de 3 milhões de novos casos e projeções de 1 milhão de mortes até 2.040. Sobre as recomendações para o rastreamento do câncer de mama no Brasil, pelo Colégio Brasileiro de Radiologia, pela Sociedade Brasileira de Mastologia e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, assinale a alternativa correta.
  1. AO rastreamento mamográfico bianual é recomendado para as mulheres de risco habitual, entre 40 e 64 anos de idade.
  2. BRecomenda-se ultrassom como rastreamento suplementar para mulheres de risco habitual.
  3. CRecomenda-se a tomossíntese, quando disponível, em combinação com a mamografia, mesmo em mulheres com risco populacional usual.
  4. DNão há recomendação de exame de ressonância magnética em mulheres com mamas extremamente densas.
  5. EPara as mulheres com estimativa de risco > ou igual a 20% ao longo da vida, a ressonância magnética anual deve ser considerada adjunta à mamografia a partir dos 40 anos, independentemente da idade do diagnóstico.
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GabaritoC — Recomenda-se a tomossíntese, quando disponível, em combinação com a mamografia, mesmo em mulheres com risco populacional usual.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento do câncer de mama: recomendações das sociedades brasileiras

Gabarito: letra C. A recomendação conjunta do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é a de que a tomossíntese, quando disponível, seja realizada em combinação com a mamografia, inclusive para mulheres de risco habitual — exatamente o que afirma a alternativa C. As demais alternativas distorcem as recomendações: o rastreamento bianual é para mulheres de 50 a 69 anos (não 40–64), o ultrassom não é recomendado como rastreamento suplementar de rotina para risco habitual, a ressonância magnética é recomendada em mamas extremamente densas e, para alto risco, a RM anual deve ser considerada a partir dos 30 anos (não 40), independentemente da idade do diagnóstico.

O rastreamento do câncer de mama é uma das estratégias mais estudadas em oncologia, e as diretrizes brasileiras seguem a lógica de estratificação de risco: mulheres de risco habitual, mulheres de risco intermediário e mulheres de alto risco. Para cada grupo, há um método e uma periodicidade próprios. A base dessa recomendação está na Diretriz para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil, publicada pelo INCA em 2015, que estabeleceu o rastreamento mamográfico bienal para mulheres de 50 a 69 anos. As sociedades brasileiras (CBR, SBM e Febrasgo) endossam essa faixa etária, mas acrescentam a recomendação da tomossíntese como método complementar à mamografia convencional, quando disponível, por sua maior acurácia na detecção de lesões em mamas densas.

A tomossíntese mamária (ou mamografia 3D) é uma evolução da mamografia convencional: o equipamento realiza uma varredura angular da mama e reconstrói imagens em cortes finos, reduzindo o efeito de sobreposição de tecidos — o que aumenta a sensibilidade e diminui a taxa de reconvocação por achados falso-positivos. Por isso, as diretrizes atuais recomendam sua utilização em combinação com a mamografia, mesmo em mulheres com risco populacional usual, quando o recurso está disponível. Essa é uma recomendação de "quando disponível", ou seja, não é obrigatória em todos os serviços, mas é a conduta preferencial quando o equipamento existe.

Para as mulheres de alto risco (mutação BRCA1/2, história familiar forte, radioterapia torácica prévia, entre outros), a recomendação é mais intensiva: ressonância magnética anual em adição à mamografia, iniciando aos 30 anos (ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar mais jovem, o que ocorrer primeiro). A RM tem alta sensibilidade para câncer de mama em mamas densas e em mulheres jovens, justamente onde a mamografia tem limitações. Já para as mulheres com mamas extremamente densas, a RM pode ser considerada como exame suplementar, pois a densidade mamária é um fator que reduz a sensibilidade da mamografia e aumenta o risco de câncer.

A pegadinha central desta questão é a troca de faixas etárias e de métodos entre os grupos de risco. A banca mistura as recomendações do INCA (50–69 anos, bienal) com as de outras sociedades internacionais (como ACOG, que recomenda início aos 40 anos) e com as recomendações específicas para alto risco (RM anual a partir dos 30 anos). O candidato que decora apenas uma diretriz — por exemplo, a do INCA — pode marcar a alternativa A, que parece correta à primeira vista, mas erra a faixa etária (40–64 em vez de 50–69). A chave é conhecer o tripé: risco habitual = mamografia (ou tomossíntese) bienal dos 50 aos 69; alto risco = mamografia + RM anual a partir dos 30; mamas densas = considerar exames suplementares (US ou RM).

Grupo de Risco

Método de Rastreamento

Faixa Etária

Periodicidade

Risco habitual

Mamografia (ou tomossíntese, quando disponível)

50–69 anos

Bienal

Alto risco (≥20% ao longo da vida)

Mamografia + Ressonância magnética anual

A partir dos 30 anos (ou 10 anos antes do diagnóstico do familiar mais jovem)

Anual

Mamas extremamente densas

Considerar exames suplementares (US ou RM)

1Risco habitual
Mamografia/tomossíntese bienal
50 a 69 anos
2Alto risco (≥20% vida)
Mamografia + RM anual
Início aos 30 anos
3Mamas extremamente densas
Considerar US ou RM suplementar
Rastreamento do câncer de mama
LEVELsoulevel.com.br
Rastreamento do câncer de mama: Risco habitual (Mamografia/tomossíntese bienal, 50 a 69 anos); Alto risco (≥20% vida) (Mamografia + RM anual, Início aos 30 anos); Mamas extremamente densas (Considerar US ou RM suplementar)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o rastreamento mamográfico bianual é recomendado para mulheres de risco habitual entre 40 e 64 anos. O erro está na faixa etária: a recomendação brasileira (INCA e sociedades) é para mulheres de 50 a 69 anos. A faixa de 40–49 anos é de decisão compartilhada entre médico e paciente, e não uma recomendação universal de rastreamento bianual. A banca trocou a faixa etária correta (50–69) por uma faixa que mistura as recomendações de outras diretrizes internacionais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que se recomenda ultrassom como rastreamento suplementar para mulheres de risco habitual. Isso não é verdade: para risco habitual, a mamografia (ou tomossíntese) é o único método de rastreamento recomendado. O ultrassom é utilizado como método complementar em situações específicas — por exemplo, em mamas densas, em mulheres com prótese de silicone ou como adjuvante na avaliação de achados mamográficos — mas não como rastreamento suplementar de rotina para todas as mulheres de risco habitual. A banca confunde o uso do US como método diagnóstico complementar com seu uso no rastreamento populacional.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que se recomenda a tomossíntese, quando disponível, em combinação com a mamografia, mesmo em mulheres com risco populacional usual. Essa é a recomendação conjunta do CBR, SBM e Febrasgo: a tomossíntese (mamografia 3D) deve ser preferida quando disponível, pois aumenta a detecção de câncer e reduz a taxa de reconvocação, beneficiando inclusive as mulheres de risco habitual. O termo "quando disponível" é crucial — a recomendação não é obrigatória em todos os serviços, mas é a conduta preferencial quando o equipamento existe.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que não há recomendação de exame de ressonância magnética em mulheres com mamas extremamente densas. Isso é falso: a RM é justamente recomendada como exame suplementar em mulheres com mamas extremamente densas, pois a densidade mamária reduz a sensibilidade da mamografia e aumenta o risco de câncer. A RM tem alta sensibilidade nesse grupo, sendo uma ferramenta valiosa para detecção precoce. A banca inverte a recomendação: em vez de "não há recomendação", o correto é "há recomendação de considerar a RM como exame suplementar".

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que, para mulheres com risco ≥ 20% ao longo da vida, a ressonância magnética anual deve ser considerada adjunta à mamografia a partir dos 40 anos, independentemente da idade do diagnóstico. O erro está na idade de início: a recomendação é iniciar a RM anual a partir dos 30 anos (ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do familiar mais jovem, o que ocorrer primeiro), e não aos 40 anos. Além disso, a RM é recomendada como adjunta à mamografia, mas o início aos 40 anos está incorreto — a banca trocou a idade de início do rastreamento intensivo.

Gabarito: letra C — a única alternativa que reflete corretamente a recomendação das sociedades brasileiras sobre o uso da tomossíntese em combinação com a mamografia para mulheres de risco habitual.

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