Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu113230
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia
Estima-se que a incidência de hiperplasia endometrial seja de, aproximadamente, três vezes a de câncer endometrial. A relevância do conhecimento dessa doença reside na associação do risco de progressão para o câncer de endométrio.No que se refere a essas entidades nosológicas, assinale a alternativa correta.
AObesidade e síndrome dos ovários policísticos proporcionam estados de hipoestrogenismo, aumentando o risco de hiperplasia endometrial.
BPerimenopausa cursa com níveis baixos de hormônio folículo estimulante (FSH), o que pode causar a hiperplasia endometrial.
CDos cânceres de endométrio, cerca de 80% dos casos são diagnosticados em estágio I, com taxa de sobrevida em 5 anos de cerca de 95%.
DO principal fator de risco para câncer de endométrio é a exposição prolongada à progesterona.
ENas pacientes na pós-menopausa, em uso de terapia hormonal, assintomáticas, o limite superior da linha endometrial é de 4 mm.
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GabaritoC — Dos cânceres de endométrio, cerca de 80% dos casos são diagnosticados em estágio I, com taxa de sobrevida em 5 anos de cerca de 95%.
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Hiperplasia e Câncer de Endométrio
Gabarito: letra C. A alternativa correta afirma que cerca de 80% dos cânceres de endométrio são diagnosticados em estágio I, com sobrevida em 5 anos de aproximadamente 95% — dado epidemiológico clássico e amplamente aceito. As demais alternativas contêm erros conceituais: obesidade e SOP causam hiperestrogenismo (não hipoestrogenismo), a perimenopausa cursa com FSH elevado, o principal fator de risco é a exposição ao estrogênio sem oposição (não à progesterona), e o limite endometrial na pós-menopausa assintomática em uso de TH é de 5 mm (não 4 mm).
A hiperplasia endometrial é uma proliferação glandular do endométrio, geralmente decorrente de estímulo estrogênico prolongado sem a oposição adequada da progesterona. Esse desequilíbrio hormonal é a base fisiopatológica da doença: o estrogênio estimula a proliferação das glândulas endometriais, enquanto a progesterona, produzida na fase lútea do ciclo, promove a diferenciação e a descamação. Quando há anovulação crônica, obesidade (que aumenta a conversão periférica de androgênios em estrogênio pela aromatase nos adipócitos), síndrome dos ovários policísticos ou uso de estrogênio sem progestagênio, o endométrio fica exposto a um estímulo estrogênico contínuo, levando à hiperplasia. A relevância clínica está no risco de progressão para carcinoma endometrial, especialmente nas hiperplasias com atipia.
O câncer de endométrio é o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos. Divide-se em dois tipos principais: o tipo I, estrogênio-dependente, geralmente endometrioide, de baixo grau e bom prognóstico; e o tipo II, não relacionado ao estrogênio, que inclui os subtipos seroso, de células claras e carcinossarcoma, de pior prognóstico. O tipo I está associado a fatores de risco como obesidade, nuliparidade, menopausa tardia, diabetes e uso de estrogênio sem oposição. O diagnóstico precoce é favorecido pelo fato de o sangramento uterino anormal ser a manifestação mais comum, levando a paciente a procurar atendimento médico. Por isso, a maioria dos casos é diagnosticada em estágio inicial, com excelente sobrevida.
Na prática clínica, a ultrassonografia transvaginal é o método de escolha para investigação de sangramento pós-menopausa, utilizando o ponto de corte de 5 mm para espessura endometrial. Em mulheres assintomáticas em uso de terapia hormonal, o mesmo limite de 5 mm é utilizado como referência para indicar investigação adicional. A conduta diante de uma hiperplasia sem atipia é geralmente clínica, com progestágenos; já a hiperplasia com atipia tem maior risco de progressão para câncer e frequentemente é tratada com histerectomia.
A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos hormonais: a banca troca o estrogênio pela progesterona como fator de risco, e o hipoestrogenismo pelo hiperestrogenismo. O candidato que domina a fisiopatologia — estrogênio estimula, progesterona protege — elimina rapidamente as alternativas A, B e D. A alternativa E exige conhecimento do ponto de corte ultrassonográfico, que é de 5 mm, não 4 mm. A alternativa C, por sua vez, traz um dado epidemiológico de prognóstico que é amplamente aceito e não apresenta controvérsia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter os hormônios e os estados hormonais. Aqui, ela troca o estrogênio pela progesterona como fator de risco (alternativa D) e o hiperestrogenismo pelo hipoestrogenismo (alternativa A). Lembre-se: estrogênio sem oposição estimula o endométrio; progesterona protege. Com esse princípio, você elimina três alternativas de uma vez.
Hiperplasia endometrial
1Fisiopatologia
Estrogênio sem oposição
Progesterona protege
2Fatores de risco
Obesidade (aromatase)
SOP (anovulação)
Estrogênio sem progestagênio
3Conduta
Sem atipia → progestágenos
Com atipia → histerectomia
4Câncer de endométrio
Tipo I (estrogênio-dependente)
Endometrioide, bom prognóstico
Tipo II (não estrogênio)
Seroso, células claras, pior prognóstico
Diagnóstico precoce
Sangramento uterino anormal
80% em estágio I, sobrevida ~95%
USG transvaginal
Limite: 5 mm
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que obesidade e síndrome dos ovários policísticos proporcionam estados de hipoestrogenismo, aumentando o risco de hiperplasia. O erro está na inversão: essas condições cursam com hiperestrogenismo relativo. Na obesidade, a aromatase presente no tecido adiposo converte androgênios em estrogênio, elevando os níveis circulantes. Na SOP, a anovulação crônica leva à ausência de progesterona, deixando o endométrio exposto ao estrogênio sem oposição. Portanto, o estado é de hiperestrogenismo, não hipoestrogenismo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a perimenopausa cursa com níveis baixos de FSH, o que causaria hiperplasia. O erro é duplo: na perimenopausa, há declínio da função ovariana com elevação do FSH (por feedback positivo, já que os níveis de estradiol e inibina diminuem). Além disso, a hiperplasia não é causada por FSH, mas sim pelo estímulo estrogênico sem oposição da progesterona. O FSH elevado é consequência da falência ovariana, não causa de hiperplasia.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que cerca de 80% dos cânceres de endométrio são diagnosticados em estágio I, com sobrevida em 5 anos de aproximadamente 95%. Este dado é consistente com a literatura: o sangramento uterino anormal, sintoma precoce, leva ao diagnóstico em fase inicial na maioria dos casos. O câncer de endométrio tipo I, restrito ao útero, tem excelente prognóstico, com sobrevida em 5 anos em torno de 95% para doença em estágio I. A alternativa está correta e reflete a realidade epidemiológica da doença.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o principal fator de risco para câncer de endométrio é a exposição prolongada à progesterona. O erro é a inversão hormonal: o principal fator de risco é a exposição prolongada ao estrogênio sem oposição da progesterona. A progesterona, na verdade, é protetora, pois promove a diferenciação e a descamação do endométrio, prevenindo a hiperplasia e o câncer. O uso de anticoncepcionais orais combinados, que contêm progesterona, reduz o risco de câncer endometrial em até 50%.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que, em pacientes na pós-menopausa assintomáticas em uso de terapia hormonal, o limite superior da linha endometrial é de 4 mm. O ponto de corte estabelecido é de 5 mm para espessura endometrial, tanto em mulheres com sangramento pós-menopausa quanto em assintomáticas em uso de TH. O valor de 4 mm não corresponde a nenhum limite consagrado na literatura; o correto é 5 mm.