Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu113231
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia
Mulher de 52 anos vem à consulta ginecológica queixando-se de calorões noturnos, irritabilidade, falha de memória. Refere ciclos menstruais irregulares nos últimos 6 meses. Trouxe os seguintes exames laboratoriais: FSH: 50; LH: 42; estradiol: < 0,5. Exames de imagem: ultrassom transvaginal e mamografia sem alterações. Refere hipercolesterolemia e IMC 30 kg/m² . Sem outras comorbidades.Assinale a alternativa que representa o tratamento mais adequado para o caso citado.
AEstrogênio via vaginal.
BEstrogênio via transdérmica.
CEstrogênio via oral + progesterona via oral.
DEstrogênio transdérmico + progesterona via oral.
EProgesterona via oral.
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GabaritoD — Estrogênio transdérmico + progesterona via oral.
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Climatério e Terapia Hormonal na Menopausa
Gabarito: letra D. A paciente apresenta quadro clássico de transição menopausal com sintomas vasomotores (calorões noturnos), alterações de humor e memória, associado a FSH elevado (50) e estradiol baixo (<0,5), caracterizando falência gonádica. O tratamento mais adequado é a terapia hormonal combinada: estrogênio transdérmico + progesterona via oral, pois a via transdérmica é preferível em paciente com hipercolesterolemia e obesidade (IMC 30), e a progesterona é obrigatória para proteção endometrial em mulher com útero presente.
A terapia hormonal da menopausa (THM) é indicada para alívio de sintomas vasomotores moderados a graves, como os calorões noturnos e a irritabilidade relatados. O diagnóstico de transição menopausal é clínico, mas os exames laboratoriais confirmam o hipoestrogenismo: FSH elevado (>40 mUI/mL) e estradiol baixo. A paciente tem útero (não há menção de histerectomia), portanto, se for utilizado estrogênio sistêmico, é obrigatória a associação com progesterona para prevenir hiperplasia endometrial e câncer de endométrio.
A escolha da via de administração do estrogênio é crucial. A via transdérmica (adesivo ou gel) evita o efeito de primeira passagem hepática, reduzindo o risco de eventos tromboembólicos e de elevação de triglicerídeos, sendo preferível em pacientes com dislipidemia, obesidade, hipertensão ou risco cardiovascular. A via oral, embora eficaz, aumenta a produção hepática de fatores de coagulação e de triglicerídeos, o que é desfavorável nesta paciente com hipercolesterolemia e IMC 30. A via vaginal é utilizada principalmente para sintomas urogenitais (atrofia vaginal, dispareunia), não sendo eficaz para sintomas vasomotores sistêmicos.
A progesterona (ou progestágeno) é o componente que protege o endométrio. Em mulheres com útero, a THM deve ser combinada (estrogênio + progesterona). A progesterona micronizada via oral é frequentemente preferida por ter menor impacto metabólico e melhor perfil de segurança em relação aos progestágenos sintéticos. A via oral é a mais comum para a progesterona, embora existam opções vaginais.
A pegadinha desta questão está em dois pontos: (1) a necessidade de associar progesterona ao estrogênio em mulher com útero — as alternativas A e B, que trazem apenas estrogênio, são incorretas; (2) a via de administração do estrogênio — a via transdérmica é preferível à oral nesta paciente com perfil de risco cardiovascular (hipercolesterolemia e obesidade). A alternativa C (estrogênio oral + progesterona oral) é uma opção válida, mas não é a mais adequada, pois a via oral do estrogênio é menos favorável que a transdérmica neste contexto. A alternativa D combina as duas escolhas corretas: estrogênio transdérmico (evita primeira passagem hepática) + progesterona oral (proteção endometrial).
Guarde o critério decisivo: em mulher com útero, THM sistêmica exige progesterona; e, em paciente com risco cardiovascular (obesidade, dislipidemia), a via transdérmica do estrogênio é a preferida. É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Terapia hormonal na menopausa
1Estrogênio
Via transdérmica
Evita 1ª passagem hepática
Preferível em risco cardiovascular
Via oral
Aumenta risco tromboembólico
Eleva triglicerídeos
Via vaginal
Só sintomas urogenitais
Não trata fogachos
2Progesterona
Obrigatória se útero presente
Protege endométrio
Via oral (preferida)
3Critério decisivo
Útero presente → estrogênio + progesterona
Risco cardiovascular → estrogênio transdérmico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Estrogênio via vaginal é indicado para sintomas urogenitais (atrofia vaginal, secura, dispareunia), não para sintomas vasomotores sistêmicos como calorões. Além disso, não há progesterona associada, o que seria necessário em mulher com útero. A via vaginal tem absorção sistêmica mínima e não trata os fogachos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Estrogênio via transdérmica é uma boa escolha de via, mas falta a progesterona. Em mulher com útero, o estrogênio isolado aumenta o risco de hiperplasia endometrial e câncer de endométrio. A associação com progesterona é obrigatória.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Estrogênio oral + progesterona oral é uma combinação válida, mas a via oral do estrogênio é menos adequada nesta paciente com hipercolesterolemia e obesidade. A via oral aumenta o risco de eventos tromboembólicos e eleva triglicerídeos, sendo preferível a via transdérmica. A alternativa D é superior por usar estrogênio transdérmico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Estrogênio transdérmico + progesterona oral é a combinação ideal: a via transdérmica evita o efeito de primeira passagem hepática, reduzindo riscos cardiovasculares e metabólicos (importante na paciente com hipercolesterolemia e IMC 30); a progesterona oral protege o endométrio, obrigatória em mulher com útero. Essa é a conduta mais adequada para o caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Progesterona via oral isolada não trata os sintomas vasomotores (calorões), que são decorrentes do hipoestrogenismo. A progesterona isolada não repõe o estrogênio deficiente e não alivia os fogachos. Além disso, não é a terapia padrão para sintomas da menopausa.