Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
- Código
- vu113236
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia/Planejamento Familiar
- Aendométrio.
- Btrompa.
- Covário.
- Dbexiga.
- Eintestino
GabaritoC — ovário.
Gabarito: letra C. A endometriose, doença ginecológica crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, está associada a um risco aumentado de câncer de ovário, sendo essa a complicação neoplásica mais reconhecida e estudada na literatura médica. As demais alternativas (endométrio, trompa, bexiga e intestino) não apresentam a mesma associação epidemiológica consistente com a endometriose.
A endometriose é definida pelo desenvolvimento e crescimento de estroma e glândulas endometriais fora da cavidade uterina, resultando em uma reação inflamatória crônica. As localizações mais comumente envolvidas são os ovários, fundo de saco posterior e anterior, folheto posterior do ligamento largo, ligamentos uterossacros, útero, tubas uterinas, cólon sigmoide, apêndice e ligamentos redondos. Essa doença afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva, podendo chegar a 30-60% em mulheres inférteis.
A associação entre endometriose e câncer de ovário é um tema de grande relevância clínica. Estudos epidemiológicos demonstram que mulheres com endometriose apresentam um risco aumentado de desenvolver tumores ovarianos, especialmente os tipos endometrioide e de células claras. Essa associação é explicada por mecanismos fisiopatológicos que envolvem inflamação crônica, estresse oxidativo e ambiente hormonal alterado no microambiente pélvico. O ovário é o sítio mais frequentemente acometido por endometriomas, que são cistos ovarianos formados por tecido endometrial ectópico, e é exatamente nesse órgão que a transformação maligna é mais documentada.
É importante destacar que, embora a endometriose possa acometer outros órgãos pélvicos como trompas, bexiga e intestino, a associação com malignidade é significativamente mais forte e consistente para o ovário. O câncer de endométrio, por sua vez, tem como principais fatores de risco o hiperestrogenismo, obesidade e síndrome de Lynch, não estando diretamente relacionado à endometriose como fator causal primário.
A compreensão dessa associação é fundamental na prática clínica, pois orienta o seguimento de pacientes com endometriose, especialmente aquelas com endometriomas ovarianos, que devem ser monitoradas quanto ao risco de neoplasia ovariana. A distinção entre os sítios de acometimento da endometriose e os locais de maior risco de transformação maligna é o critério que separa as alternativas corretas das incorretas.
O câncer de endométrio está associado principalmente ao hiperestrogenismo sem oposição de progesterona, obesidade, síndrome de Lynch e uso de tamoxifeno. A endometriose, apesar de ser tecido endometrial ectópico, não é um fator de risco estabelecido para o câncer do endométrio propriamente dito. A confusão pode surgir pelo fato de ambos envolverem o endométrio, mas os mecanismos fisiopatológicos e os fatores de risco são distintos.
O câncer de trompa (carcinoma de tuba uterina) é uma neoplasia rara, e não há associação epidemiológica consistente entre endometriose e aumento do risco desse tipo de tumor. Embora a endometriose possa acometer as tubas uterinas, a transformação maligna nesse sítio é extremamente rara e não representa uma complicação relevante da doença.
A associação entre endometriose e câncer de ovário é a mais bem estabelecida na literatura. Estudos demonstram risco aumentado de tumores ovarianos, particularmente os tipos endometrioide e de células claras, em mulheres com endometriose. Os endometriomas ovarianos são os principais sítios de transformação maligna, e a inflamação crônica local é o mecanismo fisiopatológico mais aceito para essa associação.
O câncer de bexiga não apresenta associação epidemiológica relevante com endometriose. Embora a endometriose possa acometer o trato urinário em casos raros, a transformação maligna nesse sítio é excepcional e não constitui uma complicação reconhecida da doença.
O câncer de intestino não está associado à endometriose como complicação neoplásica. A endometriose intestinal pode causar sintomas como dor e sangramento, mas a degeneração maligna nesse local é extremamente rara, não havendo evidência consistente de aumento do risco de câncer colorretal em mulheres com endometriose.
A banca explora a confusão entre os locais onde a endometriose pode se implantar (ovários, trompas, bexiga, intestino) e o local onde há risco comprovado de transformação maligna. O candidato pode ser induzido a escolher qualquer um dos sítios de acometimento, mas apenas o ovário tem associação robusta com câncer. Lembre-se: endometriose → câncer de ovário é a associação clássica cobrada em provas.
Para questões sobre complicações da endometriose, foque nas associações mais documentadas: câncer de ovário (especialmente tipos endometrioide e de células claras) e infertilidade. As demais localizações, embora possam ser acometidas pela doença, não apresentam risco neoplásico significativo. Essa é uma distinção que cai com frequência em provas de ginecologia.
Gabarito: letra C
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