Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu113241
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia/Planejamento Familiar
Assinale a alternativa correta a respeito dos esquemas terapêuticos utilizados para a reposição hormonal no climatério.
AA terapêutica com progestagênio isolado em doses adequadas é indicada para mulheres histerectomizadas.
BOs progestagênios em doses habituais utilizados por via oral ou transdérmica por meio de adesivos ou gel são efetivos para proteção endometrial em mulheres não histerectomizadas submetidas à estrogenioterapia sistêmica.
CA terapêutica com estronêgio vaginal em gel requer o uso concomitante de progestagênio em mulheres não histerectomizadas.
DO sistema intrauterino de levonorgestrel na dose de 52 mg é efetivo na proteção endometrial em mulheres na pós-menopausa que utilizam estrogênios.
EA comunicação e a explicação de riscos relacionados à terapêutica hormonal é mais efetivamente compreendida quando eles são apresentados sob a forma de riscos relativos.
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GabaritoD — O sistema intrauterino de levonorgestrel na dose de 52 mg é efetivo na proteção endometrial em mulheres na pós-menopausa que utilizam estrogênios.
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Terapia hormonal no climatério: esquemas e proteção endometrial
Gabarito: letra D. O sistema intrauterino (SIU) de levonorgestrel na dose de 52 mg é reconhecidamente efetivo na proteção endometrial em mulheres na pós-menopausa que utilizam estrogênios, sendo uma alternativa ao progestagênio sistêmico. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre as indicações e os esquemas da terapia hormonal (TH).
A terapia hormonal (TH) no climatério tem como objetivo principal o alívio dos sintomas vasomotores moderados a graves, além da prevenção da perda de massa óssea e do tratamento da síndrome geniturinária da menopausa. A grande questão prática — e o ponto central desta questão — é a necessidade de proteção endometrial quando a mulher não é histerectomizada. O estrogênio, usado isoladamente, estimula a proliferação endometrial, aumentando o risco de hiperplasia e câncer de endométrio. Por isso, em mulheres com útero, é obrigatória a associação de um progestagênio, que antagoniza esse efeito proliferativo. Essa associação pode ser feita por via oral, transdérmica ou por meio do sistema intrauterino de levonorgestrel (SIU-LNG), que libera o hormônio diretamente na cavidade uterina, promovendo atrofia endometrial e, consequentemente, proteção local.
Na mulher histerectomizada, a situação é diferente: como não há endométrio, o uso de progestagênio não traz benefícios adicionais, e a estrogenioterapia isolada é a conduta adequada. Essa distinção — mulher com útero (precisa de progestagênio) versus mulher sem útero (não precisa) — é o eixo que separa as alternativas corretas das incorretas.
A via de administração também influencia a escolha. A via oral é a mais conhecida, mas sofre efeito de primeira passagem hepática. A via transdérmica (adesivos ou gel) evita esse efeito e é preferida em casos de hipertensão arterial ou história de fenômenos tromboembólicos. A via vaginal é reservada principalmente para sintomas urogenitais isolados, como atrofia vaginal e dispaurenia, e, nesses casos, o estrogênio em baixa dose tem absorção sistêmica mínima, não exigindo progestagênio para proteção endometrial.
A comunicação de riscos é outro aspecto importante na prática clínica. Estudos mostram que os pacientes compreendem melhor os riscos quando eles são apresentados em termos de risco absoluto (ex.: "2 em cada 1.000 mulheres") do que em termos de risco relativo (ex.: "aumento de 50% no risco"), que tende a superestimar a magnitude do efeito. Essa é uma pegadinha clássica em questões sobre aconselhamento e tomada de decisão compartilhada.
Guarde a fronteira decisiva: mulher com útero + estrogênio = progestagênio obrigatório (seja oral, transdérmico ou SIU-LNG); mulher sem útero = estrogênio isolado. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Esquema Terapêutico
Indicação / Situação
Proteção Endometrial
Via de Administração
Estrogênio isolado
Mulher histerectomizada
Não necessária (sem endométrio)
Oral ou transdérmica
Estrogênio + progestagênio
Mulher não histerectomizada
Obrigatória
Oral (progestagênio eficaz)
Estrogênio + SIU-LNG 52 mg
Mulher não histerectomizada
Eficaz (atrofia endometrial)
Intrauterina
Estrogênio vaginal em baixa dose
Sintomas urogenitais isolados
Não necessária (absorção sistêmica mínima)
Vaginal
Progestagênio transdérmico (adesivo/gel)
Mulher não histerectomizada
Ineficaz (concentração endometrial insuficiente)
Transdérmica
Terapia hormonal no climatério
1Mulher com útero
Estrogênio sistêmico
Progestagênio oral
SIU-LNG 52 mg
Progestagênio transdérmico
Estrogênio vaginal baixa dose
Não exige progestagênio
2Mulher histerectomizada
Estrogênio isolado
Progestagênio desnecessário
3Comunicação de riscos
Risco absoluto
Risco relativo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o progestagênio isolado é indicado para mulheres histerectomizadas. Isso está invertido: na mulher histerectomizada, o progestagênio não traz vantagens, pois não há endométrio a ser protegido. A conduta correta é a estrogenioterapia isolada. O progestagênio isolado é utilizado em outras situações, como no tratamento de irregularidade menstrual na perimenopausa, mas não como esquema de reposição hormonal para histerectomizadas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os progestagênios em doses habituais por via oral ou transdérmica (adesivos ou gel) são efetivos para proteção endometrial. O erro está na via transdérmica: os progestagênios administrados por via transdérmica (adesivos ou gel) não atingem concentrações teciduais suficientes no endométrio para garantir proteção adequada. A proteção endometrial com progestagênio é eficaz por via oral ou por via intrauterina (SIU-LNG), mas não por via transdérmica. Essa é uma distinção importante que a banca explora.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o estrogênio vaginal em gel requer o uso concomitante de progestagênio em mulheres não histerectomizadas. Isso é falso: o estrogênio vaginal em baixa dose (como estriol ou promestrieno) tem absorção sistêmica mínima e é usado para tratar sintomas urogenitais isolados. Nesses casos, não há necessidade de progestagênio, pois o efeito sobre o endométrio é desprezível. A necessidade de progestagênio existe quando o estrogênio é usado por via sistêmica (oral ou transdérmica) em doses que estimulam o endométrio.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O sistema intrauterino de levonorgestrel (SIU-LNG) na dose de 52 mg é uma opção eficaz para proteção endometrial em mulheres na pós-menopausa que utilizam estrogênios sistêmicos. O SIU-LNG libera levonorgestrel diretamente na cavidade uterina, promovendo atrofia do endométrio e prevenindo a hiperplasia. Essa é uma alternativa especialmente útil para mulheres que não toleram os efeitos sistêmicos dos progestagênios orais. A dose de 52 mg é a dose do dispositivo Mirena, que tem duração de até 5 anos. A alternativa está correta e reflete a prática clínica atual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a comunicação de riscos é mais efetiva quando apresentada sob a forma de riscos relativos. Isso está invertido: a literatura mostra que os pacientes compreendem melhor os riscos quando apresentados em termos de risco absoluto (ex.: "2 em cada 1.000 mulheres") do que em termos de risco relativo (ex.: "aumento de 50%"), que tende a superestimar a magnitude do efeito. A comunicação em risco absoluto é mais transparente e facilita a tomada de decisão compartilhada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as vias de administração e as indicações da TH. A pegadinha mais sutil está na alternativa B: muitos candidatos sabem que o progestagênio é necessário, mas não sabem que a via transdérmica não é eficaz para proteção endometrial. Outra pegadinha é a inversão na alternativa E, trocando risco absoluto por relativo. Fique atento a essas inversões clássicas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de TH no climatério, monte um esquema mental: mulher com útero + estrogênio sistêmico = progestagênio obrigatório (oral ou SIU-LNG, nunca transdérmico); mulher sem útero = estrogênio isolado; estrogênio vaginal em baixa dose = não precisa de progestagênio. Essa tríade resolve a maioria das questões sobre o tema.