Assistência pré-natal: rotina de exames e condutas
Gabarito: letra E. O teste oral de tolerância à glicose (TOTG) deve ser realizado em todas as gestantes com glicemia de jejum < 92 mg/dL, com exceção daquelas que realizaram cirurgia bariátrica, conforme as recomendações do Ministério da Saúde e da OMS para o rastreamento de diabetes gestacional. As demais alternativas apresentam erros quanto ao número mínimo de consultas, à idade gestacional para ausculta dos BCFs, à repetição da sorologia para rubéola e à conduta na toxoplasmose com IgG positivo.
A assistência pré-natal é um conjunto de medidas que visa garantir uma gestação saudável, com identificação precoce de riscos e intervenções oportunas. O Ministério da Saúde preconiza um número mínimo de consultas, a realização de exames laboratoriais em momentos específicos e a adoção de condutas baseadas em evidências. A tabela a seguir resume os principais componentes e o momento de cada intervenção:
Procedimento | 1º trimestre (até 16 sem) | 2º trimestre (24-28 sem) | 3º trimestre (32 sem) | 3º trimestre (36 sem) |
|---|
Acolhimento e educação | X | X | X | X |
Avaliação clínica | X | | | |
Peso/altura (IMC) | X | | | |
Pressão arterial | X | X | X | X |
Avaliação obstétrica (IG, AU, BCFs) | X | X | X | X |
Exame ginecológico | X | | | |
Hb/anemia | X | X | | |
Grupo sanguíneo e fator Rh | X | | | |
Coombs indireto (se Rh-) | X | X | X | |
Exame comum de urina | X | X | | |
TR ou sorologias HIV, sífilis | X | X | | |
TR ou HBsAg | X | | | |
TR ou anti-HCV | X | | | |
Toxoplasmose | X | X | X | |
Glicemia de jejum | X | | | |
TOTG (se glicemia < 92 mg/dL) | | X | | |
A primeira consulta deve ocorrer o mais cedo possível, ainda no 1º trimestre, idealmente até a 10ª semana. O acompanhamento deve incluir no mínimo 8 consultas, podendo ser intercaladas entre médico e enfermeiro. A ausculta dos batimentos cardiofetais (BCFs) com detector fetal portátil (sonar) geralmente é possível a partir de 10-12 semanas, sendo mais confiável após 12 semanas. A sorologia para rubéola é solicitada na primeira consulta, mas não é repetida rotineiramente no terceiro trimestre, pois a gestante já deve estar imunizada ou ter sido vacinada antes da gestação. Na toxoplasmose, a conduta para gestantes com IgG positivo e IgM negativo é considerar imunidade prévia, não sendo necessária a repetição da sorologia a cada 1-2 meses.
O rastreamento do diabetes gestacional é feito com glicemia de jejum na primeira consulta. Se o valor for < 92 mg/dL, o TOTG com 75g de glicose deve ser realizado entre 24 e 28 semanas. No entanto, gestantes com cirurgia bariátrica prévia podem ter intolerância à glicose e alterações na absorção, o que contraindica o TOTG, sendo preferível o monitoramento da glicemia capilar. Essa é a exceção prevista nas diretrizes.
A pegadinha da questão está em detalhes específicos de cada conduta. A banca explora o conhecimento de protocolos atualizados, como o número de consultas (8, não 4 ou 6), a idade gestacional para ausculta dos BCFs (10-12 semanas, não 8), a não repetição da sorologia para rubéola e a conduta na toxoplasmose com IgG positivo. A alternativa E é a única que está de acordo com as recomendações atuais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O Ministério da Saúde preconiza no mínimo 6 consultas médicas e de enfermagem intercaladas, e a OMS recomenda 8 consultas. A alternativa afirma que o mínimo é de 4 consultas, o que está desatualizado. O número de 4 consultas era a recomendação antiga da OMS, mas foi aumentado para 8 em 2016. No Brasil, o MS adota o mínimo de 6 consultas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ausculta dos batimentos cardíacos fetais com detector fetal portátil (sonar) geralmente é possível a partir de 10-12 semanas de idade gestacional, não a partir de 8 semanas. Antes disso, o coração fetal pode não ser detectado de forma confiável. A alternativa subestima a idade gestacional mínima para esse procedimento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A sorologia para rubéola deve ser realizada na primeira consulta, mas não é repetida rotineiramente no terceiro trimestre. A gestante já deve ter sido imunizada ou vacinada antes da gestação. A repetição da sorologia para rubéola não é recomendada como rotina, pois a infecção primária na gestação é rara e a vacina é contraindicada durante a gravidez.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Para gestantes com IgG positivo e IgM negativo para toxoplasmose, a conduta é considerar imunidade prévia, não sendo necessária a repetição da sorologia a cada 1-2 meses. A repetição da sorologia é indicada apenas para gestantes suscetíveis (IgG e IgM negativos), para detectar soroconversão. A alternativa inverte a conduta correta.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O teste oral de tolerância à glicose (TOTG) deve ser realizado em todas as gestantes com glicemia de jejum < 92 mg/dL, com exceção daquelas que realizaram cirurgia bariátrica. Essa exceção se deve ao fato de que, após a cirurgia bariátrica, a absorção de glicose pode estar alterada, tornando o TOTG um teste não confiável. Nesses casos, recomenda-se o monitoramento da glicemia capilar. A alternativa está correta e reflete as diretrizes atuais.
Gabarito: letra E