Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu113245
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia/Planejamento Familiar
Na primeira consulta, com 13 semanas, gestante apresenta VDRL 1/8. Nega queixas, exame clínico sem anormalidades, nega tratamento anterior.Assinale a alternativa que correspondente à conduta correta.
  1. APenicilina benzatina, 2,4 milhões de UI por semana, 3 semanas, o casal.
  2. BSolicitar um teste treponêmico.
  3. CPenicilina benzatina, 2,4 milhões de UI, em dose única, o casal.
  4. DRepetir o VDRL em 2 semanas.
  5. EAmniocentese para pesquisa fetal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Solicitar um teste treponêmico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sífilis na gestação: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra B. Diante de gestante com VDRL reagente em baixo título (1/8), assintomática e sem história de tratamento prévio, a conduta correta é solicitar um teste treponêmico para confirmar o diagnóstico de sífilis antes de instituir a terapêutica — o VDRL é um teste não treponêmico, que pode apresentar resultados falso-positivos, e a confirmação com teste treponêmico (FTA-Abs, ELISA, TPHA) é essencial para evitar tratamento desnecessário. Essa conduta está alinhada ao fluxograma de manejo da sífilis em gestantes preconizado pelo Ministério da Saúde.

O VDRL (Veneral Disease Research Laboratory) é um teste não treponêmico, que detecta anticorpos anticardiolipina produzidos em resposta à infecção. Ele é o exame de triagem inicial, mas não confirma o diagnóstico: pode apresentar resultados falso-positivos em diversas situações, como doenças autoimunes, infecções virais, vacinação recente, idade avançada e até mesmo na própria gestação. Por isso, diante de um VDRL reagente, o próximo passo é a confirmação com um teste treponêmico, que detecta anticorpos específicos contra o Treponema pallidum (como FTA-Abs, ELISA ou TPHA). Somente após a confirmação diagnóstica é que se define o tratamento.

No caso apresentado, a gestante tem 13 semanas, está assintomática e nega tratamento anterior. O VDRL 1/8 é um título baixo, que pode representar uma sífilis latente recente (com menos de um ano de evolução) ou tardia, mas também pode ser um falso-positivo. A conduta imediata não é tratar, nem repetir o exame, nem realizar amniocentese — é confirmar o diagnóstico com teste treponêmico. Essa etapa é fundamental porque o tratamento da sífilis na gestação tem implicações importantes: a penicilina benzatina é a única opção segura e eficaz, e o tratamento inadequado ou desnecessário pode levar a consequências graves, como a notificação de sífilis congênita no recém-nascido.

A importância dessa confirmação é ainda maior quando se considera que, mesmo com tratamento adequado, cerca de 14% dos casos podem evoluir para óbito fetal ou sífilis congênita. Portanto, a decisão de tratar deve ser baseada em diagnóstico confirmado, e não apenas em um teste de triagem reagente. Além disso, o tratamento deve ser instituído o quanto antes, mas sempre após a confirmação, para evitar exposição desnecessária à penicilina e para garantir que a gestante receba o esquema correto.

A banca explora exatamente essa sequência lógica: o candidato que conhece o fluxograma sabe que o VDRL reagente não é suficiente para iniciar o tratamento — é preciso confirmar com teste treponêmico. As alternativas que propõem tratamento imediato (A e C) ignoram essa etapa, enquanto as que propõem repetir o VDRL (D) ou realizar amniocentese (E) não são condutas adequadas nesse contexto. A alternativa B é a única que segue o fluxograma correto.

  1. 1VDRL reagente (triagem)
  2. 2Confirmar com teste treponêmico
  3. 3Tratar com penicilina benzatina
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Propõe penicilina benzatina 2,4 milhões de UI por semana, por 3 semanas, para o casal. Esse esquema é indicado para sífilis tardia (latente tardia ou terciária), mas, no caso, ainda não há confirmação diagnóstica — o VDRL 1/8 pode ser falso-positivo. Além disso, o tratamento deve ser instituído somente após a confirmação com teste treponêmico. A alternativa erra ao pular a etapa de confirmação diagnóstica e ao indicar um esquema de sífilis tardia sem saber a fase da doença.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Diante de VDRL reagente em gestante, o próximo passo é solicitar um teste treponêmico (FTA-Abs, ELISA ou TPHA) para confirmar o diagnóstico de sífilis. O VDRL é um teste de triagem que pode apresentar falso-positivos, especialmente na gestação. Somente após a confirmação é que se define o tratamento adequado. Essa é a conduta preconizada pelo Ministério da Saúde no manejo da sífilis em gestantes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Propõe penicilina benzatina 2,4 milhões de UI em dose única para o casal. Esse esquema é indicado para sífilis recente (primária, secundária ou latente recente), mas, novamente, a alternativa erra ao tratar sem confirmação diagnóstica. O VDRL 1/8 pode ser falso-positivo, e o tratamento só deve ser iniciado após a confirmação com teste treponêmico. Além disso, a dose única não é adequada para todas as fases da sífilis — se for latente tardia, o esquema correto seria de 3 doses semanais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Repetir o VDRL em 2 semanas não é a conduta correta. O VDRL já é reagente, e repeti-lo não confirma o diagnóstico — apenas mostraria se o título está subindo ou caindo, o que não é útil nesse momento. A conduta correta é confirmar com teste treponêmico. Repetir o VDRL seria indicado apenas para monitoramento após o tratamento, não para diagnóstico inicial.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Amniocentese para pesquisa fetal não é indicada nesse contexto. A amniocentese é um procedimento invasivo, com riscos para a gestação, e só é considerada em casos específicos, como quando há dúvida sobre infecção fetal ativa em gestantes com sífilis tratada inadequadamente ou com sinais de sífilis congênita. No caso apresentado, a gestante está assintomática, com VDRL 1/8, e a conduta inicial é confirmar o diagnóstico materno — não investigar o feto.

Gabarito: letra B — a conduta correta é solicitar um teste treponêmico para confirmar o diagnóstico de sífilis antes de iniciar o tratamento.

Link permanente: /questoes/vu113245