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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
vu113247
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia/Planejamento Familiar
Gestante de 43 anos, primigesta, com gestação de 34 semanas e 3 dias, em uso profilático de aspirina 100 mg à noite, desenvolve quadro de pré-eclâmpsia. Dentre os exames laboratoriais alterados, encontram- -se plaquetas de 116.000/mm³. Em relação ao uso da aspirina, é correto afirmar que
  1. Aseu uso deve ser mantido até 1 semana antes do parto programado.
  2. Bseu uso deve se basear no índice de pulsatilidade das artérias umbilicais.
  3. Cseu uso deve ser suspenso pelo maior risco de sangramento no parto em pacientes com trombocitopenia.
  4. Dseu uso deve ser suspenso pelo maior risco de restrição de crescimento fetal.
  5. Ea paciente não apresentava indicação para o seu uso.
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GabaritoC — seu uso deve ser suspenso pelo maior risco de sangramento no parto em pacientes com trombocitopenia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pré-eclâmpsia e uso profilático de aspirina (AAS)

Gabarito: letra C. Na gestante que desenvolve pré-eclâmpsia, a recomendação é suspender o ácido acetilsalicílico profilático, especialmente quando há trombocitopenia (plaquetas < 100.000/mm³), pelo maior risco de sangramento no parto. Essa conduta está alinhada com as diretrizes obstétricas atuais, que orientam a descontinuação do AAS após o diagnóstico de pré-eclâmpsia.

A pré-eclâmpsia é uma síndrome específica da gestação, caracterizada por hipertensão arterial e proteinúria ou disfunção de órgão-alvo após a 20ª semana. A aspirina em baixa dose (100 mg/dia) é utilizada como profilaxia em gestantes de alto risco, com início preferencial entre 12 e 16 semanas e manutenção até 36 semanas ou até o parto, conforme a conduta de cada serviço. No entanto, quando a pré-eclâmpsia se instala, o benefício da profilaxia já foi alcançado e o risco de complicações hemorrágicas maternas (especialmente em vigência de plaquetopenia) passa a superar o benefício. Por isso, a suspensão do AAS é recomendada.

A trombocitopenia é um marcador de gravidade na pré-eclâmpsia. No caso apresentado, a paciente tem 116.000 plaquetas/mm³, valor ainda acima do corte clássico de 100.000/mm³ para pré-eclâmpsia grave, mas que já indica uma tendência de queda e um risco aumentado de sangramento. A decisão de suspender a aspirina deve ser individualizada, considerando a contagem de plaquetas, a via de parto e o risco hemorrágico global. Em geral, recomenda-se a suspensão do AAS quando há trombocitopenia significativa ou quando o parto se aproxima, para reduzir o risco de sangramento.

A banca explora a confusão entre o uso profilático (prevenção) e o uso terapêutico (tratamento). A aspirina é indicada para PREVENIR a pré-eclâmpsia em gestantes de risco, mas uma vez diagnosticada a doença, a profilaxia perde o sentido e o foco passa a ser o manejo da hipertensão e das complicações, incluindo o risco hemorrágico. A alternativa C captura exatamente essa mudança de paradigma: suspender o AAS pelo risco de sangramento no parto em pacientes com trombocitopenia.

Guarde a distinção entre o papel profilático do AAS (prevenir a pré-eclâmpsia) e o manejo da doença já instalada (suspender o AAS diante de trombocitopenia). É essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.

AAS profilático na gestação
  • 1Indicação (prevenção)
    • Fatores de risco maternos
    • Início 12–16 semanas
    • Manutenção até 36 semanas/parto
  • 2Pré-eclâmpsia instalada
    • Suspender AAS
      • Risco hemorrágico materno
      • Trombocitopenia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o uso deve ser mantido até 1 semana antes do parto programado. Isso contraria a recomendação de suspender o AAS quando a pré-eclâmpsia é diagnosticada, especialmente com trombocitopenia. A manutenção até próximo ao parto aumentaria o risco de sangramento, justamente o que se busca evitar. A conduta correta é suspender o AAS após o diagnóstico de pré-eclâmpsia, não mantê-lo até a semana anterior ao parto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o uso deve se basear no índice de pulsatilidade das artérias umbilicais. O índice de pulsatilidade das artérias umbilicais é um parâmetro de avaliação do bem-estar fetal e da função placentária, utilizado no acompanhamento de gestações de risco, mas não é o critério para decidir o uso de aspirina. A indicação do AAS profilático baseia-se nos fatores de risco maternos para pré-eclâmpsia (como idade materna > 40 anos, hipertensão crônica, diabetes, etc.), não em parâmetros dopplervelocimétricos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o uso deve ser suspenso pelo maior risco de sangramento no parto em pacientes com trombocitopenia. Esta é a conduta correta. A aspirina tem efeito antiagregante plaquetário, e em pacientes com pré-eclâmpsia que desenvolvem trombocitopenia (queda das plaquetas), o risco de sangramento no parto aumenta. Suspender o AAS reduz esse risco. A recomendação de suspender o AAS após o diagnóstico de pré-eclâmpsia é respaldada pelas diretrizes obstétricas, que priorizam a segurança materna diante da plaquetopenia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o uso deve ser suspenso pelo maior risco de restrição de crescimento fetal. A restrição de crescimento fetal (RCF) é uma complicação associada à pré-eclâmpsia, mas não é o motivo para suspender a aspirina. A suspensão do AAS está relacionada ao risco hemorrágico materno, não ao risco de RCF. Além disso, a aspirina em baixa dose não é suspensa por causar RCF; pelo contrário, em alguns casos, pode até ter efeito benéfico na prevenção de RCF em gestações de alto risco.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a paciente não apresentava indicação para o uso de aspirina. Isso é falso. A paciente tem 43 anos, o que é um fator de risco moderado para pré-eclâmpsia (idade materna > 40 anos). Além disso, é primigesta, o que também é considerado um fator de risco. Portanto, a paciente tinha indicação para o uso profilático de aspirina, conforme as diretrizes que recomendam AAS 100 mg/dia para gestantes com fatores de risco.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o papel profilático do AAS (prevenir a pré-eclâmpsia) pelo manejo da doença já instalada. O candidato que sabe que a aspirina é indicada para prevenção pode marcar a alternativa E, achando que a paciente não tinha indicação, mas ela tinha (idade > 40 anos). A pegadinha está em reconhecer que, uma vez diagnosticada a pré-eclâmpsia, o AAS deve ser suspenso, especialmente com trombocitopenia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre pré-eclâmpsia, lembre-se: a aspirina é para PREVENIR, não para tratar. Quando a doença se instala, o foco é o controle da PA, a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e a avaliação do risco hemorrágico. Se houver trombocitopenia, suspenda o AAS. Essa lógica resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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