Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu113248
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia/Planejamento Familiar
A imunização na pré-concepção visa prevenir doenças no feto e na lactante. Em relação ao uso de vacinas na gestação, é correto afirmar que a
Agestante deve receber três doses da dTpa, uma em cada trimestre.
Bvacina da rubéola pode ser administrada após o primeiro trimestre.
Cvacina contra o vírus da hepatite B deve ter a sua dose administrada no primeiro trimestre da gestação.
Dvacina contra influenza deve ser administrada preferencialmente na temporada da doença.
Evacina contra o HPV deve ser evitada no primeiro e no terceiro trimestre, podendo ser administrada no segundo trimestre.
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GabaritoD — vacina contra influenza deve ser administrada preferencialmente na temporada da doença.
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Imunização na gestação: vacinas recomendadas e contraindicadas
Gabarito: letra D. A vacina contra influenza é recomendada para gestantes, preferencialmente durante a temporada da doença (sazonalidade), pois a gestante é grupo de risco para complicações da infecção pelo vírus influenza. As demais alternativas apresentam erros: a dTpa é uma dose por gestação (não três), a rubéola é contraindicada na gestação (vacina de vírus vivo atenuado), a hepatite B pode ser administrada em qualquer trimestre (não apenas no primeiro) e a vacina do HPV é contraindicada durante toda a gestação.
A imunização na gestação tem dois objetivos principais: proteger a gestante de doenças que podem ser mais graves nesse período e proteger o feto e o recém-nascido por meio da transferência passiva de anticorpos maternos (imunidade passiva natural). Por isso, algumas vacinas são ativamente recomendadas, outras são permitidas com cautela e algumas são contraindicadas. A regra de ouro é: vacinas de vírus vivos atenuados (como sarampo, rubéola, caxumba, varicela e febre amarela) são contraindicadas na gestação, pois há risco teórico de o vírus vacinal atravessar a placenta e causar doença no feto. Já as vacinas inativadas (como influenza, hepatite B, dTpa, dT) são seguras e recomendadas quando indicadas.
A vacina contra influenza é um caso especial: a gestante é considerada grupo de risco para formas graves da doença, e a vacina inativada é segura em qualquer fase da gestação. A recomendação é que seja administrada durante a sazonalidade do vírus, ou seja, na temporada da doença, para garantir proteção no período de maior circulação viral. Isso não significa que não possa ser dada em outros momentos, mas a preferência é pela temporada.
A vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto) é recomendada em todas as gestações, com uma dose a partir da 20ª semana (idealmente entre 27ª e 36ª semana), para proteger o recém-nascido contra coqueluche. Não são três doses na gestação — o esquema de três doses é o básico para quem nunca foi vacinado, mas na gestação, mesmo com esquema completo, aplica-se apenas uma dose de reforço. A vacina contra hepatite B é inativada e pode ser administrada em qualquer trimestre, seguindo o esquema de três doses (0, 1 e 6 meses). A vacina contra HPV é contraindicada na gestação, pois não há dados suficientes de segurança; se administrada inadvertidamente, não é motivo para interrupção da gravidez, mas não deve ser iniciada durante a gestação.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre vacinas de vírus vivo atenuado (contraindicadas) e vacinas inativadas (permitidas/recomendadas). A banca explora isso ao colocar a rubéola (vírus vivo) como se pudesse ser dada após o primeiro trimestre, e o HPV (também vírus vivo) como se pudesse ser dado no segundo trimestre. Guarde a fronteira: vírus vivo atenuado = contraindicado na gestação; inativado = seguro. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Vacinas na gestação
1Vírus vivo atenuado
Contraindicadas
Rubéola, sarampo, caxumba
Varicela, febre amarela, HPV
2Inativadas
Seguras e recomendadas
Influenza (qualquer trimestre)
Hepatite B (qualquer trimestre)
dTpa (1 dose por gestação)
dT (difteria e tétano)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a gestante deve receber três doses da dTpa, uma em cada trimestre. Errado: a recomendação é uma dose de dTpa por gestação, a partir da 20ª semana (idealmente entre 27ª e 36ª semana). O esquema de três doses é o básico para quem nunca foi vacinado contra difteria, tétano e coqueluche, mas na gestação, mesmo com esquema completo, aplica-se apenas uma dose de reforço. A banca troca o esquema básico (3 doses) pela conduta na gestação (1 dose).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a vacina da rubéola pode ser administrada após o primeiro trimestre. Errado: a vacina da rubéola é de vírus vivo atenuado e é contraindicada durante toda a gestação, independentemente do trimestre. O risco teórico é de infecção fetal pelo vírus vacinal. Se administrada inadvertidamente, não é indicação de aborto, mas a vacinação deve ser evitada. A banca explora a falsa ideia de que o risco se limita ao primeiro trimestre.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a vacina contra hepatite B deve ter sua dose administrada no primeiro trimestre. Errado: a vacina contra hepatite B é inativada e pode ser administrada em qualquer trimestre da gestação, seguindo o esquema de três doses (0, 1 e 6 meses). Não há restrição de trimestre. A banca cria uma restrição temporal que não existe.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a vacina contra influenza deve ser administrada preferencialmente na temporada da doença. Correto: a gestante é grupo de risco para complicações da influenza, e a vacina inativada é segura em qualquer fase da gestação. A recomendação é administrar durante a sazonalidade do vírus, ou seja, na temporada da doença, para garantir proteção no período de maior circulação. Isso está alinhado com as diretrizes do Ministério da Saúde e da SBIm.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a vacina contra o HPV deve ser evitada no primeiro e no terceiro trimestre, podendo ser administrada no segundo trimestre. Errado: a vacina contra o HPV é contraindicada durante toda a gestação, não apenas no primeiro e terceiro trimestres. A banca cria uma falsa janela de segurança no segundo trimestre. Se administrada inadvertidamente, não é motivo para alarme, mas a vacinação não deve ser iniciada durante a gravidez.
Gabarito: letra D — a vacina contra influenza é recomendada na gestação, preferencialmente na temporada da doença.