Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu113251
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Ginecologia e Obstetrícia/Planejamento Familiar
Puérpera recebe alta no segundo dia após parto cesárea sem intercorrências. Apresentou diabetes mellitus gestacional, que foi bem controlado com dieta. Seis semanas após o parto faz um teste de sobrecarga à glicose simplificado com 75 g, cujos resultados foram: jejum 98 e, duas horas após, sobrecarga 154.De acordo com os critérios da American Diabetes Association, essa paciente tem o diagnóstico de
Anormalidade.
Bintolerância à glicose.
Cdiabetes mellitus gestacional.
Ddiabetes mellitus tipo 2.
Ediabetes mellitus overt.
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GabaritoB — intolerância à glicose.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Diabetes mellitus gestacional: diagnóstico no pós-parto
Gabarito: letra B. A paciente apresenta glicemia de jejum de 98 mg/dL (normal) e glicemia de 2 horas após sobrecarga de 75 g de 154 mg/dL, valor que se enquadra no critério de tolerância à glicose diminuída (pré-diabetes) segundo a American Diabetes Association (ADA), que define essa condição para glicemia de 2 horas entre 140 e 199 mg/dL. Como o teste foi realizado seis semanas após o parto, não se aplica o diagnóstico de diabetes mellitus gestacional, e os valores não atingem o limiar para diabetes mellitus (jejum ≥ 126 mg/dL ou 2h ≥ 200 mg/dL).
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é definido como a intolerância à glicose com início ou primeiro reconhecimento durante a gestação. Os critérios diagnósticos durante a gravidez, segundo a ADA/IADPSG, são: glicemia de jejum ≥ 92 mg/dL, glicemia de 1 hora ≥ 180 mg/dL ou glicemia de 2 horas ≥ 153 mg/dL após sobrecarga de 75 g de glicose. No entanto, após o parto, a paciente deve ser reavaliada para verificar se a alteração glicêmica persistiu ou se houve remissão. Essa reavaliação é feita idealmente entre 4 e 12 semanas após o parto, utilizando os mesmos critérios diagnósticos aplicados para adultos fora da gestação.
No caso apresentado, a paciente teve DMG bem controlado com dieta durante a gestação. Seis semanas após o parto, realizou o teste de sobrecarga com 75 g de glicose, obtendo jejum de 98 mg/dL e 2 horas de 154 mg/dL. Aplicando os critérios da ADA para adultos não gestantes:
Condição
Glicemia de jejum
Glicemia 2h pós-sobrecarga
Normal
< 100 mg/dL
< 140 mg/dL
Pré-diabetes (tolerância à glicose diminuída)
100–125 mg/dL
140–199 mg/dL
Diabetes mellitus
≥ 126 mg/dL
≥ 200 mg/dL
O jejum de 98 mg/dL é normal (< 100 mg/dL), mas a glicemia de 2 horas de 154 mg/dL está na faixa de 140–199 mg/dL, caracterizando tolerância à glicose diminuída, que é uma das formas de pré-diabetes. Esse diagnóstico indica um risco aumentado de progressão para diabetes mellitus tipo 2 no futuro, sendo fundamental a orientação para mudanças no estilo de vida e acompanhamento periódico.
A distinção crucial é que o diagnóstico de DMG só se aplica durante a gestação. Após o parto, a paciente é reclassificada com base nos critérios de diabetes fora da gestação. Se os valores pós-parto fossem compatíveis com diabetes (jejum ≥ 126 mg/dL ou 2h ≥ 200 mg/dL), o diagnóstico seria de diabetes mellitus (provavelmente tipo 2, dado o contexto de DMG prévio). Como os valores estão em faixa intermediária, o diagnóstico é de pré-diabetes, especificamente tolerância à glicose diminuída.
A pegadinha desta questão está em aplicar os critérios de DMG (que seriam: jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153) ao teste realizado no pós-parto. Se o aluno aplicasse esses critérios, o valor de 154 mg/dL na 2h seria diagnóstico de DMG (≥ 153), mas isso seria um erro, pois o teste foi feito após o parto, quando os critérios de DMG não se aplicam mais. A banca explora exatamente essa confusão entre os critérios da gestação e os critérios fora da gestação.
Guarde a fronteira: durante a gestação, usa-se os critérios de DMG (jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153); após o parto, usa-se os critérios de diabetes e pré-diabetes para adultos (jejum ≥ 126, 2h ≥ 200 para diabetes; jejum 100–125, 2h 140–199 para pré-diabetes). É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A paciente não é normal, pois a glicemia de 2 horas de 154 mg/dL está acima do limite de normalidade (< 140 mg/dL). Embora o jejum esteja normal (98 mg/dL), o valor pós-sobrecarga indica uma alteração no metabolismo da glicose, caracterizando pré-diabetes.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A glicemia de 2 horas de 154 mg/dL se enquadra no critério de tolerância à glicose diminuída (140–199 mg/dL) segundo a ADA. Como o teste foi realizado no pós-parto, aplicam-se os critérios para adultos não gestantes, e o valor de 154 mg/dL caracteriza pré-diabetes, especificamente tolerância à glicose diminuída.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O diagnóstico de diabetes mellitus gestacional só se aplica durante a gestação. Como o teste foi realizado seis semanas após o parto, os critérios de DMG (jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153) não se aplicam. Além disso, mesmo que se aplicassem, o jejum de 98 mg/dL seria normal, e o valor de 2h de 154 mg/dL seria limítrofe (≥ 153), mas o contexto pós-parto invalida esse diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 exigiria glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL ou glicemia de 2 horas ≥ 200 mg/dL. A paciente apresenta jejum de 98 mg/dL e 2h de 154 mg/dL, valores que não atingem o limiar para diabetes. Ela tem pré-diabetes, não diabetes mellitus tipo 2.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O termo "diabetes mellitus overt" refere-se a diabetes manifesto, ou seja, que atende aos critérios diagnósticos de diabetes (jejum ≥ 126 mg/dL, 2h ≥ 200 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5% ou glicemia casual ≥ 200 mg/dL com sintomas). A paciente não preenche esses critérios, pois seus valores estão em faixa de pré-diabetes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o aluno aplicar os critérios de DMG (2h ≥ 153 mg/dL) ao teste realizado no pós-parto, o que levaria à alternativa C. Mas o teste foi feito seis semanas após o parto, quando os critérios de DMG não se aplicam mais. A palavra-chave é "pós-parto": após o parto, usa-se os critérios de diabetes e pré-diabetes para adultos. Com essa distinção em mente, você evita a armadilha e identifica corretamente a tolerância à glicose diminuída.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de DMG, verifique quando o teste foi realizado. Se for durante a gestação, use os critérios de DMG (jejum ≥ 92, 1h ≥ 180, 2h ≥ 153). Se for após o parto, use os critérios de diabetes e pré-diabetes para adultos (jejum ≥ 126, 2h ≥ 200 para diabetes; jejum 100–125, 2h 140–199 para pré-diabetes). Essa distinção temporal é a chave para acertar esse tipo de questão.