Há uma série de modificações que podem ser realizadas nos hemocomponentes, seja como parte da política de transfusão do hospital ou conforme solicitado pelo médico prescritor, seja de acordo com indicações precisas. Para qual das indicações a seguir, a leucorredução está indicada?
APacientes em transfusão maciça.
BProfilaxia de aloimunização HLA.
CProfilaxia de reação alérgica.
DProfilaxia de contaminação bacteriana.
EPacientes HIV negativos.
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GabaritoB — Profilaxia de aloimunização HLA.
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Leucorredução de hemocomponentes: indicações precisas
Gabarito: letra B. A leucorredução está indicada para a profilaxia de aloimunização HLA, pois a remoção dos leucócitos (principal fonte de exposição aos antígenos HLA) previne a formação de aloanticorpos em pacientes cronicamente transfundidos. As demais alternativas não correspondem a indicações precisas da leucorredução: transfusão maciça, profilaxia de reação alérgica, profilaxia de contaminação bacteriana e pacientes HIV negativos não são indicações estabelecidas para esse procedimento.
A leucorredução é um processo de filtração que remove a maior parte dos leucócitos dos hemocomponentes, sendo realizada principalmente para prevenir reações transfusionais e complicações imunológicas. O mecanismo central é a redução da exposição do receptor a antígenos leucocitários (HLA), que são os principais responsáveis pela aloimunização. Quando um paciente recebe múltiplas transfusões, seu sistema imunológico pode reconhecer os leucócitos do doador como estranhos e produzir anticorpos contra eles, especialmente contra antígenos HLA. Esses anticorpos podem causar refratariedade plaquetária, dificultando transfusões futuras. A leucorredução pré-estocagem, realizada logo após a coleta, é a estratégia mais eficaz para prevenir essa aloimunização, pois remove os leucócitos antes que eles possam estimular a resposta imune.
Além da prevenção da aloimunização HLA, a leucorredução tem outras indicações bem estabelecidas, como a prevenção da reação febril não hemolítica (RFNH) e a prevenção da transmissão de citomegalovírus (CMV). A RFNH é uma reação comum, causada pelo acúmulo de citocinas liberadas pelos leucócitos durante a estocagem; a leucorredução pré-estocagem reduz significativamente esse risco. Quanto ao CMV, por ser um vírus intracelular, a remoção dos leucócitos reduz drasticamente a transmissão, sendo uma alternativa prática à seleção de doadores CMV negativos. No entanto, a leucorredução não é indicada para profilaxia de reações alérgicas (que são mediadas por proteínas plasmáticas, não por leucócitos), nem para profilaxia de contaminação bacteriana (que é prevenida por técnicas assépticas e triagem de doadores), nem para pacientes HIV negativos (a leucorredução não tem relação com o status sorológico do paciente).
A distinção crucial é que a leucorredução atua sobre os leucócitos e seus efeitos imunológicos, não sobre outros componentes do sangue. Por isso, as indicações precisas estão relacionadas a condições em que os leucócitos são o problema: aloimunização HLA, reação febril não hemolítica e transmissão de CMV. A banca explora exatamente essa confusão, oferecendo alternativas que parecem plausíveis, mas que não correspondem a indicações reais do procedimento. Guarde essa fronteira: leucorredução previne aloimunização HLA, RFNH e CMV — não previne reações alérgicas, contaminação bacteriana nem tem relação com HIV.
Leucorredução
1Indicações precisas
Profilaxia de aloimunização HLA
Prevenção de RFNH
Prevenção de transmissão de CMV
2Não indicada
Profilaxia de reação alérgica
Profilaxia de contaminação bacteriana
Pacientes HIV negativos
Transfusão maciça
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A transfusão maciça não é uma indicação de leucorredução. A transfusão maciça (definida como reposição de mais de um volume sanguíneo em 24 horas) está associada a complicações como hipocalcemia, hipercalemia, coagulopatia e TRALI, mas a leucorredução não é indicada especificamente para essa situação. A prevenção de complicações da transfusão maciça envolve outras medidas, como reposição de plaquetas e plasma fresco congelado, não a remoção de leucócitos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A profilaxia de aloimunização HLA é uma indicação precisa da leucorredução. Como os leucócitos são a principal fonte de exposição aos antígenos HLA, sua remoção previne a formação de aloanticorpos em pacientes que recebem transfusões repetidas, especialmente plaquetas. Isso é particularmente importante em pacientes com doenças hematológicas que necessitam de suporte transfusional crônico, como aqueles com anemia aplástica ou leucemia, pois a aloimunização pode levar à refratariedade plaquetária, dificultando o tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A profilaxia de reação alérgica não é uma indicação de leucorredução. As reações alérgicas transfusionais são mediadas por proteínas plasmáticas (como IgA ou alérgenos alimentares) presentes no plasma do doador, não por leucócitos. A prevenção dessas reações envolve outras estratégias, como o uso de hemocomponentes lavados ou a pré-medicação com anti-histamínicos, mas não a leucorredução.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A profilaxia de contaminação bacteriana não é uma indicação de leucorredução. A contaminação bacteriana dos hemocomponentes é prevenida por técnicas assépticas na coleta, triagem de doadores e testes de detecção bacteriana, não pela remoção de leucócitos. A leucorredução não tem efeito sobre bactérias presentes no produto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Pacientes HIV negativos não têm indicação de leucorredução. A leucorredução não está relacionada ao status sorológico do paciente para HIV. A prevenção da transmissão do HIV é feita por triagem sorológica e testes de ácido nucleico (NAT), não pela remoção de leucócitos. A leucorredução é indicada para prevenir aloimunização HLA, RFNH e transmissão de CMV, independentemente do status HIV do paciente.
Gabarito: letra B — a leucorredução está indicada para profilaxia de aloimunização HLA.