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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu113258
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Hematologia e Hemoterapia
O médico recebe o relatório de uma reação transfusional com os seguintes detalhes: paciente feminina, 60 anos, sem histórico médico significativo, foi internada há três dias com diagnóstico de leucemia mieloide aguda e recebeu 2 unidades de concentrado de hemácias (CH) nos últimos dois dias. Hoje, ela recebeu mais 4 unidades. A primeira unidade foi transfundida das 04h30 às 06h20. A segunda unidade foi transfundida das 07h20 às 09h40. A terceira unidade foi transfundida das 15h25 às 17h20. A quarta unidade foi transfundida a partir das 20h40. A paciente ainda estava recebendo transfusão às 22h30 quando apresentou desconforto respiratório importante, sem broncoespasmo ou erupções na pele. A transfusão foi interrompida e os sinais vitais foram medidos.Os sinais vitais da paciente foram os seguintes (com os sinais vitais pré-transfusão entre parênteses):Temperatura: 37,7 (37,2)Frequência cardíaca: 99 (75)Pressão arterial: 116/82 (101/65)Frequência respiratória: 20 (15)Saturação de oxigênio: 85% no ar ambiente (98% no ar ambiente)A radiografia de tórax mostra infiltrados bilaterais irregulares. Amostras pré e pós transfusionais estão em conformidade, com prova de compatibilidade negativa e teste de antiglobulina direto negativo.Qual é o manejo clínico adequado dessa paciente?
  1. ASuplementação de oxigênio.
  2. BSuplementação de oxigênio e diuréticos.
  3. CSuplementação de oxigênio e esteroides.
  4. DSuplementação de oxigênio, diuréticos e esteroides.
  5. ESuplementação de oxigênio e IVIG.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Suplementação de oxigênio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reação transfusional aguda: TRALI e manejo clínico

Gabarito: letra A. O quadro é compatível com lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão (TRALI), cujo manejo é essencialmente de suporte, com suplementação de oxigênio e medidas gerais; diuréticos, esteroides e IVIG não são indicados de rotina. A base do tratamento é o suporte respiratório, não intervenções farmacológicas específicas.

A TRALI é uma complicação transfusional grave, definida como desconforto respiratório agudo com hipoxemia e infiltrados bilaterais à radiografia de tórax, que ocorre durante ou até 6 horas após a transfusão, sem evidência de sobrecarga volêmica ou outra causa. A fisiopatologia envolve a ativação de neutrófilos no endotélio pulmonar, mediada por anticorpos do doador (anti-HLA ou anti-HNA) ou por lipídios bioativos, levando a aumento da permeabilidade capilar e edema pulmonar não cardiogênico. Por isso, o tratamento é de suporte: oxigênio suplementar, e em casos graves, ventilação mecânica. Não há papel para diuréticos (a menos que haja sobrecarga volêmica associada), nem para esteroides ou imunoglobulina intravenosa, que não demonstraram benefício.

O diagnóstico diferencial mais importante é com a sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), que também cursa com desconforto respiratório e infiltrados, mas é causada por excesso de volume, respondendo a diuréticos. Na TRALI, a pressão de enchimento cardíaco é normal ou baixa, e o uso de diuréticos pode até piorar a hipotensão. A prova de compatibilidade negativa e o teste de antiglobulina direto negativo afastam reação hemolítica, e a ausência de broncoespasmo e rash afasta reação alérgica/anafilática. A febre leve e a taquicardia são inespecíficas, comuns em reações transfusionais.

Na prática, diante de uma suspeita de TRALI, o médico deve: interromper a transfusão (já feito), manter o acesso venoso com soro fisiológico, administrar oxigênio para manter SpO2 > 90%, e notificar o banco de sangue. Em casos graves, pode ser necessário suporte ventilatório e hemodinâmico. A recuperação costuma ocorrer em 48-96 horas. A prevenção inclui o uso de hemocomponentes leucorreduzidos e a exclusão de doadores com anticorpos, especialmente em mulheres multíparas.

A pegadinha desta questão está em associar o quadro a uma reação alérgica ou a uma sobrecarga de volume, induzindo ao uso de diuréticos ou esteroides. A banca explora a confusão entre TRALI e TACO, e entre TRALI e reação alérgica. O candidato deve lembrar que, na TRALI, o tratamento é suporte, e que diuréticos e esteroides não são rotina.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A conduta inicial e mais importante é a suplementação de oxigênio, pois a paciente apresenta hipoxemia (SpO2 85% em ar ambiente). O suporte respiratório é a base do tratamento da TRALI, e a maioria dos pacientes responde bem apenas com oxigênio suplementar. Não há indicação de diuréticos, esteroides ou IVIG, pois não há evidência de benefício e podem causar dano.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Inclui diuréticos, que são indicados na TACO (sobrecarga volêmica), não na TRALI. Na TRALI, o edema pulmonar é não cardiogênico, e o uso de diuréticos pode agravar a hipotensão e não trata a causa. A paciente não tem sinais de hipervolemia (sem edema periférico, sem B3, sem estase jugular), e a radiografia mostra infiltrados bilaterais, mas isso é compatível com TRALI.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Inclui esteroides, que não têm papel comprovado no tratamento da TRALI. Embora a fisiopatologia envolva inflamação, os corticosteroides não demonstraram benefício e não são recomendados pelas diretrizes. O manejo é de suporte, não imunomodulador.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Combina diuréticos e esteroides, ambos sem indicação na TRALI. Essa alternativa reflete a confusão com TACO (diuréticos) e com reações alérgicas (esteroides), mas nenhum dos dois é apropriado aqui. O tratamento correto é apenas suporte com oxigênio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Inclui IVIG (imunoglobulina intravenosa), que não é indicada no tratamento da TRALI. A IVIG é usada em algumas doenças autoimunes ou imunodeficiências, mas não há evidência de benefício na TRALI. O manejo é de suporte, e a IVIG poderia até piorar o quadro por aumentar a viscosidade e a carga de anticorpos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir TRALI com TACO (sobrecarga de volume) e com reação alérgica. Na TRALI, o edema é não cardiogênico, então diuréticos não ajudam; e não há broncoespasmo/rash, então não é alergia. Lembre-se: TRALI = suporte, TACO = diuréticos, alergia = anti-histamínicos/esteroides. Com treino, você diferencia essas três na hora da prova!

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar TRALI de TACO, lembre-se: TRALI ocorre com pouca quantidade de sangue transfundido (como aqui, 4 unidades em 2 dias), tem hipoxemia grave e infiltrados bilaterais, mas sem sinais de hipervolemia. TACO ocorre com grandes volumes, tem B3, estase jugular e melhora com diuréticos. Na dúvida, o tratamento inicial é sempre oxigênio.

Gabarito: letra A

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