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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu113268
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Hematologia e Hemoterapia
A anemia da doença renal crônica (DRC) é uma anemia normocítica e normocrômica, causada pela queda inferior a 60 mL/min/1,73m² da taxa de filtração glomerular, ou seja, nos estágios 3, 4 e 5 da insuficiência renal crônica. Nos pacientes renais crônicos, diversos mecanismos levam à anemia. Com base no exposto, assinale a alternativa correta.
  1. AO excesso de creatinina nos pacientes com insuficiência renal crônica reduz a sobrevida das hemácias.
  2. BEm casos de hemodiálise, o ferro pode ser filtrado durante o processo e causar anemia ferropriva.
  3. CO principal evento fisiopatológico para a anemia da DRC é a deficiência relativa de secreção da eritropoietina, hormônio necessário para o estímulo da produção das hemácias.
  4. DA anemia é, em geral, grave, com hemoglobina < 7 g/dL.
  5. ECom a suplementação da eritropoetina, pode haver aumento do risco de sangramento.
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GabaritoC — O principal evento fisiopatológico para a anemia da DRC é a deficiência relativa de secreção da eritropoietina, hormônio necessário para o estímulo da produção das hemácias.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anemia da doença renal crônica: fisiopatologia e tratamento

Gabarito: letra C. O principal mecanismo da anemia na DRC é a deficiência relativa de eritropoetina (EPO), hormônio produzido pelos rins que estimula a eritropoiese na medula óssea — com a perda progressiva de néfrons, a produção de EPO torna-se insuficiente para o grau de anemia apresentado. As demais alternativas distorcem mecanismos secundários ou consequências do tratamento.

A anemia é uma complicação frequente e importante da DRC, associada a aumento de morbidade e mortalidade. Ela se desenvolve, na maioria dos casos, pela produção renal reduzida de eritropoetina. Essa glicoproteína, produzida pelos rins, atua na medula óssea estimulando as células progenitoras da série eritroide. Os maiores estímulos para sua produção são a presença de anemia e a hipóxia tecidual. Nos pacientes com DRC, ocorre uma deficiência relativa de sua produção — ou seja, os níveis produzidos estão aquém do esperado para o grau de anemia apresentado, devido à perda progressiva de néfrons ao longo da história natural da doença.

Além da menor produção de eritrócitos, pacientes com DRC apresentam também uma menor meia-vida eritrocitária, decorrente de um pequeno grau de hemólise. Essa alteração pode ser parcialmente corrigida com a suplementação de eritropoetina exógena (alfaepoetina). A manutenção de estoques corporais adequados de ferro é fundamental para uma adequada resposta ao tratamento, sendo a deficiência de ferro ou sua reduzida disponibilidade as principais causas de falha terapêutica. Em pacientes em hemodiálise, a perda de ferro é mais expressiva — estima-se uma perda média de 2 g de ferro por ano pelo método dialítico em si, além de outras perdas (gastrointestinais, coletas de sangue frequentes).

O hemograma na anemia da DRC costuma revelar anemia do tipo da doença crônica, ou seja, normocítica e normocrômica. A gravidade é variável: a anemia pode estar presente já em estágios com TFG entre 30 e 60 mL/min/1,73 m², e cerca de 90% dos pacientes com TFG inferior a 25-30 mL/min/1,73 m² apresentam a condição. Não é correto afirmar que a anemia é, em geral, grave com hemoglobina < 7 g/dL — a gravidade depende do estágio e do manejo, e o tratamento com EPO visa justamente evitar quedas acentuadas.

O tratamento com eritropoetina exógena corrige a anemia, melhora a qualidade de vida e diminui a dependência de transfusões. Porém, é preciso cautela: o uso de doses mais altas, que resultam em elevações da hemoglobina sérica acima de 13 g/dL, pode estar associado a maior risco de eventos cardiovasculares adversos — e não a aumento do risco de sangramento. Na verdade, os distúrbios hemorrágicos na uremia decorrem de defeitos na aderência e agregação plaquetária, e o sangramento urêmico geralmente pode ser controlado com crioprecipitado, desmopressina, estrogênios conjugados, tratamento da anemia e diálise.

Guarde a hierarquia dos mecanismos: a deficiência de EPO é o evento central; a deficiência de ferro e a hemólise leve são fatores contribuintes; e os efeitos adversos do tratamento (risco cardiovascular) são consequência do uso inadequado. É exatamente nessa hierarquia que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o excesso de creatinina reduz a sobrevida das hemácias. O erro está em atribuir à creatinina um papel que não possui. A creatinina é um marcador de função renal, não um agente que encurta a vida das hemácias. A menor meia-vida eritrocitária na DRC decorre de um pequeno grau de hemólise, não do acúmulo de creatinina. A creatinina elevada reflete a queda da TFG, mas não é o mecanismo fisiopatológico da anemia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o ferro pode ser filtrado durante a hemodiálise e causar anemia ferropriva. O ferro não é filtrado no processo dialítico — a perda de ferro na hemodiálise ocorre por sangramento residual no dialisador e por coletas de sangue frequentes, não por filtração do mineral. O contexto confirma que pacientes em hemodiálise perdem em média 2 g de ferro por ano pelo método dialítico em si, além de outras perdas, justificando a necessidade de avaliação e reposição — mas o mecanismo é perda sanguínea, não filtração do ferro.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa espelha exatamente o mecanismo central da anemia na DRC: a deficiência relativa de secreção de eritropoietina. Com a perda progressiva de néfrons, a produção renal de EPO torna-se insuficiente para o grau de anemia apresentado — é uma deficiência relativa, pois os níveis produzidos estão aquém do esperado. A EPO é o hormônio que estimula as células progenitoras da série eritroide na medula óssea, e sua deficiência é a causa mais comum da anemia na DRC, sobretudo na doença mais avançada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a anemia é, em geral, grave, com hemoglobina < 7 g/dL. Isso não corresponde à realidade clínica. A anemia da DRC tem gravidade variável, dependendo do estágio da doença e do manejo. O protocolo do Ministério da Saúde inclui pacientes com hemoglobina menor ou igual a 10 g/dL, e o tratamento com EPO visa evitar quedas acentuadas. A anemia grave com Hb < 7 g/dL não é a regra — é uma complicação de doença avançada não tratada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a suplementação de eritropoetina pode aumentar o risco de sangramento. O efeito adverso associado ao uso de doses altas de EPO é o aumento do risco de eventos cardiovasculares, especialmente quando a hemoglobina ultrapassa 13 g/dL — não o sangramento. Na verdade, o tratamento da anemia com EPO melhora a função plaquetária e ajuda a controlar o sangramento urêmico, que decorre de defeitos na aderência e agregação plaquetária.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os efeitos adversos do tratamento e as complicações da própria doença. Na alternativa E, troca-se o risco cardiovascular (associado a doses altas de EPO com Hb > 13 g/dL) pelo risco de sangramento — que, na verdade, é uma complicação da uremia, não do tratamento. Na alternativa B, troca-se a perda de ferro por sangramento no dialisador pela ideia de "filtração do ferro". Fique atento: a EPO aumenta o risco cardiovascular, não o de sangramento; e o ferro não é filtrado, é perdido por sangramento.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de anemia na DRC, monte o raciocínio em camadas: (1) mecanismo central = deficiência relativa de EPO; (2) fatores contribuintes = deficiência de ferro, hemólise leve, perdas sanguíneas na hemodiálise; (3) complicações da uremia = disfunção plaquetária com sangramento; (4) efeitos adversos do tratamento = risco cardiovascular com Hb > 13 g/dL. Essa hierarquia resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra C

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