Médico - Área: Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
Um serviço de hemoterapia está com o estoque de sangue em situação emergencial e, no momento, dispõe de 1 unidade de plaquetas por aférese irradiada, apenas, e tem cinco solicitações pendentes, todas de crianças com peso aproximado de 50 kg.Deverá ser atendido prioritariamente paciente
Aem programação de coleta de líquor, epistaxe e contagem de plaquetas = 40000/mm³
Bcom púrpura trombocitopênica trombótica, petéquias em MMII e contagem de plaquetas = 14000/mm³.
Ccom leucemia mieloide aguda do tipo M3, suspeita de sangramento de SNC e contagem de plaquetas = 70 000/mm³.
Dpós-transplante de medula óssea por linfoma não Hodgkin, em programação para passagem de cateter venoso central e contagem de plaquetas = 18000/mm³.
Ecom aplasia de medula óssea, sem sangramento e contagem de plaquetas = 10000/mm³.
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GabaritoC — com leucemia mieloide aguda do tipo M3, suspeita de sangramento de SNC e contagem de plaquetas = 70 000/mm³.
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Transfusão de plaquetas: priorização em situação de escassez
Gabarito: letra C. Em situação de estoque emergencial, a prioridade é o paciente com maior risco de sangramento iminente e de consequências graves — no caso, a criança com leucemia mieloide aguda M3 (APL) e suspeita de sangramento de SNC, mesmo com contagem de plaquetas de 70.000/mm³, pois a APL cursa com coagulopatia grave e o sangramento intracraniano é a principal causa de morte precoce. A decisão se baseia no princípio de que a transfusão profilática de plaquetas deve ser guiada pelo risco clínico, não apenas pelo número absoluto de plaquetas.
A transfusão de plaquetas é um procedimento que visa prevenir ou tratar sangramentos em pacientes com trombocitopenia ou disfunção plaquetária. Em situações de escassez de estoque, como a descrita, é fundamental estabelecer prioridades com base no risco de sangramento e na gravidade das consequências. Os limiares transfusionais tradicionais (10.000/mm³ para pacientes estáveis, 20.000/mm³ para pacientes com febre ou sepse, 50.000/mm³ para procedimentos invasivos) são diretrizes gerais, mas devem ser individualizados conforme o quadro clínico.
No caso da leucemia promielocítica aguda (LMA-M3), há uma particularidade: a doença cursa com liberação de substâncias pró-coagulantes que levam a uma coagulopatia de consumo (CID), aumentando drasticamente o risco de sangramento, especialmente em sítios críticos como o sistema nervoso central. Por isso, mesmo com contagem de plaquetas relativamente elevada (70.000/mm³), a suspeita de sangramento de SNC torna a transfusão urgente e prioritária. A literatura e os protocolos de hemoterapia recomendam manter plaquetas acima de 50.000/mm³ em pacientes com APL, e acima de 100.000/mm³ se houver sangramento ativo ou procedimentos invasivos.
As demais alternativas apresentam situações em que o risco de sangramento é menor ou o limiar transfusional não é tão urgente: a coleta de líquor (alternativa A) tem limiar de 50.000/mm³, mas a contagem de 40.000/mm³ está abaixo, porém sem sangramento ativo e sem risco iminente de sangramento grave; a púrpura trombocitopênica trombótica (alternativa B) é uma contraindicação relativa à transfusão de plaquetas, pois pode piorar a microangiopatia; o pós-transplante com passagem de cateter venoso central (alternativa D) tem limiar de 20.000/mm³, e a contagem de 18.000/mm³ está próxima, mas o procedimento pode ser adiado ou realizado com medidas alternativas; a aplasia de medula (alternativa E) tem contagem de 10.000/mm³, mas sem sangramento, e o limiar profilático para paciente estável é de 10.000/mm³, podendo ser postergado.
A pegadinha da questão está em considerar apenas o número de plaquetas, ignorando o contexto clínico. A banca explora a confusão entre os limiares transfusionais e a priorização em situações de emergência. O aluno deve lembrar que a decisão de transfundir plaquetas é multifatorial, envolvendo a contagem, a presença de sangramento, o risco de sangramento (procedimentos, trauma, CID) e a doença de base.
Guarde o critério decisivo: risco de sangramento iminente e gravidade das consequências — é exatamente isso que separa a alternativa correta das demais.
Priorização transfusional (escassez)
1Critério decisivo
Risco de sangramento iminente
Gravidade das consequências
2Limiares usuais
10.000: estável
20.000: febre/sepse
50.000: procedimento invasivo
3LMA-M3 (APL)
Coagulopatia de consumo (CID)
Risco de sangramento de SNC
Transfusão urgente mesmo com 70.000
4PTT
Transfusão contraindicação relativa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A coleta de líquor é um procedimento invasivo com limiar transfusional de 50.000/mm³, e a contagem de 40.000/mm³ está abaixo desse limiar. No entanto, o paciente não apresenta sangramento ativo, e o procedimento pode ser adiado ou realizado com medidas de suporte (como transfusão após a coleta, se necessário). Em situação de escassez, não é a prioridade máxima, pois o risco de sangramento grave é menor comparado à alternativa C.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) é uma contraindicação relativa à transfusão de plaquetas, pois pode piorar a microangiopatia e aumentar a formação de trombos. A transfusão de plaquetas na PTT só é indicada em casos de sangramento grave com risco de vida. Portanto, mesmo com contagem de 14.000/mm³, a transfusão não é prioritária e pode ser prejudicial.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A leucemia mieloide aguda tipo M3 (promielocítica) é uma emergência hematológica devido à alta incidência de coagulopatia de consumo (CID) e risco de sangramento, especialmente no SNC. A suspeita de sangramento de SNC torna a transfusão de plaquetas urgente, mesmo com contagem de 70.000/mm³, pois o objetivo é manter plaquetas acima de 100.000/mm³ em pacientes com APL e sangramento ativo. É a situação de maior risco de morte iminente entre as opções.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O pós-transplante de medula óssea com programação para passagem de cateter venoso central tem limiar transfusional de 20.000/mm³. A contagem de 18.000/mm³ está abaixo, mas o procedimento pode ser adiado ou realizado com medidas alternativas (como uso de cateter de diálise, se disponível). Em situação de escassez, não é a prioridade máxima, pois o risco de sangramento grave é menor que na alternativa C.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A aplasia de medula óssea com contagem de 10.000/mm³ e sem sangramento é uma indicação clássica de transfusão profilática (limiar de 10.000/mm³). No entanto, em situação de escassez, pode ser postergada se o paciente estiver estável e sem sinais de sangramento. A prioridade deve ser dada a quem tem risco iminente de sangramento grave, como na alternativa C.