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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu113276
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
A síndrome de falência medular é um grupo de doenças causadas por dano à célula progenitora hematopoética (CTPH). Clinicamente, essas falências resultam em uma medula óssea hipoplástica e, no sangue periférico, em anemia, neutropenia ou trombocitopenia.Com relação a esse tema, é correto afirmar que
  1. Aem pacientes com diagnóstico de timoma, a incidência de desenvolvimento de aplasia pura de série vermelha é de 50%. Atualmente, preconiza-se a realização de timectomia nesses casos, sendo essa abordagem suficiente para o tratamento, não sendo necessário o uso de medicamentos imunossupressores.
  2. Ba pesquisa de células GPI (glicofosfatidilinusitol) negativa para o diagnóstico de hemoglobinúria paroxística noturna deve ser realizada em todos os pacientes com suspeita de anemia aplástica adquirida.
  3. Co transplante de células progenitoras hematopoéticas (TCPH) autólogo é indicado como primeira linha de tratamento para todos os pacientes com diagnóstico de anemia aplástica adquirida grave ou muito grave.
  4. Dandrogênios são contraindicados em pacientes com anemia de Fanconi não submetidos a TCPH.
  5. Ea neutropenia congênita grave é diagnosticada quando a contagem de leucócitos é inferior a 1000/μL, cronicamente. É importante realizar hemogramas seriados (2 vezes por semana durante 3 semanas) para exclusão de neutropenia idiopática.
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GabaritoB — a pesquisa de células GPI (glicofosfatidilinusitol) negativa para o diagnóstico de hemoglobinúria paroxística noturna deve ser realizada em todos os pacientes com suspeita de anemia aplástica adquirida.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de falência medular: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra B. A pesquisa de células com deficiência de glicofosfatidilinositol (GPI) — o clone de hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) — deve ser realizada em todos os pacientes com suspeita de anemia aplástica adquirida, pois a HPN é uma das principais causas secundárias dessa síndrome e sua detecção altera a conduta terapêutica. Essa recomendação está alinhada com os protocolos clínicos de falência medular, que orientam a investigação sistemática do clone HPN nesse cenário.

A síndrome de falência medular compreende um grupo de doenças caracterizadas por dano à célula progenitora hematopoética (CTPH), resultando em medula óssea hipoplásica e citopenias periféricas (anemia, neutropenia, trombocitopenia). As principais entidades são a anemia aplástica (AA), a hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), a aplasia pura de série vermelha (APSV) e as síndromes mielodisplásicas (SMD). O diagnóstico diferencial é crucial, pois cada uma tem abordagem terapêutica distinta.

A anemia aplástica adquirida é uma doença imunomediada, na qual linfócitos T atacam a medula óssea. O tratamento de primeira linha para pacientes jovens com doador compatível é o transplante alogênico de células progenitoras hematopoéticas (TCPH). Para os demais, a imunossupressão com globulina antilinfocítica (GAL) e ciclosporina é a opção padrão. A HPN, por sua vez, é uma doença clonal adquirida, decorrente de mutação no gene PIG-A, que leva à deficiência de proteínas ancoradas à GPI na membrana celular. Essa deficiência torna as células mais suscetíveis à lise pelo complemento, causando hemólise intravascular, trombose e falência medular. A pesquisa do clone HPN é essencial em todo paciente com AA, pois a presença de clone HPN pode influenciar a resposta ao tratamento imunossupressor e o risco de complicações.

A aplasia pura de série vermelha (APSV) é caracterizada por anemia normocítica e normocrômica, reticulocitopenia e diminuição ou ausência de eritroblastos na medula óssea, com preservação das demais linhagens. Pode ser idiopática ou secundária a doenças autoimunes, linfoproliferativas ou a timoma. A associação com timoma é bem estabelecida, mas a incidência de APSV em pacientes com timoma é de aproximadamente 5%, não 50%. A timectomia pode ser considerada, mas não é suficiente como tratamento isolado; a maioria dos pacientes necessita de imunossupressão.

A anemia de Fanconi é uma falência medular hereditária, caracterizada por instabilidade cromossômica e predisposição a neoplasias. O tratamento inclui androgênios, que estimulam a hematopoese, e o TCPH alogênico, que é a única opção curativa. Os androgênios não são contraindicados em pacientes não transplantados; pelo contrário, são uma opção terapêutica válida para melhorar as citopenias enquanto se aguarda o transplante.

A neutropenia congênita grave é definida por contagem de neutrófilos inferior a 500/µL, cronicamente, e não inferior a 1000/µL. O diagnóstico requer hemogramas seriados (2 vezes por semana durante 3 semanas) para excluir neutropenia cíclica, não neutropenia idiopática. A distinção é importante, pois a neutropenia cíclica tem curso mais benigno e pode não necessitar de tratamento agressivo.

A pegadinha central desta questão é a troca de valores e conceitos entre as diferentes síndromes de falência medular. A banca explora a confusão entre a neutropenia congênita grave (neutrófilos < 500/µL) e a neutropenia leve (neutrófilos < 1000/µL), e entre a exclusão de neutropenia cíclica e idiopática. Além disso, inverte a incidência de APSV em timoma (5%, não 50%) e a indicação de TCPH autólogo (que não é primeira linha para AA grave).

Guarde a fronteira entre os critérios diagnósticos e as indicações terapêuticas de cada entidade: é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Critério

Anemia Aplástica Adquirida

Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN)

Aplasia Pura de Série Vermelha (APSV)

Anemia de Fanconi

Neutropenia Congênita Grave

Mecanismo

Imunomediada (linfócitos T atacam a medula)

Clonal adquirida (mutação PIG-A → deficiência de GPI)

Autoimune ou secundária (ex.: timoma)

Hereditária (instabilidade cromossômica)

Congênita (genética)

Achado principal

Pancitopenia, medula hipoplásica

Hemólise intravascular, trombose, falência medular

Anemia normocítica, reticulocitopenia, eritroblastopenia

Pancitopenia progressiva, anomalias congênitas

Neutrófilos < 500/µL cronicamente

Diagnóstico diferencial

Excluir HPN, SMD, deficiências nutricionais

Citometria de fluxo (células GPI negativas)

Excluir timoma, doenças linfoproliferativas

Teste de fragilidade cromossômica (diepoxibutano)

Hemogramas seriados (2x/semana por 3 semanas) para excluir neutropenia cíclica

Tratamento de 1ª linha

TCPH alogênico (jovens com doador) ou imunossupressão (GAL + ciclosporina)

Eculizumabe (anticorpo anti-C5) ou imunossupressão

Timectomia (se timoma) + imunossupressão

Androgênios + TCPH alogênico (curativo)

Fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF)

Particularidade

Pesquisa de clone HPN obrigatória em todos os casos

Deficiência de GPI aumenta risco de trombose

Incidência de APSV em timoma: ~5% (não 50%)

Androgênios são válidos antes do TCPH (não contraindicados)

Corte diagnóstico: < 500/µL (não < 1000/µL)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A incidência de aplasia pura de série vermelha (APSV) em pacientes com timoma é de aproximadamente 5%, não 50%. Além disso, a timectomia não é abordagem suficiente; a maioria dos pacientes necessita de imunossupressão (corticosteroides, ciclosporina, etc.) para controlar a doença. A alternativa erra tanto na incidência quanto na conduta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A pesquisa de células GPI negativas (clone HPN) é recomendada em todos os pacientes com suspeita de anemia aplástica adquirida. A HPN é uma causa secundária importante de falência medular, e a detecção do clone é essencial para o diagnóstico diferencial e para a escolha do tratamento (imunossupressão vs. eculizumabe vs. transplante). Essa recomendação está alinhada com os protocolos clínicos de falência medular.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O transplante de células progenitoras hematopoéticas (TCPH) autólogo não é indicado como primeira linha para anemia aplástica adquirida grave ou muito grave. O TCPH autólogo é usado em outras doenças (ex.: mieloma múltiplo, linfomas), mas na AA o transplante indicado é o alogênico, pois a doença é imunomediada e o enxerto autólogo seria novamente atacado. Para pacientes sem doador compatível, a imunossupressão é a primeira linha.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os androgênios não são contraindicados em pacientes com anemia de Fanconi não submetidos a TCPH. Pelo contrário, são uma opção terapêutica para estimular a hematopoese e melhorar as citopenias, especialmente em pacientes que não podem ser transplantados imediatamente. A contraindicação não existe; a alternativa inverte a indicação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A neutropenia congênita grave é diagnosticada quando a contagem de neutrófilos é inferior a 500/µL, cronicamente, e não inferior a 1000/µL. Além disso, os hemogramas seriados (2 vezes por semana durante 3 semanas) são realizados para exclusão de neutropenia cíclica, não de neutropenia idiopática. A alternativa troca o valor de corte e o diagnóstico a ser excluído.

Gabarito: letra B — a pesquisa do clone HPN é obrigatória em todos os pacientes com suspeita de anemia aplástica adquirida.

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