Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025
- Código
- vu113282
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
- Adengue.
- Bzika.
- Cmalária.
- Dleishmaniose.
- Echikungunya.
GabaritoC — malária.
Gabarito: letra C. A doença incorporada como quarto alvo ao teste NAT (teste de ácido nucleico) do Brasil, desenvolvido por Bio-Manguinhos/FIOCRUZ, é a malária — doença parasitária transmitida por transfusão, com relevância epidemiológica no país e que passou a integrar o painel de triagem molecular dos bancos de sangue. A alternativa correta é a letra C.
A transfusão sanguínea, mesmo seguindo todas as normas técnicas, carrega risco sanitário: os chamados incidentes transfusionais podem ser imediatos (reações hemolíticas, alérgicas, TRALI) ou tardios (transmissão de doenças infecciosas e parasitárias, aloimunização, etc.). Para reduzir o risco de transmissão de agentes infecciosos, os bancos de sangue realizam a triagem sorológica (detecção de anticorpos ou antígenos) e, mais recentemente, a triagem molecular por NAT — técnica que amplifica o material genético do patógeno, reduzindo a chamada "janela imunológica", período em que o doador está infectado mas os testes sorológicos ainda não detectam.
O Brasil foi pioneiro na implantação do NAT em escala nacional para HIV e HCV, e posteriormente incorporou o HBV. A novidade mencionada no enunciado é a incorporação da malária como quarto alvo do NAT brasileiro, em um novo kit desenvolvido por Bio-Manguinhos/FIOCRUZ. A malária é uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitida pela picada do mosquito Anopheles e também por transfusão sanguínea — o parasita sobrevive no sangue armazenado. No Brasil, a malária tem grande relevância epidemiológica, concentrando-se principalmente na região amazônica, o que justifica a preocupação com a segurança transfusional.
A distinção crucial aqui é entre as doenças virais (dengue, zika, chikungunya) e a doença parasitária (malária). Embora todas possam, em tese, ser transmitidas por transfusão, o enunciado destaca o perfil epidemiológico da doença no Brasil e a possibilidade de transmissão transfusional, além de mencionar que a doença foi incorporada como quarto alvo ao NAT brasileiro — fato que se refere especificamente à malária. As arboviroses (dengue, zika, chikungunya) são transmitidas por mosquitos do gênero Aedes e, embora possam ser transmitidas por transfusão, não foram incorporadas como alvo do NAT brasileiro nesse contexto. A leishmaniose, embora seja uma doença parasitária relevante no Brasil, não é transmitida por transfusão sanguínea de forma significativa e não foi incorporada ao NAT.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que são doenças infecciosas relevantes no Brasil (dengue, zika, chikungunya, leishmaniose), mas que não correspondem ao quarto alvo do NAT brasileiro. O candidato que conhece a atualidade da hemovigilância brasileira identifica a malária como a resposta correta. Guarde essa informação: o NAT brasileiro rastreia HIV, HCV, HBV e, agora, malária.
A dengue é uma arbovirose de grande relevância epidemiológica no Brasil, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Embora exista a possibilidade teórica de transmissão transfusional do vírus da dengue, ela não foi incorporada como quarto alvo do NAT brasileiro. A banca oferece essa alternativa por ser uma doença de grande impacto na saúde pública, mas que não corresponde ao fato noticiado.
A zika é outra arbovirose transmitida pelo Aedes, com relevância epidemiológica no Brasil, especialmente após a epidemia de 2015-2016. Assim como a dengue, a transmissão transfusional é possível, mas a zika não foi incorporada como quarto alvo do NAT brasileiro. A alternativa confunde o candidato por ser uma doença viral de grande repercussão.
A malária é a doença incorporada como quarto alvo ao NAT brasileiro. Trata-se de uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitida pela picada do mosquito Anopheles e também por transfusão sanguínea. O parasita sobrevive no sangue armazenado, o que torna a triagem transfusional fundamental. O novo kit NAT desenvolvido por Bio-Manguinhos/FIOCRUZ incorporou a malária como quarto alvo, juntamente com a renovação do parque tecnológico. A relevância epidemiológica da malária no Brasil, especialmente na região amazônica, justifica essa incorporação.
A leishmaniose é uma doença parasitária relevante no Brasil, causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos (mosquito-palha). No entanto, a transmissão transfusional da leishmaniose é rara e não foi incorporada como quarto alvo do NAT brasileiro. A alternativa confunde o candidato por ser uma doença parasitária de relevância no país, mas que não corresponde ao fato noticiado.
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pelo Aedes, com relevância epidemiológica no Brasil. Assim como dengue e zika, a transmissão transfusional é possível, mas a chikungunya não foi incorporada como quarto alvo do NAT brasileiro. A alternativa explora a confusão entre as arboviroses.
A banca oferece doenças infecciosas de grande relevância epidemiológica no Brasil (dengue, zika, chikungunya, leishmaniose) para confundir o candidato. A pegadinha está em associar "doença relevante" com "quarto alvo do NAT". A malária é a única doença parasitária transmitida por transfusão que foi incorporada ao NAT brasileiro. Lembre-se: o NAT brasileiro rastreia HIV, HCV, HBV e malária.
Para questões de hemovigilância, memorize os agentes infecciosos rastreados na triagem transfusional brasileira: HIV, HCV, HBV e, agora, malária. As arboviroses (dengue, zika, chikungunya) são transmitidas por transfusão, mas não fazem parte do painel NAT. Essa distinção é frequentemente cobrada em provas de hematologia e medicina transfusional.
Gabarito: letra C
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