Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025
- Código
- vu113287
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNIFESP
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Área: Hematologia e Hemoterapia Pediátrica
- Aanti-A.
- Banti-D.
- Canti-Kell.
- Danti-B.
- Eanti-C.
GabaritoB — anti-D.
Gabarito: letra B. A doença hemolítica do recém-nascido (DHRN) é causada, em mais de 90% dos casos, por anticorpos anti-D, dirigidos contra o antígeno D do sistema Rh. Isso ocorre quando uma mãe Rh-negativa é sensibilizada por hemácias Rh-positivas do feto e produz IgG anti-D, que atravessa a placenta e hemolisa as hemácias fetais. As demais alternativas citam anticorpos que podem causar a doença, mas com frequência muito menor.
A DHRN é uma anemia hemolítica imune que resulta da passagem transplacentária de anticorpos maternos IgG dirigidos contra antígenos eritrocitários fetais. O sistema Rh é o principal responsável, e dentro dele, o antígeno D é o mais imunogênico. A incompatibilidade ABO também pode causar a doença, mas geralmente é mais leve e menos frequente. Anticorpos contra outros antígenos do sistema Rh (como C, c, E, e) e contra antígenos de outros sistemas (como Kell, Duffy, Kidd) são causas menos comuns.
A fisiopatologia começa com a sensibilização materna. Durante a gestação ou o parto, hemácias fetais Rh-positivas entram na circulação materna Rh-negativa. O sistema imune materno reconhece o antígeno D como estranho e produz anticorpos IgG anti-D. Na primeira gestação, a sensibilização geralmente não causa doença, pois a produção de anticorpos é lenta. No entanto, em gestações subsequentes, a mãe já está sensibilizada e produz anticorpos rapidamente. Esses anticorpos IgG atravessam a placenta e se ligam às hemácias fetais Rh-positivas, marcando-as para destruição pelo sistema reticuloendotelial fetal, principalmente no baço. Isso leva a anemia fetal, eritroblastose fetal e, em casos graves, hidropsia fetal e morte.
A prevenção da DHRN por anti-D é um dos grandes avanços da medicina. A administração de imunoglobulina anti-D (RhoGAM) à mãe Rh-negativa não sensibilizada, por volta da 28ª semana de gestação e dentro de 72 horas após o parto de um bebê Rh-positivo, impede a sensibilização materna. Essa profilaxia reduziu drasticamente a incidência da doença. Quando a doença ocorre, o tratamento pode incluir fototerapia para hiperbilirrubinemia, transfusão intrauterina em casos graves e exsanguineotransfusão no recém-nascido.
A banca explora a confusão entre a causa mais comum da DHRN (anti-D) e outras causas possíveis, como anti-A e anti-B. Embora a incompatibilidade ABO seja a causa mais comum de icterícia neonatal por incompatibilidade, a DHRN clinicamente significativa, com anemia grave e hidropsia, é mais frequentemente causada por anti-D. A incompatibilidade ABO geralmente causa uma doença mais leve, pois os antígenos A e B estão presentes em muitos tecidos e os anticorpos naturais são predominantemente IgM, que não atravessam a placenta. No entanto, anticorpos IgG anti-A ou anti-B podem causar doença, mas com menor gravidade.
Guarde a hierarquia de frequência e gravidade: anti-D é a causa mais comum e mais grave de DHRN; anti-A e anti-B causam doença mais leve e menos frequente; anti-Kell e outros anticorpos são causas raras, mas podem ser graves. É exatamente essa hierarquia que as alternativas testam.
A incompatibilidade ABO, com anticorpos anti-A, é uma causa de DHRN, mas não é a mais comum. A doença por anti-A geralmente é leve, pois os antígenos A e B são expressos em muitos tecidos e os anticorpos naturais são predominantemente IgM, que não atravessam a placenta. Embora possa ocorrer hemólise, a anemia grave e a hidropsia são raras. A banca troca a causa mais comum (anti-D) pela segunda mais frequente (anti-A).
O anticorpo anti-D, do sistema Rh, é responsável por mais de 90% dos casos de DHRN. A mãe Rh-negativa, sensibilizada por hemácias fetais Rh-positivas, produz IgG anti-D que atravessa a placenta e causa hemólise fetal. Essa é a forma mais grave e mais comum da doença, sendo a principal indicação de profilaxia com imunoglobulina anti-D.
O anti-Kell é uma causa rara de DHRN, responsável por uma pequena porcentagem dos casos. No entanto, a doença por anti-Kell pode ser grave, pois além de causar hemólise, também suprime a eritropoese fetal. A banca cita um anticorpo que causa doença grave, mas não é o mais comum.
Assim como o anti-A, o anti-B é uma causa de DHRN por incompatibilidade ABO, mas não é a mais comum. A doença por anti-B é geralmente leve e menos frequente que a por anti-A. A banca troca a causa mais comum (anti-D) por uma causa menos frequente.
O anti-C é um anticorpo do sistema Rh, mas é uma causa menos comum de DHRN que o anti-D. Embora possa causar doença, a frequência é muito menor. A banca cita um anticorpo do mesmo sistema, mas não o mais imunogênico e prevalente.
A banca explora a confusão entre a causa mais comum de DHRN (anti-D) e outras causas possíveis. O candidato pode lembrar que a incompatibilidade ABO é a causa mais comum de icterícia neonatal, mas a DHRN clinicamente significativa, com anemia grave, é mais frequentemente causada por anti-D. A incompatibilidade ABO geralmente causa doença leve, enquanto a Rh causa doença grave. Fique atento à hierarquia de frequência e gravidade.
Para memorizar a hierarquia das causas de DHRN, lembre-se: D de Doença, De D (anti-D) é a causa mais comum e grave. Depois vêm os anticorpos ABO (anti-A e anti-B), que causam doença leve. Por fim, anticorpos raros como anti-Kell, anti-C, anti-E, que podem ser graves, mas são infrequentes. Essa ordem de frequência e gravidade é o que a banca costuma cobrar.
Gabarito: letra B
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