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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu113290
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Em relação à intervenção percutânea no tronco da artéria coronária esquerda (TCE) e nas bifurcações, assinale a alternativa correta.
  1. AO uso de dois stents é preferido em todas as lesões de bifurcação no tronco da artéria coronária esquerda para garantir a patência do ramo lateral.
  2. BA técnica de “kissing balloon” é utilizada exclusivamente em lesões do tronco proximal sem envolvimento de bifurcações.
  3. CO acesso radial é contraindicado em intervenções no tronco da artéria coronária esquerda devido a maior necessidade de cateteres mais calibrosos.
  4. DA intervenção percutânea no tronco da artéria coronária esquerda é indicada em pacientes com doença localizada e alto risco cirúrgico.
  5. EAs técnicas de OCT (tomografia de coerência óptica) e IVUS (ultrassom intravascular) são inadequadas para planejar intervenções em bifurcações devido à limitação de resolução.
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GabaritoD — A intervenção percutânea no tronco da artéria coronária esquerda é indicada em pacientes com doença localizada e alto risco cirúrgico.

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Intervenção percutânea no tronco da artéria coronária esquerda (TCE) e bifurcações

Gabarito: letra D. A intervenção percutânea no tronco da artéria coronária esquerda é indicada em pacientes com doença localizada e alto risco cirúrgico, pois, nesse cenário, o benefício da revascularização percutânea supera os riscos do procedimento, sendo uma alternativa à cirurgia de revascularização miocárdica (CRM). As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre técnicas de stent, acesso vascular e métodos de imagem.

A intervenção coronária percutânea (ICP) é um procedimento minimamente invasivo que utiliza cateteres e stents para restaurar o fluxo sanguíneo em artérias coronárias obstruídas. No caso específico do tronco da artéria coronária esquerda (TCE), a decisão entre ICP e cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) é complexa e depende de múltiplos fatores, incluindo a anatomia da lesão, a presença de comorbidades e o risco cirúrgico do paciente. Historicamente, a CRM era o tratamento de escolha para lesões de TCE, mas com os avanços tecnológicos e a melhora dos stents farmacológicos, a ICP tornou-se uma opção viável e segura em casos selecionados.

A indicação de ICP no TCE é particularmente favorecida em pacientes com doença localizada (lesão ostial ou de corpo do tronco, sem envolvimento extenso de bifurcação) e alto risco cirúrgico, como idosos, pacientes com fração de ejeção reduzida ou com comorbidades significativas. Nesses casos, o risco de complicações cirúrgicas supera o benefício potencial da CRM, tornando a ICP uma alternativa atraente. Por outro lado, em pacientes com doença complexa de bifurcação (envolvendo a origem da descendente anterior e da circunflexa) e baixo risco cirúrgico, a CRM ainda é frequentemente preferida, devido à maior taxa de revascularização completa e menor necessidade de reintervenção.

As lesões de bifurcação representam um desafio técnico na ICP, pois envolvem o vaso principal e um ramo lateral. A estratégia de tratamento pode ser classificada em técnica de stent único (provisional) ou técnica de dois stents. A técnica de stent único é preferida na maioria dos casos, pois é mais simples e está associada a menores taxas de complicações, como trombose de stent e reestenose. A técnica de dois stents é reservada para casos específicos, como quando o ramo lateral é grande, com lesão extensa ou quando há risco de oclusão do ramo lateral. A escolha da técnica deve ser individualizada, baseada na anatomia da lesão e na experiência do operador.

A técnica de "kissing balloon" (balão simultâneo) é uma manobra utilizada durante a ICP de bifurcações para otimizar a expansão dos stents e corrigir deformidades na carina (a região de divisão entre o vaso principal e o ramo lateral). Ela é realizada após a implantação do stent, com dois balões insuflados simultaneamente, um no vaso principal e outro no ramo lateral. Essa técnica não é exclusiva de lesões do tronco proximal, sendo aplicada em qualquer bifurcação coronariana, incluindo as do TCE.

O acesso radial é amplamente utilizado em intervenções coronárias, incluindo as do TCE. Ele oferece vantagens como menor risco de sangramento, menor desconforto para o paciente e recuperação mais rápida. Embora o acesso radial possa exigir cateteres mais longos e, em alguns casos, guias mais rígidos, isso não contraindica seu uso no TCE. Na verdade, o acesso radial é frequentemente preferido em pacientes de alto risco, como aqueles com doença arterial periférica ou obesidade, pois reduz o risco de complicações vasculares.

A imagem intracoronária, incluindo a ultrassonografia intravascular (IVUS) e a tomografia de coerência óptica (OCT), é fundamental no planejamento e na otimização da ICP, especialmente em lesões complexas como as do TCE e bifurcações. O IVUS fornece informações detalhadas sobre a anatomia do vaso, incluindo o diâmetro do lúmen, a área da placa e a extensão da calcificação, permitindo a escolha adequada do tamanho do stent e a otimização da expansão. A OCT oferece uma resolução ainda maior, permitindo a avaliação detalhada da parede do vaso e da aposição do stent. Ambas as técnicas são amplamente utilizadas e recomendadas pelas diretrizes para guiar a ICP em lesões complexas.

A pegadinha desta questão está na generalização e na exclusividade. A alternativa A generaliza o uso de dois stents para todas as lesões de bifurcação, o que é incorreto, pois a técnica de stent único é a preferida na maioria dos casos. A alternativa B afirma que a técnica de "kissing balloon" é exclusiva de lesões do tronco proximal, o que é falso, pois ela é utilizada em qualquer bifurcação. A alternativa C contraindica o acesso radial no TCE, o que não é verdade, pois ele é amplamente utilizado e seguro. A alternativa E afirma que OCT e IVUS são inadequadas para planejar intervenções em bifurcações, o que é o oposto da prática clínica, pois essas técnicas são essenciais para o planejamento e a otimização desses procedimentos.

Guarde a fronteira entre o que é regra geral e o que é exceção: a técnica de stent único é a regra, a de dois stents é a exceção; o acesso radial é a regra, o femoral é a alternativa; a imagem intracoronária é essencial, não inadequada. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

1Indicação
Doença localizada
Alto risco cirúrgico
2Técnica de stent
Stent único (regra)
Dois stents (exceção)
3Acesso vascular
Radial (regra)
Femoral (alternativa)
4Imagem intracoronária
IVUS
OCT
ICP no TCE
LEVELsoulevel.com.br
ICP no TCE: Indicação (Doença localizada, Alto risco cirúrgico); Técnica de stent (Stent único (regra), Dois stents (exceção)); Acesso vascular (Radial (regra), Femoral (alternativa)); Imagem intracoronária (IVUS, OCT)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A afirmação de que "o uso de dois stents é preferido em todas as lesões de bifurcação" é incorreta. A técnica de stent único (provisional) é a estratégia preferida na maioria das lesões de bifurcação, pois é mais simples, com menor risco de complicações e resultados semelhantes em lesões não complexas. A técnica de dois stents é reservada para casos específicos, como ramo lateral grande ou lesão extensa. A palavra "todas" torna a alternativa incorreta, pois generaliza uma exceção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A técnica de "kissing balloon" não é exclusiva de lesões do tronco proximal. Ela é uma manobra utilizada em qualquer bifurcação coronariana, incluindo as do TCE, para otimizar a expansão dos stents e corrigir deformidades na carina. A palavra "exclusivamente" torna a alternativa incorreta, pois restringe indevidamente o uso da técnica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O acesso radial não é contraindicado em intervenções no TCE. Pelo contrário, é amplamente utilizado e oferece vantagens como menor risco de sangramento e maior conforto para o paciente. Embora possa exigir cateteres mais longos, isso não contraindica seu uso. A alternativa confunde uma dificuldade técnica com uma contraindicação absoluta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A intervenção percutânea no TCE é indicada em pacientes com doença localizada e alto risco cirúrgico. Nesse cenário, o benefício da ICP supera os riscos, sendo uma alternativa à CRM. A doença localizada (lesão ostial ou de corpo do tronco) é mais favorável à ICP, e o alto risco cirúrgico torna a CRM mais arriscada. Essa é a indicação clássica e correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As técnicas de OCT e IVUS são fundamentais para planejar intervenções em bifurcações, não inadequadas. Elas fornecem informações detalhadas sobre a anatomia do vaso, permitindo a escolha adequada do stent e a otimização da expansão. A alternativa inverte o papel dessas técnicas, que são essenciais na prática clínica.

Gabarito: letra D

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