Estenose aórtica e indicação de TAVI
Gabarito: letra B. A paciente tem estenose aórtica severa (gradiente médio de 50 mmHg, área valvar de 0,7 cm²) e é sintomática (dispneia classe funcional III da NYHA e síncope), com alto risco cirúrgico (Score STS de 8%). A principal indicação para o Implante Transcateter de Valva Aórtica (TAVI) é exatamente a combinação de estenose aórtica severa sintomática em paciente de alto risco cirúrgico, conforme as diretrizes de valvopatias.
A estenose aórtica é a valvulopatia mais frequente e caracteriza-se pela obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo. A gravidade é definida por parâmetros ecocardiográficos: área valvar ≤ 1,0 cm², gradiente médio ≥ 40 mmHg e velocidade máxima ≥ 4,0 m/s. Quando o paciente apresenta sintomas — dispneia, angina, síncope —, o prognóstico piora drasticamente, com sobrevida média de 2 a 3 anos sem intervenção. Por isso, a presença de sintomas é o gatilho para a intervenção, independentemente da fração de ejeção.
A escolha entre cirurgia convencional (troca valvar cirúrgica) e TAVI depende da avaliação do risco cirúrgico, geralmente estimado pelo Score STS (Society of Thoracic Surgeons) ou pelo EuroSCORE II. O TAVI é indicado para pacientes com estenose aórtica severa sintomática que apresentam alto risco cirúrgico (STS > 8%) ou são inoperáveis. A anatomia favorável (avaliada por tomografia) é um pré-requisito para a viabilidade do procedimento percutâneo.
No caso apresentado, a paciente tem 78 anos, é hipertensa, diabética e ex-tabagista — fatores que elevam o risco cirúrgico. O Score STS de 8% a classifica como alto risco, e a anatomia favorável à TAVI foi confirmada por tomografia. A recusa prévia à cirurgia por receio de complicações reforça a adequação da abordagem minimamente invasiva. A combinação de estenose severa + sintomas + alto risco cirúrgico é a indicação clássica de TAVI.
A pegadinha da questão está em distinguir a indicação de TAVI da indicação de cirurgia convencional e das contraindicações. A alternativa correta exige reconhecer que a paciente é sintomática e de alto risco, e não apenas que tem estenose severa. As demais alternativas apresentam cenários que não se aplicam: estenose moderada, regurgitação aórtica, paciente jovem ou paciente assintomático.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A paciente tem estenose aórtica severa, não moderada. O gradiente médio de 50 mmHg e a área valvar de 0,7 cm² são critérios de severidade. A alternativa erra ao classificar a estenose como moderada, o que excluiria a indicação de intervenção valvar percutânea.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A paciente tem estenose aórtica severa (gradiente médio 50 mmHg, área valvar 0,7 cm²), é sintomática (dispneia classe funcional III da NYHA e síncope) e apresenta alto risco cirúrgico (Score STS 8%). Essa é a tríade clássica que indica o TAVI: estenose severa sintomática em paciente de alto risco cirúrgico, com anatomia favorável confirmada por tomografia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A paciente tem estenose aórtica, não regurgitação aórtica. O gradiente médio de 50 mmHg é elevado, não reduzido. A regurgitação aórtica grave não é indicação de TAVI — o TAVI é um procedimento para estenose aórtica, não para insuficiência valvar.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A paciente tem 78 anos, não é jovem. Além disso, a alternativa menciona "contraindicação ao tratamento cirúrgico", mas a paciente tem alto risco cirúrgico (STS 8%), não contraindicação absoluta. O TAVI é indicado para alto risco ou inoperáveis, mas a descrição da alternativa não corresponde ao caso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A paciente é sintomática (dispneia classe funcional III da NYHA e síncope), não assintomática. A alternativa descreve um cenário de estenose severa assintomática, que tem indicação de intervenção apenas em casos específicos (ex.: FEVE < 50%, exercício provocando sintomas), o que não se aplica aqui.
Gabarito: letra B — estenose aórtica severa sintomática com alto risco cirúrgico é a principal indicação de TAVI neste caso.