Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu113302
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Em pacientes com doença de tronco de coronária esquerda, qual dos seguintes achados favorece a indicação de cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) em vez de intervenção coronária percutânea (ICP)?
  1. APaciente com diabetes mellitus e escore de SYNTAX baixo (< 22).
  2. BLesão isolada no tronco, sem comprometimento de bifurcações.
  3. CDoença arterial coronária triarterial com escore de SYNTAX elevado (> 33).
  4. DPaciente jovem (< 50 anos) sem comorbidades significativas.
  5. EDoença de tronco associada a hipertensão pulmonar leve.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Doença arterial coronária triarterial com escore de SYNTAX elevado (> 33).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Revascularização miocárdica: CRM versus ICP na doença de tronco

Gabarito: letra C. Na doença de tronco de coronária esquerda, a cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) é preferida à intervenção coronária percutânea (ICP) quando há doença triarterial associada e escore de SYNTAX elevado (> 33), pois a complexidade anatômica torna a cirurgia superior em desfechos. A alternativa C é a única que combina esses dois fatores de alta complexidade, que são exatamente os que favorecem a CRM.

A decisão entre CRM e ICP na doença arterial coronariana (DAC) é um dos pontos mais importantes da cardiologia intervencionista. O escore de SYNTAX é a ferramenta central dessa decisão: ele quantifica a complexidade anatômica das lesões coronarianas, considerando número de vasos acometidos, localização, bifurcações, oclusões totais crônicas, calcificação e tortuosidade. Quanto maior o escore, mais complexa é a anatomia e, portanto, maior o benefício da cirurgia em relação à angioplastia. A lógica é simples: lesões complexas têm piores resultados com stent, seja por maior taxa de reestenose, seja por maior dificuldade técnica de obter uma revascularização completa e duradoura.

A doença de tronco de coronária esquerda merece destaque especial porque o tronco irriga uma grande extensão do miocárdio — a parede anterior, septal e parte da lateral do ventrículo esquerdo. Uma lesão significativa (> 50%) nesse local coloca em risco uma área enorme de músculo cardíaco, e a revascularização nesses pacientes demonstrou aumento de sobrevida, como mencionado no material de apoio: "a revascularização do miocárdio é capaz de aumentar, de modo significativo, a sobrevida de pacientes com lesão de tronco de coronária esquerda". Historicamente, a CRM era a única opção para o tronco, mas com os stents farmacológicos modernos, a ICP tornou-se uma alternativa viável em casos selecionados — especialmente lesões de tronco isoladas, ostiais ou de baixa complexidade (SYNTAX baixo).

A diretriz atual (ACC/AHA) estabelece que, para doença de tronco, a CRM é preferível quando o escore de SYNTAX é intermediário (23–32) ou alto (> 33), enquanto a ICP é razoável apenas para SYNTAX baixo (< 22). Essa recomendação se baseia em estudos que mostraram que, em anatomia complexa, a cirurgia oferece menor taxa de eventos adversos maiores (morte, infarto, AVC) e menor necessidade de nova revascularização em longo prazo. O material de apoio reforça essa lógica ao afirmar que "há evidências de que existe uma vantagem em termos de sobrevida para os pacientes diabéticos com DAC múltipla submetidos à CRM em oposição à ICP" e que "um estudo recente também demonstrou benefício de sobrevida em longo prazo para a CRM sobre a ICP em face de DAC múltipla".

A pegadinha desta questão está em separar os fatores que favorecem a cirurgia daqueles que favorecem a angioplastia. A banca mistura características de baixa complexidade (que favorecem ICP) com características de alta complexidade (que favorecem CRM). O candidato que decora apenas "tronco = cirurgia" erra, pois a ICP é uma opção legítima em tronco de baixa complexidade. O que decide é a complexidade anatômica global, medida pelo SYNTAX, e a presença de doença multiarterial associada. Guarde este critério: quanto maior a complexidade anatômica (SYNTAX alto, doença triarterial, bifurcação complexa), maior a indicação de CRM; quanto menor a complexidade (SYNTAX baixo, lesão isolada, ostial), mais a ICP se equipara ou até supera a cirurgia. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Critério

Favorece CRM (Cirurgia)

Favorece ICP (Angioplastia)

Escore de SYNTAX

Elevado (> 33)

Baixo (< 22)

Extensão da doença

Triarterial (multiarterial)

Lesão isolada no tronco

Complexidade da lesão

Bifurcações, oclusões crônicas, calcificação

Sem comprometimento de bifurcações (ostial)

Perfil do paciente

Diabetes com DAC múltipla

Jovem, sem comorbidades significativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Diabetes mellitus com escore de SYNTAX baixo (< 22) favorece a ICP, não a CRM. O diabetes, isoladamente, é um fator que historicamente favorecia a cirurgia, mas quando o SYNTAX é baixo, a ICP com stents farmacológicos modernos é uma opção equivalente ou até preferível. A alternativa inverte a lógica: SYNTAX baixo é justamente o cenário em que a angioplastia é mais indicada.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Lesão isolada no tronco, sem comprometimento de bifurcações, é uma anatomia de baixa complexidade — exatamente o cenário em que a ICP é mais competitiva com a cirurgia. A ausência de bifurcação simplifica o procedimento percutâneo e reduz o risco de reestenose, favorecendo a angioplastia, não a CRM.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Doença arterial coronária triarterial com escore de SYNTAX elevado (> 33) é a combinação de máxima complexidade anatômica. A doença triarterial associada ao tronco significa que praticamente todo o leito coronariano está comprometido, e o SYNTAX > 33 indica lesões complexas (bifurcações, oclusões crônicas, calcificação). Nesse cenário, a CRM é claramente superior à ICP, com menor mortalidade e menor necessidade de reintervenção. É a indicação clássica de cirurgia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Paciente jovem (< 50 anos) sem comorbidades significativas é um fator que pode favorecer a ICP, pois a expectativa de vida longa torna a durabilidade do stent (com stents farmacológicos modernos) uma opção atraente, e a ausência de comorbidades reduz o risco do procedimento percutâneo. Além disso, a cirurgia tem morbidade inicial maior e a falência dos enxertos venosos em 5–10 anos é uma preocupação em pacientes jovens. A alternativa não traz nenhum fator de complexidade anatômica que favoreça a cirurgia.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Hipertensão pulmonar leve associada à doença de tronco não é um fator que favoreça especificamente a CRM em detrimento da ICP. A hipertensão pulmonar leve não altera a estratégia de revascularização coronariana; a decisão continua baseada na complexidade anatômica (SYNTAX) e na presença de doença multiarterial. A alternativa traz um dado clínico irrelevante para a escolha entre cirurgia e angioplastia.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os fatores que favorecem cada estratégia. O candidato que memoriza "tronco = cirurgia" cai nas alternativas A, B e D, que descrevem cenários de baixa complexidade — exatamente onde a ICP é competitiva. A chave é lembrar que a decisão não é binária (tronco ou não tronco), mas sim baseada na complexidade anatômica global: SYNTAX alto e doença triarterial puxam para a cirurgia; SYNTAX baixo e lesão isolada puxam para a angioplastia. Com esse critério em mente, a alternativa C se destaca como a única que reúne os dois fatores de alta complexidade.

Gabarito: letra C — doença triarterial com SYNTAX elevado é a indicação clássica de CRM em detrimento da ICP.

Link permanente: /questoes/vu113302