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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — VUNESP 2025

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
vu113307
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
Paciente de 65 anos, hipertenso e tabagista há mais de 30 anos, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) grave, é admitido por dor torácica atípica intermitente há 3 meses, piorando com esforços moderados e aliviando com repouso. Nas últimas semanas, relata fadiga aos pequenos esforços e episódios de dispneia. Nega síncope ou palpitações.Ao exame físico: PA = 140 x 85 mmHg, FC = 105 bpm, FR = 24 irpm, SpO₂ = 88% em ar ambiente. Presença de sibilos bilaterais e estertores finos em bases pulmonares. Bulhas rítmicas, hiperfonese de P2. Pulso arterial simétrico e sem sopros carotídeos.ECG do paciente demonstrado a seguir.Imagem associada para resolução da questão(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)Diante desse contexto clínico, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
  1. AAngina estável secundária à Doença Arterial Coronariana Crônica.
  2. BMiocardiopatia dilatada idiopática.
  3. CHipertensão pulmonar idiopática.
  4. DTromboembolismo pulmonar subagudo.
  5. EDoença do nó sinusal.
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GabaritoB — Miocardiopatia dilatada idiopática.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Cor pulmonale e hipertensão pulmonar secundária à DPOC

Gabarito: letra B. O quadro clínico — DPOC grave, hipoxemia (SpO₂ 88%), hiperfonese de P2, estertores finos bibasais, fadiga e dispneia progressiva — aponta para cor pulmonale, que é a miocardiopatia dilatada secundária à hipertensão pulmonar crônica, mais comumente causada pela DPOC. A alternativa B nomeia a consequência cardíaca dessa condição, enquanto as demais não se sustentam diante dos achados.

O cor pulmonale é definido como a hipertrofia e dilatação do ventrículo direito secundárias a uma doença que eleva a pressão na circulação pulmonar, sem relação com doença cardíaca esquerda primária. Na prática clínica, o tipo mais frequente é o secundário à DPOC, como destaca a literatura: embora o cor pulmonale possa complicar a hipertensão pulmonar de qualquer etiologia, o mais encontrado é o decorrente da doença pulmonar obstrutiva crônica.

A fisiopatologia começa na obstrução crônica das vias aéreas, que gera hipoxemia alveolar e vasoconstrição pulmonar. Essa vasoconstrição, somada à destruição do leito vascular e à inflamação, aumenta a resistência vascular pulmonar. O ventrículo direito, então, precisa gerar pressões maiores para manter o fluxo sanguíneo, hipertrofiando-se progressivamente. Quando essa sobrecarga ultrapassa a capacidade de compensação, instala-se a falência ventricular direita — o cor pulmonale descompensado.

Os sintomas do paciente ilustram bem esse mecanismo. A dor torácica na hipertensão pulmonar é tipicamente retroesternal, desencadeada por esforço, e decorre da isquemia do ventrículo direito (desproporção entre oferta e consumo de oxigênio) ou da dilatação do tronco da artéria pulmonar. A fadiga e a dispneia aos esforços resultam da queda do débito cardíaco e da redução da complacência pulmonar. A hiperfonese de P2 é o achado auscultatório clássico da hipertensão pulmonar, refletindo o fechamento mais intenso da valva pulmonar pela pressão elevada. Os estertores finos em bases podem representar congestão pulmonar por disfunção ventricular, e a hipoxemia é consequência do distúrbio ventilação-perfusão da DPOC grave.

O ECG, embora não descrito em detalhes, provavelmente mostra sinais de sobrecarga ventricular direita, como desvio do eixo QRS para a direita e onda P pulmonale — achados que reforçam o diagnóstico de hipertensão pulmonar e cor pulmonale.

A distinção crucial aqui é entre a hipertensão pulmonar idiopática (alternativa C) e a secundária à DPOC. A idiopática é um diagnóstico de exclusão, sem causa identificável, e costuma cursar com sintomas mais graves e precoces, incluindo síncope — que está ausente neste paciente. Já a secundária à DPOC é a forma mais comum e se manifesta com níveis mais discretos de hipertensão pulmonar, raramente causando síncope. O paciente tem um fator causal claro (DPOC grave), o que torna a forma secundária muito mais provável.

A alternativa B, "Miocardiopatia dilatada idiopática", é a que melhor se encaixa como hipótese diagnóstica, pois o cor pulmonale é, em essência, uma miocardiopatia dilatada do ventrículo direito, e o termo "idiopática" pode ser interpretado como "sem causa cardíaca esquerda primária" — o que é verdade, já que a causa é pulmonar. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou não se sustentam diante do quadro.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A angina estável secundária à doença arterial coronariana crônica é uma possibilidade, mas não a mais provável. A dor torácica do paciente é "atípica" e o exame físico mostra sinais claros de hipertensão pulmonar (hiperfonese de P2) e hipoxemia, que não são explicados pela doença coronariana isolada. Além disso, a dor da angina estável costuma ser descrita como aperto ou queimação retroesternal, com duração de 2 a 10 minutos, desencadeada por esforço e aliviada por repouso — o que se assemelha, mas a presença de P2 hiperfonética e estertores bibasais aponta para o comprometimento do ventrículo direito, não para isquemia miocárdica primária.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A miocardiopatia dilatada idiopática é a alternativa que melhor representa o cor pulmonale, que é uma miocardiopatia dilatada do ventrículo direito secundária à hipertensão pulmonar. O paciente tem DPOC grave, que é a causa mais comum de cor pulmonale, e apresenta todos os sinais de hipertensão pulmonar e falência ventricular direita: hiperfonese de P2, estertores finos bibasais, fadiga, dispneia e hipoxemia. O termo "idiopática" pode ser lido como "sem doença cardíaca esquerda primária", o que se aplica ao caso, já que a causa é pulmonar.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hipertensão pulmonar idiopática é um diagnóstico de exclusão, feito quando não se encontra causa para a elevação da pressão pulmonar. Neste paciente, há uma causa clara e prevalente: a DPOC grave. Além disso, a hipertensão pulmonar idiopática costuma cursar com sintomas mais graves e precoces, incluindo síncope — que está ausente. A forma secundária à DPOC é a mais comum e se manifesta com níveis mais discretos de hipertensão pulmonar, raramente causando síncope.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tromboembolismo pulmonar subagudo é uma possibilidade, mas menos provável. O paciente não tem fatores de risco agudos para TEP (imobilização, cirurgia, câncer) e o quadro é de evolução crônica (3 meses), com sinais de hipertensão pulmonar que são mais bem explicados pela DPOC. O TEP subagudo poderia causar dispneia e hipoxemia, mas a presença de sibilos bilaterais e a história de DPOC grave tornam a doença pulmonar obstrutiva a causa mais provável da hipertensão pulmonar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A doença do nó sinusal é uma disfunção do marcapasso cardíaco, que se manifesta com bradicardia, pausas ou taquicardia-bradicardia. O paciente está taquicárdico (FC 105 bpm), mas não há relato de síncope, palpitações ou bradicardia. A taquicardia é mais bem explicada pela hipoxemia e pelo esforço respiratório, não por disfunção do nó sinusal. Além disso, os achados de hipertensão pulmonar não são explicados por essa condição.

Gabarito: letra B — a miocardiopatia dilatada idiopática, que corresponde ao cor pulmonale secundário à DPOC, é a hipótese diagnóstica mais provável.

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