Profilaxia da malária em viajante com deficiência de G6PD
Gabarito: letra C. Para uma viajante com deficiência de G6PD que irá para área de alto risco de transmissão de malária (Nigéria), a doxiciclina 100 mg/dia é a opção profilática adequada, devendo ser iniciada 1 a 2 dias antes da viagem, mantida durante a exposição e continuada por 4 semanas após o retorno. A cloroquina não é eficaz contra o Plasmodium falciparum (predominante na África), e a primaquina e a tafenoquina são contraindicadas na deficiência de G6PD por risco de hemólise grave.
A profilaxia da malária em viajantes é indicada para áreas de alto risco de transmissão, especialmente de P. falciparum, quando a permanência for superior ao período de incubação da doença e o acesso ao diagnóstico e tratamento for limitado. A Nigéria é uma área de alta endemicidade, com predomínio de P. falciparum, portanto a quimioprofilaxia está claramente indicada. Os medicamentos recomendados são: doxiciclina, mefloquina, atovaquona-proguanil e cloroquina. A escolha depende do perfil de resistência local, da duração da viagem e das contraindicações individuais.
A deficiência de G6PD é uma condição genética ligada ao cromossomo X que causa suscetibilidade à hemólise quando o indivíduo é exposto a agentes oxidantes, incluindo alguns medicamentos. A primaquina e a tafenoquina, ambas 8-aminoquinolinas, são contraindicadas nesses pacientes, pois podem desencadear hemólise aguda grave, com anemia, icterícia e até insuficiência renal. A doxiciclina, por sua vez, não possui esse risco hemolítico, sendo uma alternativa segura e eficaz.
O esquema com doxiciclina é: 100 mg por via oral, uma vez ao dia, iniciado 1 a 2 dias antes da viagem, mantido diariamente durante toda a permanência em área de risco e continuado por 4 semanas após o retorno. Esse esquema é o que a alternativa C descreve corretamente. A alternativa B erra ao indicar cloroquina, que não protege contra P. falciparum resistente, e as alternativas D e E erram ao indicar fármacos contraindicados na deficiência de G6PD.
A pegadinha central desta questão é a combinação de dois fatores: a necessidade de profilaxia para área de alto risco e a contraindicação das 8-aminoquinolinas na deficiência de G6PD. O candidato que conhece apenas os esquemas padrão pode marcar primaquina ou tafenoquina, sem considerar a contraindicação. A doxiciclina surge como a opção segura e eficaz, sendo a resposta correta.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que não está indicada a profilaxia. A Nigéria é área de alto risco de transmissão de P. falciparum, e a viajante permanecerá por 30 dias, período superior ao de incubação. Portanto, a quimioprofilaxia está indicada. A alternativa contraria as recomendações para viajantes a áreas endêmicas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Indica cloroquina 400 mg/dia. A cloroquina não é eficaz contra P. falciparum resistente, predominante na África, e não é recomendada como profilática nessa região. Além disso, a dose profilática usual de cloroquina é de 300 mg (base) por semana, não 400 mg/dia. A alternativa erra tanto na escolha do fármaco quanto na dose.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve corretamente o esquema com doxiciclina 100 mg/dia: iniciar 2 dias antes da viagem, manter durante a exposição e continuar por 30 dias após o retorno. A doxiciclina é eficaz contra P. falciparum, não é contraindicada na deficiência de G6PD e é uma das opções recomendadas para quimioprofilaxia. O esquema está de acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde e da OMS.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Indica primaquina por 4 semanas. A primaquina é contraindicada em pacientes com deficiência de G6PD, pois pode causar hemólise aguda grave. Além disso, a primaquina é usada principalmente para prevenção de recaídas de P. vivax e P. ovale, não como profilaxia primária em área de P. falciparum. A alternativa é duplamente errada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Indica tafenoquina em dose única. A tafenoquina, assim como a primaquina, é contraindicada na deficiência de G6PD pelo risco de hemólise. Além disso, seu uso é para prevenção de recaídas, não para profilaxia primária. A alternativa ignora a contraindicação e o contexto clínico.
Gabarito: letra C