Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
vu113320
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Infectologia
Em relação a neurossífilis, é correto afirmar que o
Atratamento de escolha é a ceftriaxona 2 g, IV/dia, por dez dias.
Btratamento de escolha na gestante é a penicilina G cristalina 18 a 24 milhões UI/dia, por via endovenosa, a cada quatro horas, por sete dias.
Cseguimento do tratamento deve ser feito com o VDRL a cada três meses.
Dtratamento alternativo na gestante é a doxiciclina 100 mg, de doze em doze horas, via oral, por trinta dias.
Eseguimento do tratamento deve ser a realização do exame de liquor de seis em seis meses, até normalização.
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GabaritoE — seguimento do tratamento deve ser a realização do exame de liquor de seis em seis meses, até normalização.
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Neurossífilis: tratamento e seguimento
Gabarito: letra E. O seguimento pós-tratamento da neurossífilis é feito com exame do liquor (LCR) a cada seis meses, até a normalização — exatamente o que afirma a alternativa E. As demais alternativas erram ao trocar o esquema de primeira escolha pelo alternativo, ao indicar droga inadequada para gestante ou ao fixar intervalo de seguimento incorreto. A base para essa resposta está no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para IST, que padroniza o manejo da neurossífilis.
A neurossífilis é a forma da sífilis em que o Treponema pallidum invade o sistema nervoso central, podendo ocorrer em qualquer estágio da doença. O diagnóstico é firmado pela combinação de achados clínicos neurológicos ou oftalmológicos com alterações no liquor — como VDRL reagente, pleocitose e aumento de proteínas. O tratamento de primeira escolha é sempre a penicilina G cristalina (potássica ou sódica) por via endovenosa, na dose de 18 a 24 milhões de UI por dia, administrada em doses de 3 a 4 milhões de UI a cada 4 horas, por 14 dias. A ceftriaxona 2 g IV ao dia por 10 a 14 dias é a alternativa para pacientes com contraindicação à penicilina — mas nunca para gestantes, para quem a penicilina é a única opção segura e eficaz.
O ponto central da questão é o seguimento pós-tratamento. Diferentemente das formas recentes e tardias da sífilis, em que o controle é feito com teste não treponêmico (VDRL) no sangue a cada três meses, na neurossífilis o monitoramento exige punção liquórica de controle. O protocolo determina que o exame de LCR seja repetido a cada seis meses, até a normalização da celularidade e a negativação do VDRL no liquor. Essa distinção é o que separa a alternativa correta das incorretas: a banca mistura o seguimento da sífilis recente/tardia (VDRL trimestral) com o da neurossífilis (LCR semestral).
Na prática, imagine um paciente tratado para neurossífilis com o esquema de 14 dias de penicilina cristalina. Seis meses após o término do tratamento, ele deve repetir a punção lombar. Se o liquor ainda mostrar alterações, o retratamento é indicado e novas punções são feitas a cada seis meses, até que o LCR se normalize. Em pessoas vivendo com HIV, essa resposta pode ser mais lenta, exigindo avaliação individualizada. A normalização do VDRL sérico (queda de pelo menos duas diluições ou sororreversão) pode ser um parâmetro auxiliar, mas não substitui o exame do liquor.
A pegadinha da questão está em três frentes: (1) trocar o tratamento de primeira escolha (penicilina cristalina) pelo alternativo (ceftriaxona); (2) usar a doxiciclina — que é alternativa para sífilis recente e tardia, mas não para neurossífilis e jamais para gestantes; e (3) confundir o seguimento da neurossífilis (LCR semestral) com o das outras formas (VDRL trimestral). Guarde a fronteira entre o seguimento sorológico e o liquórico: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Forma clínica
Tratamento de 1ª escolha
Tratamento alternativo
Seguimento
Neurossífilis
Penicilina G cristalina 18–24 milhões UI/dia EV, a cada 4h, por 14 dias
Ceftriaxona 2 g IV/dia por 10–14 dias (não para gestantes)
LCR a cada 6 meses até normalização
Sífilis recente/tardia
Penicilina benzatina (dose conforme estágio)
Doxiciclina 100 mg 12/12h por 30 dias (não para gestantes)
VDRL sérico a cada 3 meses
Neurossífilis: Tratamento de 1ª escolha (Penicilina G cristalina 18-24 mi UI/dia EV, 14 dias); Alternativo (não gestante) (Ceftriaxona 2 g IV/dia, 10 a 14 dias); Gestante (Penicilina é única opção); Seguimento (LCR a cada 6 meses, Até normalização)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ceftriaxona 2 g IV ao dia por 10 a 14 dias é o tratamento alternativo da neurossífilis, indicado apenas quando há contraindicação à penicilina. O tratamento de primeira escolha é a penicilina G cristalina 18 a 24 milhões UI/dia, EV, por 14 dias. A alternativa erra ao apresentar a droga alternativa como se fosse a preferencial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O esquema descrito — penicilina G cristalina 18 a 24 milhões UI/dia, EV, a cada 4 horas — é o tratamento de primeira escolha da neurossífilis em qualquer paciente, inclusive gestantes. O erro está na duração: o protocolo determina 14 dias, não 7 dias. A alternativa reduz o tempo de tratamento pela metade, o que comprometeria a erradicação do treponema no SNC.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O seguimento com VDRL a cada três meses é o padrão para sífilis recente e tardia (teste não treponêmico trimestral). Na neurossífilis, o monitoramento é feito com exame do liquor (LCR) a cada seis meses, até a normalização. A alternativa confunde o seguimento sorológico das formas não neurológicas com o seguimento liquórico da neurossífilis.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A doxiciclina 100 mg 12/12h por 30 dias é alternativa para sífilis tardia (latente tardia ou terciária) em não gestantes. Na neurossífilis, a doxiciclina não é opção — o tratamento alternativo é a ceftriaxona. Além disso, em gestantes, a penicilina é a única opção segura e eficaz; qualquer outro esquema é considerado tratamento inadequado, levando à notificação do recém-nascido como sífilis congênita.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O seguimento pós-tratamento da neurossífilis é feito com exame do liquor (LCR) a cada seis meses, até a normalização da celularidade e negativação do VDRL no LCR. Se persistirem alterações, indica-se retratamento e novas punções em intervalos de seis meses. Essa é a conduta preconizada pelo PCDT do Ministério da Saúde.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura os esquemas de tratamento e seguimento entre as formas de sífilis. O candidato que decora apenas o tratamento da neurossífilis pode marcar a letra A (ceftriaxona como primeira escolha) ou a letra C (VDRL trimestral). A chave é lembrar: neurossífilis = penicilina cristalina 14 dias + LCR semestral; sífilis recente/tardia = benzatina + VDRL trimestral. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Monte uma tabela mental com três colunas — forma clínica, tratamento de primeira escolha e seguimento. Para neurossífilis, grave: penicilina cristalina 18-24 milhões UI/dia EV por 14 dias; alternativa ceftriaxona 2g IV por 10-14 dias; seguimento com LCR a cada 6 meses até normalizar. Para gestantes, a penicilina é sempre a única opção.