Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — VUNESP 2025
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
vu113330
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Infectologia Hospitalar
Um paciente internado recebe prescrição de hidralazina, um vasodilatador usado no controle da hipertensão arterial. No mesmo setor, outro paciente tem prescrição de hidroxizina, um anti-histamínico indicado para o tratamento de prurido e ansiedade. Ao dispensar os medicamentos, o farmacêutico nota a similaridade entre os nomes e reconhece o risco de erro de medicação, considerando as diferenças nas indicações clínicas e nos riscos associados a cada fármaco. Qual das ações a seguir é a mais adequada e segura para prevenir um erro de medicação nesse caso?
ADestacar na embalagem e no rótulo a parte do nome que diferencia os medicamentos (DRALAZINA e DROXIZINA) e orientar a equipe de enfermagem sobre o risco de confusão.
BDispensar os medicamentos normalmente, confiando na capacidade da equipe de enfermagem para conferir os nomes corretamente.
CComunicar ao médico prescritor a similaridade entre os nomes e sugerir a substituição por medicamentos com nomes distintos, mesmo que isso demande ajustes no plano terapêutico dos pacientes.
DInformar às gerências médica e de enfermagem sobre a situação, solicitando a criação de um protocolo institucional para prevenir erros com medicamentos de nomes semelhantes.
EDispensar os medicamentos com um aviso verbal à equipe de enfermagem, destacando a necessidade de atenção na administração dos medicamentos.
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GabaritoA — Destacar na embalagem e no rótulo a parte do nome que diferencia os medicamentos (DRALAZINA e DROXIZINA) e orientar a equipe de enfermagem sobre o risco de confusão.
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Erros de medicação: prevenção de confusão entre nomes semelhantes
Gabarito: letra A. A ação mais adequada e segura é destacar na embalagem e no rótulo a parte do nome que diferencia os medicamentos (DRALAZINA e DROXIZINA) e orientar a equipe de enfermagem sobre o risco de confusão. Essa medida combina uma barreira visual imediata (rotulagem diferenciada) com a educação da equipe, atacando diretamente o fator que causa o erro — a semelhança fonética e ortográfica entre os nomes — sem depender exclusivamente da memória ou da atenção de quem administra.
O erro de medicação por nomes semelhantes (look-alike/sound-alike — LASA) é um problema clássico e grave na prática clínica. Medicamentos como hidralazina (vasodilatador anti-hipertensivo) e hidroxizina (anti-histamínico sedativo) têm grafia e pronúncia muito próximas, o que aumenta exponencialmente o risco de troca na prescrição, na dispensação e na administração. A troca entre eles teria consequências clínicas sérias: administrar hidralazina a um paciente que deveria receber hidroxizina poderia causar hipotensão grave, enquanto o oposto poderia levar a sedação excessiva e falta do efeito anti-hipertensivo.
A prevenção de erros LASA é uma responsabilidade compartilhada, mas o farmacêutico, como profissional responsável pela dispensação, tem um papel central. As estratégias de prevenção são hierarquizadas: as mais eficazes são aquelas que criam barreiras no sistema (como a diferenciação visual obrigatória), seguidas pela educação e pela comunicação. A alternativa A combina exatamente essas duas camadas: a rotulagem diferenciada (barreira física) e a orientação à equipe (educação). Essa abordagem é proativa, específica e imediatamente aplicável, sem depender de mudanças estruturais complexas ou de ações que possam atrasar o tratamento.
A alternativa C, que sugere a substituição dos medicamentos por outros com nomes distintos, é clinicamente inadequada e perigosa. A hidralazina e a hidroxizina têm indicações terapêuticas completamente diferentes e não são intercambiáveis. Alterar o plano terapêutico de dois pacientes apenas para evitar uma confusão de nomes seria um erro grave de conduta médica, pois poderia comprometer o tratamento da hipertensão e do prurido/ansiedade, respectivamente. A substituição de medicamentos só é aceitável quando há equivalência terapêutica, o que não é o caso aqui.
A alternativa D, de criar um protocolo institucional, é uma medida válida e importante em nível de gestão, mas não é a ação mais adequada e imediata para o caso concreto. O farmacêutico, ao identificar o risco naquele momento, deve agir de forma direta e específica para evitar o erro naquela dispensação. A criação de um protocolo é uma ação de longo prazo, que não resolve a urgência do caso. A alternativa A é mais adequada porque é uma ação imediata, concreta e focada no problema específico.
A alternativa E, de apenas avisar verbalmente a equipe, é insuficiente e frágil. A comunicação verbal é facilmente esquecida, especialmente em ambientes de alta demanda como um hospital. A prevenção de erros de medicação não pode depender da memória ou da atenção de uma única pessoa. A alternativa A, ao criar uma barreira visual (rotulagem) e reforçar com orientação, é muito mais robusta e segura.
A alternativa B, de dispensar normalmente confiando na capacidade da equipe, é a mais perigosa e negligente. Ela ignora completamente o risco identificado e não implementa nenhuma barreira de segurança. A confiança na equipe é importante, mas não substitui a necessidade de sistemas à prova de erro. Essa postura é contrária a todos os princípios de segurança do paciente.
Prevenção de erros LASA
1Barreiras de segurança
Rotulagem diferenciada (imediata)
Educação da equipe
Protocolo institucional (longo prazo)
2Ações inadequadas
Confiar na memória da equipe
Aviso verbal apenas
Substituir medicamentos sem equivalência
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a ação mais adequada e segura. Ela implementa uma barreira visual imediata (destacar a parte do nome que diferencia os medicamentos) e, simultaneamente, educa a equipe de enfermagem sobre o risco específico. Essa abordagem é proativa, específica e não depende de mudanças estruturais complexas. É a medida que ataca diretamente a causa do erro (a semelhança dos nomes) e reduz o risco de forma imediata e eficaz.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Dispensar normalmente, confiando na capacidade da equipe, é uma postura negligente. Ignora o risco identificado e não implementa nenhuma barreira de segurança. A confiança na equipe não substitui a necessidade de sistemas à prova de erro. Essa conduta é contrária aos princípios de segurança do paciente e aumenta o risco de erro de medicação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Sugerir a substituição dos medicamentos por outros com nomes distintos é clinicamente inadequado e perigoso. Hidralazina e hidroxizina têm indicações terapêuticas completamente diferentes e não são intercambiáveis. Alterar o plano terapêutico de dois pacientes apenas para evitar confusão de nomes comprometeria o tratamento da hipertensão e do prurido/ansiedade, respectivamente. A substituição só é aceitável quando há equivalência terapêutica, o que não é o caso.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Criar um protocolo institucional é uma medida válida e importante em nível de gestão, mas não é a ação mais adequada e imediata para o caso concreto. O farmacêutico, ao identificar o risco naquele momento, deve agir de forma direta e específica para evitar o erro naquela dispensação. A criação de um protocolo é uma ação de longo prazo, que não resolve a urgência do caso. A alternativa A é mais adequada por ser uma ação imediata, concreta e focada no problema específico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Apenas avisar verbalmente a equipe é insuficiente e frágil. A comunicação verbal é facilmente esquecida, especialmente em ambientes de alta demanda como um hospital. A prevenção de erros de medicação não pode depender da memória ou da atenção de uma única pessoa. A alternativa A, ao criar uma barreira visual (rotulagem) e reforçar com orientação, é muito mais robusta e segura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato escolher a alternativa D (criar protocolo institucional), que parece a mais "completa" e "estrutural". No entanto, a questão pede a ação mais adequada e segura para prevenir um erro de medicação nesse caso — ou seja, uma ação imediata e específica para a situação concreta. O protocolo é uma medida de longo prazo, que não resolve a urgência do caso. A pegadinha está em confundir "ação ideal de gestão" com "ação imediata de segurança do paciente".
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre prevenção de erros de medicação, priorize sempre a ação que cria uma barreira imediata (como rotulagem diferenciada) e que educa a equipe sobre o risco específico. Ações estruturais (protocolos) são importantes, mas não são a resposta quando a pergunta pede a ação "mais adequada e segura" para o caso concreto. Lembre-se: a hierarquia das barreiras de segurança coloca as barreiras físicas (rotulagem) acima da dependência da memória humana.