Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
vu113333
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Infectologia Hospitalar
Um hospital está implantando ações para melhorar o uso de antimicrobianos como parte de seu programa de gerenciamento. A equipe busca priorizar estratégias que integrem intervenções gerais e específicas, a fim de otimizar as prescrições em diversas unidades. Qual das alternativas abaixo reúne as ações prioritárias mais adequadas para alcançar esse objetivo?
AUtilização de protocolos para as principais síndromes clínicas, auditoria das prescrições de antimicrobianos e implementação de medidas restritivas.
BRestrição de antimicrobianos intravenosos, revisão das prescrições a cada cinco dias de uso e dispensação automatizada de antimicrobianos.
CFlexibilização das prescrições médicas, incremento do estoque de antimicrobianos de amplo espectro e ajuste de doses pela farmácia.
DAlertas para terapias duplicadas, uso de inteligência artificial pela farmácia para a revisão das prescrições e capacitação da equipe de enfermagem.
EAuditoria retrospectiva das prescrições, orientação de pacientes sobre as escolhas terapêuticas e avaliação dos custos de antimicrobianos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Utilização de protocolos para as principais síndromes clínicas, auditoria das prescrições de antimicrobianos e implementação de medidas restritivas.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gerenciamento de antimicrobianos: estratégias prioritárias
Gabarito: letra A. A alternativa correta reúne as ações prioritárias de um programa de gerenciamento de antimicrobianos (ASP): utilização de protocolos para as principais síndromes clínicas, auditoria das prescrições e implementação de medidas restritivas. Essas estratégias integram intervenções gerais (protocolos e auditoria) e específicas (restrição), otimizando as prescrições em diversas unidades hospitalares.
O gerenciamento de antimicrobianos (Antimicrobial Stewardship Program – ASP) é uma estratégia institucional que visa otimizar a seleção, a dose e a duração da terapia antimicrobiana, produzindo o melhor resultado clínico e minimizando os riscos de resistência bacteriana, infecções por Clostridioides difficile e gastos excessivos. As estratégias implementadas por programas de gestão de antimicrobianos incluem educação e diretrizes para médicos, redução ou adaptação da terapia empírica, uso de tratamentos empíricos mais apropriados e restrição inicial de certos antibióticos.
Na prática, um programa eficaz combina intervenções gerais — como a elaboração de protocolos baseados nas principais síndromes clínicas (pneumonia, sepse, infecção urinária) e a auditoria das prescrições, que pode ser prospectiva (com feedback ao prescritor) ou retrospectiva — com intervenções específicas, como medidas restritivas (restrição de determinados antimicrobianos a situações específicas, exigindo justificativa ou aprovação da equipe de controle de infecção). A auditoria prospectiva com feedback é considerada uma das estratégias mais efetivas, pois permite intervenção em tempo real, enquanto a auditoria retrospectiva tem menor impacto imediato.
A distinção crucial é entre estratégias que integram intervenções gerais e específicas (como a alternativa A) e aquelas que são fragmentadas ou inadequadas. A alternativa B, por exemplo, menciona "revisão das prescrições a cada cinco dias de uso", um prazo arbitrário sem respaldo em diretrizes — a revisão deve ser contínua ou baseada em pontos de decisão clínicos, não em um intervalo fixo. A alternativa C propõe "flexibilização das prescrições", o que contraria o princípio do uso racional, e "incremento do estoque de antimicrobianos de amplo espectro", que aumenta o risco de resistência. A alternativa D, embora inclua alertas para terapias duplicadas e capacitação, foca em "uso de inteligência artificial pela farmácia" e "capacitação da equipe de enfermagem", que são medidas complementares, mas não as ações prioritárias centrais. A alternativa E menciona "auditoria retrospectiva" (menos efetiva que a prospectiva) e "orientação de pacientes sobre as escolhas terapêuticas", que não é uma ação prioritária típica de um programa de gerenciamento.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que contêm elementos plausíveis, mas que não representam o conjunto prioritário e integrado de ações. O candidato deve identificar a alternativa que melhor reflete as estratégias centrais de um ASP: protocolos, auditoria e restrição. Essas três ações são amplamente reconhecidas como pilares dos programas de gerenciamento de antimicrobianos, conforme diretrizes de sociedades de infectologia e controle de infecção.
Estratégias de ASP (gerenciamento de antimicrobianos): Intervenções gerais (Protocolos por síndromes clínicas, Auditoria prospectiva com feedback); Intervenções específicas (Medidas restritivas); Ações complementares (não prioritárias) (Alertas de duplicidade, Capacitação da equipe, Ajuste de doses pela farmácia)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reúne as ações prioritárias mais adequadas: utilização de protocolos para as principais síndromes clínicas (intervenção geral que padroniza a prescrição), auditoria das prescrições de antimicrobianos (intervenção que permite avaliar e corrigir o uso) e implementação de medidas restritivas (intervenção específica que limita o uso de antimicrobianos de amplo espectro ou de alto custo). Essas três estratégias são complementares e integram o núcleo de um programa de gerenciamento de antimicrobianos, otimizando as prescrições em diversas unidades hospitalares.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B contém elementos que não são prioritários ou são inadequados: a "restrição de antimicrobianos intravenosos" é uma medida restritiva, mas não é a mais abrangente; a "revisão das prescrições a cada cinco dias de uso" é um prazo arbitrário, sem respaldo em diretrizes — a revisão deve ser contínua ou baseada em pontos de decisão clínicos; e a "dispensação automatizada de antimicrobianos" é uma medida logística, não uma estratégia central de gerenciamento. O erro específico é o prazo fixo de cinco dias, que não corresponde a nenhuma recomendação padrão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C propõe "flexibilização das prescrições médicas", o que contraria o princípio do uso racional de antimicrobianos — o objetivo é otimizar, não flexibilizar. O "incremento do estoque de antimicrobianos de amplo espectro" aumenta o risco de resistência bacteriana e de infecções por Clostridioides difficile, além de elevar custos. O "ajuste de doses pela farmácia" é uma medida complementar, mas não é uma ação prioritária isolada. O erro central é a flexibilização, que vai contra a lógica do gerenciamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D inclui "alertas para terapias duplicadas" (uma medida útil, mas complementar), "uso de inteligência artificial pela farmácia para a revisão das prescrições" (uma ferramenta emergente, mas não uma ação prioritária estabelecida) e "capacitação da equipe de enfermagem" (importante, mas não é o núcleo do programa). A alternativa não reúne as ações prioritárias centrais — protocolos, auditoria e restrição — e foca em medidas periféricas ou tecnológicas que, embora possam apoiar, não são as principais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E menciona "auditoria retrospectiva das prescrições", que é menos efetiva que a auditoria prospectiva com feedback, pois não permite intervenção em tempo real. A "orientação de pacientes sobre as escolhas terapêuticas" não é uma ação prioritária típica de um programa de gerenciamento de antimicrobianos — o foco é o prescritor. A "avaliação dos custos de antimicrobianos" é relevante, mas não é uma ação central. O erro específico é a auditoria retrospectiva, que tem menor impacto na otimização das prescrições.