Questão de Medicina — Biossegurança em Medicina — VUNESP 2025
Medicina›Biossegurança em Medicina
Código
vu113339
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Infectologia Hospitalar
Um paciente de 62 anos será submetido a uma cirurgia ortopédica. Qual das seguintes práticas é indicada para minimizar o risco de infecção durante o preparo da pele do paciente?
AUtilizar álcool 70% para a antissepsia da pele, aplicando em movimentos de vai e vem, para garantir a completa desinfecção da área.
BRealizar a tricotomia com lâmina de barbear no centro cirúrgico, imediatamente antes da incisão, para facilitar o acesso cirúrgico.
CUtilizar antisséptico alcoólico em mucosas, caso a área a ser operada inclua essas regiões, para garantir a desinfecção completa.
DNão é necessário realizar a limpeza da pele antes da aplicação do antisséptico, uma vez que este já remove qualquer sujidade e a flora bacteriana residente.
EAplicar clorexidina 2% em movimentos circulares e concêntricos, do centro para a periferia, na preparação da pele no local cirúrgico.
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GabaritoE — Aplicar clorexidina 2% em movimentos circulares e concêntricos, do centro para a periferia, na preparação da pele no local cirúrgico.
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Preparo da pele no sítio cirúrgico: antissepsia e prevenção de infecção
Gabarito: letra E. A prática correta para minimizar o risco de infecção no preparo da pele é aplicar clorexidina 2% em movimentos circulares e concêntricos, do centro para a periferia, pois essa técnica garante a antissepsia adequada sem arrastar microrganismos de áreas contaminadas para a região da incisão. As demais alternativas apresentam erros técnicos que aumentam o risco de infecção do sítio cirúrgico.
O preparo da pele do paciente é uma etapa fundamental na prevenção de infecção de sítio cirúrgico (ISC), uma das complicações mais temidas em cirurgias ortopédicas, especialmente em procedimentos com implantes de próteses. O objetivo é reduzir a carga microbiana da pele, eliminando tanto a flora transitória quanto reduzindo a flora residente, sem danificar o tecido e sem criar condições que favoreçam a proliferação bacteriana.
A técnica correta de antissepsia envolve a aplicação do antisséptico em movimentos circulares e concêntricos, partindo do centro (onde será feita a incisão) para a periferia. Esse movimento é essencial porque, ao contrário do vai e vem, ele não traz microrganismos das áreas mais distantes e potencialmente mais contaminadas de volta para o sítio cirúrgico. A clorexidina 2% é um dos antissépticos de escolha para a pele íntegra, pois possui ação residual prolongada, ou seja, continua agindo por horas após a aplicação, o que é particularmente vantajoso em cirurgias longas como as ortopédicas.
A escolha do antisséptico também é importante. A clorexidina tem espectro de ação amplo, com boa atividade contra bactérias gram-positivas e gram-negativas, e mantém sua atividade na presença de matéria orgânica. O álcool 70% tem rápida ação, mas não possui efeito residual, e sua eficácia é reduzida na presença de sujidade. Já os antissépticos alcoólicos, embora eficazes na pele íntegra, são contraindicados em mucosas por causarem irritação e dano tecidual.
Outro ponto crítico é a tricotomia. A remoção de pelos com lâmina de barbear é desaconselhada, pois causa microlesões na pele que servem de porta de entrada para bactérias, aumentando o risco de infecção. Quando necessária, a tricotomia deve ser feita com tricotomizador elétrico (clipper), preferencialmente fora do centro cirúrgico e o mais próximo possível do horário da cirurgia, nunca com lâmina.
A limpeza prévia da pele é indispensável. O antisséptico não remove sujidade, e a presença de matéria orgânica (sangue, secreções, terra) inativa muitos antissépticos, reduzindo sua eficácia. Portanto, a sequência correta é: limpeza da pele com água e sabão ou solução degermante, seguida da aplicação do antisséptico.
A pegadinha central desta questão é a técnica de aplicação: a banca oferece o álcool 70% com movimento de vai e vem (que é o erro clássico), e a clorexidina com o movimento correto. O candidato que sabe que o álcool 70% é um bom antisséptico pode ser tentado pela alternativa A, mas o erro está no movimento de vai e vem, que é justamente o oposto do recomendado. Guarde a fronteira: antisséptico correto + técnica correta = clorexidina 2% em movimentos circulares e concêntricos do centro para a periferia.
Preparo da pele no sítio cirúrgico
1Antissepsia
Clorexidina 2% (ação residual)
Movimentos circulares, centro → periferia
Álcool 70% (sem ação residual)
Vai e vem (arrasta microrganismos)
2Tricotomia
Lâmina de barbear (microlesões)
Clipper elétrico
3Limpeza prévia
Água e sabão/degermante
Antisséptico não remove sujidade
4Mucosas
Antisséptico alcoólico (irritação)
Clorexidina aquosa/iodopovidona
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está no movimento de vai e vem. Esse movimento arrasta microrganismos das áreas periféricas (mais contaminadas) para o centro da incisão, aumentando o risco de contaminação. A técnica correta é sempre em movimentos circulares e concêntricos, do centro para a periferia. Além disso, embora o álcool 70% seja um antisséptico eficaz, ele não possui ação residual, sendo inferior à clorexidina para o preparo pré-operatório.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tricotomia com lâmina de barbear é contraindicada. A lâmina causa microlesões na pele, que servem como porta de entrada para bactérias, aumentando significativamente o risco de infecção do sítio cirúrgico. Quando a remoção de pelos é necessária, deve-se utilizar tricotomizador elétrico (clipper), e o procedimento deve ser realizado fora do centro cirúrgico, o mais próximo possível do horário da cirurgia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Antissépticos alcoólicos são contraindicados em mucosas. O álcool causa irritação, dor e dano tecidual quando aplicado em mucosas, além de não ser eficaz nesses tecidos. Para mucosas, utilizam-se antissépticos específicos, como a clorexidina aquosa ou o iodopovidona degermante, em concentrações adequadas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A limpeza prévia da pele é indispensável. O antisséptico não remove sujidade, e a presença de matéria orgânica (sangue, secreções, terra) inativa muitos antissépticos, reduzindo sua eficácia. A sequência correta é: limpeza com água e sabão ou solução degermante, seguida da aplicação do antisséptico.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A clorexidina 2% é um antisséptico de escolha para a pele íntegra, com ação residual prolongada, e a técnica de aplicação em movimentos circulares e concêntricos, do centro para a periferia, é a recomendada para evitar que microrganismos das áreas periféricas contaminem o sítio cirúrgico. Essa é a prática correta para minimizar o risco de infecção durante o preparo da pele.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o antisséptico e a técnica de aplicação. O álcool 70% é um bom antisséptico, mas a alternativa A o apresenta com o movimento de vai e vem, que é o erro clássico. Já a clorexidina 2% é apresentada com a técnica correta. O candidato que sabe que o álcool é eficaz pode ser tentado pela alternativa A, mas o que decide é o movimento: circular e concêntrico, do centro para a periferia, nunca vai e vem.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de antissepsia, memorize a tríade: antisséptico correto (clorexidina 2% para pele íntegra), técnica correta (movimentos circulares e concêntricos do centro para a periferia) e contraindicações (álcool em mucosas, lâmina de barbear para tricotomia). Se a alternativa trouxer "vai e vem" ou "lâmina de barbear", elimine-a imediatamente.