Questão de Medicina — Biossegurança em Medicina — VUNESP 2025
Medicina›Biossegurança em Medicina
Código
vu113345
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Infectologia Hospitalar
Em um hospital, foi constatado um aumento no número de casos de infecção do sítio cirúrgico (ISC) após cirurgias ortopédicas, sugerindo um possível surto infeccioso. Qual das ações a seguir é a mais adequada para o manejo inicial desse evento?
AComunicar o surto às autoridades municipais, estaduais e distrital apenas quando o número de casos ultrapassar o limite previamente estabelecido pelo hospital, independentemente do microrganismo ou de seu perfil de resistência.
BNotificar o surto ao Sistema Nacional de Vigilância e Monitoramento de Surtos Infecciosos em Serviços de Saúde (SINAVIS) e iniciar uma investigação para identificar as causas, mesmo sem a confirmação laboratorial.
CIntensificar as práticas de higiene das mãos entre os profissionais de saúde com treinamentos emergenciais e acompanhar os casos, comunicando o surto imediatamente à imprensa.
DIsolar os pacientes afetados e aguardar, por até uma semana, para verificar a redução dos casos, antes de registrar o surto no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
EAguardar a identificação laboratorial do microrganismo responsável antes de iniciar a investigação ou notificação do surto a qualquer autoridade.
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GabaritoB — Notificar o surto ao Sistema Nacional de Vigilância e Monitoramento de Surtos Infecciosos em Serviços de Saúde (SINAVIS) e iniciar uma investigação para identificar as causas, mesmo sem a confirmação laboratorial.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Manejo inicial de surto de infecção do sítio cirúrgico (ISC)
Gabarito: letra B. Diante de um possível surto de ISC, a conduta mais adequada é notificar imediatamente o Sistema Nacional de Vigilância e Monitoramento de Surtos Infecciosos em Serviços de Saúde (SINAVIS) e iniciar a investigação epidemiológica, mesmo sem confirmação laboratorial — a notificação e a investigação não podem aguardar a identificação do microrganismo, pois a demora compromete o controle do evento.
O manejo de um surto infeccioso em serviço de saúde segue uma lógica de ação imediata e estruturada. O primeiro passo é reconhecer que o aumento de casos acima do esperado configura um evento potencialmente grave, que exige resposta rápida. A notificação ao SINAVIS é o gatilho oficial que aciona a vigilância em saúde em âmbito nacional, permitindo que as autoridades competentes acompanhem, investiguem e coordenem as medidas de controle. A investigação epidemiológica, por sua vez, busca identificar as fontes e os mecanismos de transmissão, além de orientar as intervenções — como revisão de práticas de antissepsia, esterilização, profilaxia antimicrobiana e controle ambiental.
A confirmação laboratorial é importante para direcionar o tratamento e as medidas específicas, mas não é pré-requisito para notificar ou investigar. Em situações de surto, a demora na notificação pode permitir a propagação da infecção, aumentar a morbimortalidade e dificultar o controle. Por isso, a conduta correta é agir com base na suspeita clínica e epidemiológica, coletando amostras para cultura e iniciando paralelamente a investigação. A vigilância ativa e a notificação precoce são, inclusive, apontadas como estratégias precoces e efetivas na prevenção de ISC, pois o monitoramento ativo modifica comportamentos e permite intervenções rápidas.
Na prática, o fluxo de resposta a um surto envolve: (1) confirmação do aumento de casos acima do limiar esperado; (2) notificação imediata ao SINAVIS e às autoridades de vigilância em saúde; (3) início da investigação epidemiológica (busca ativa de casos, revisão de prontuários, entrevistas, análise de fatores de risco); (4) coleta de amostras clínicas e ambientais para identificação laboratorial; (5) implementação de medidas de controle (reforço de precauções, revisão de processos, treinamento de equipe); e (6) monitoramento contínuo para avaliar a efetividade das ações. A comunicação à imprensa, quando necessária, deve ser feita de forma coordenada pelas autoridades de saúde, não de forma imediata e unilateral pelo hospital.
A principal distinção que separa as alternativas é o momento da notificação e da investigação em relação à confirmação laboratorial. A banca explora a tentação de "esperar para ter certeza", mas a lógica da vigilância em saúde é inversa: quanto mais cedo se notifica e investiga, maior a chance de conter o surto. Guarde esse critério: notificação e investigação imediatas, independentemente da confirmação laboratorial — é exatamente nele que as alternativas se dividem.
1Suspeita (aumento acima do esperado)
2Notificação imediata ao SINAVIS
3Investigação epidemiológica
4Coleta de amostras (paralela)
5Medidas de controle
6Monitoramento contínuo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Condiciona a comunicação do surto ao atingimento de um limite previamente estabelecido pelo hospital e a ignora o perfil de resistência do microrganismo. O erro é duplo: (1) a notificação de surto não deve aguardar um limiar arbitrário — qualquer aumento acima do esperado já configura evento que merece notificação; (2) o perfil de resistência é informação crucial para o manejo, pois microrganismos multirresistentes exigem medidas mais rigorosas e notificação prioritária. A notificação ao SINAVIS é obrigatória na suspeita de surto, não apenas quando se ultrapassa um limite interno.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta. A notificação ao SINAVIS deve ser feita imediatamente diante da suspeita de surto, e a investigação epidemiológica deve ser iniciada sem aguardar confirmação laboratorial. A lógica é de ação precoce: a demora compromete o controle e permite a propagação. A investigação busca identificar causas, fontes e mecanismos de transmissão, orientando as medidas de controle. A confirmação laboratorial é complementar e não pode atrasar a resposta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Embora intensificar a higiene das mãos seja uma medida importante de controle de infecção, a alternativa erra ao sugerir comunicação imediata à imprensa. A comunicação à imprensa não é uma medida de manejo inicial de surto e deve ser feita de forma coordenada pelas autoridades de saúde, com informações precisas e sem gerar pânico. Além disso, a alternativa não menciona a notificação ao SINAVIS nem a investigação epidemiológica, que são os pilares da resposta a surtos. A higiene das mãos é uma medida complementar, não a ação central.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A conduta de isolar os pacientes e aguardar até uma semana para verificar a redução dos casos antes de notificar é totalmente inadequada. A notificação ao SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) não é o sistema correto para surtos em serviços de saúde — esse papel cabe ao SINAVIS. Além disso, aguardar uma semana sem notificar permite a propagação da infecção e atrasa as medidas de controle. O isolamento dos pacientes é uma medida de precaução, mas deve ser acompanhado de notificação e investigação imediatas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Aguardar a identificação laboratorial do microrganismo antes de iniciar a investigação ou notificação é o erro clássico. A confirmação laboratorial pode levar dias, e durante esse período o surto pode se espalhar. A notificação e a investigação devem ser iniciadas com base na suspeita clínica e epidemiológica, coletando amostras para cultura em paralelo. A demora compromete o controle e aumenta a morbimortalidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tentação de "esperar para ter certeza" antes de agir. Em surtos, a lógica é inversa: a notificação e a investigação são imediatas, independentemente da confirmação laboratorial. O candidato que pensa "vou esperar o resultado da cultura" cai nas alternativas D e E. Lembre-se: em vigilância em saúde, agir rápido é mais importante que agir com certeza.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de surto, memorize o fluxo: suspeita → notificação imediata (SINAVIS) → investigação → coleta de amostras → medidas de controle → monitoramento. A confirmação laboratorial é uma etapa paralela, nunca um pré-requisito. E lembre-se: SINAVIS é para surtos em serviços de saúde; SINAN é para agravos de notificação compulsória em geral.