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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
vu113351
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Intensiva
Mulher de 33 anos é internada na UTI/CTI por dispneia e disfunção hepática aguda. Os sintomas começaram há 2 semanas com uma infecção aparente do trato respiratório superior, tosse e febre. Posteriormente, ela desenvolveu queixas de fadiga progressiva, fraqueza e dispneia. Ela evolui com piora da dispneia, hipoxemia crescente, exigindo intubação endotraqueal. A paciente fica hipotensa e oligúrica, apesar de repetidos bolus de fluidos intravenosos. Exames séricos: aspartato aminotransferase: 689 U/L; alanina aminotransferase: 580 U/L. Eletrocardiograma: taquicardia sinusal, com alterações inespecíficas do segmento ST. O cateterismo da artéria pulmonar (AP) é realizado e mostra pressão do átrio direito: 14 mmHg; pressão da artéria pulmonar: 43 x 26 mmHg; a pressão da cunha capilar pulmonar (wedge): 22 mmHg; índice cardíaco: 1,3 L/min/m² ; resistência vascular sistêmica: 1250 dynes/seg/cm−5. Qual é o mais provável diagnóstico dessa paciente?
  1. AChoque séptico.
  2. BEmbolia pulmonar.
  3. CInfarto agudo do miocárdio.
  4. DMiocardite aguda.
  5. EInsuficiência mitral aguda.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Miocardite aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Miocardite aguda: diagnóstico diferencial no choque cardiogênico

Gabarito: letra D. O quadro clínico — pródromo viral, disfunção hepática aguda, choque com baixo débito cardíaco (índice cardíaco 1,3 L/min/m²) e pressão de oclusão da artéria pulmonar elevada (22 mmHg) — é classicamente compatível com miocardite aguda fulminante, que cursa com insuficiência cardíaca aguda e choque cardiogênico. O cateterismo de artéria pulmonar é o exame que define o padrão hemodinâmico: baixo débito com pressões de enchimento elevadas, afastando as demais hipóteses.

A miocardite aguda é uma doença inflamatória do miocárdio, na maioria das vezes de etiologia viral, que pode se apresentar de diversas formas clínicas. O quadro clínico é variável, desde formas oligossintomáticas até insuficiência cardíaca grave, choque cardiogênico, arritmias e morte súbita. A apresentação clássica envolve um pródromo de infecção de vias aéreas superiores ou gastrointestinal, seguido de sintomas como fadiga, dispneia e dor torácica. A disfunção hepática aguda, com elevação importante de transaminases (AST 689 U/L, ALT 580 U/L), é uma manifestação de congestão hepática e/ou choque, refletindo a gravidade do baixo débito cardíaco. O ECG pode mostrar alterações inespecíficas de ST, taquicardia sinusal, ou até supradesnivelamento de ST, simulando síndrome coronariana aguda. A forma fulminante é caracterizada por início abrupto, com rápida deterioração hemodinâmica, exigindo suporte inotrópico e, frequentemente, suporte circulatório mecânico.

O cateterismo de artéria pulmonar (ou Swan-Ganz) é fundamental para caracterizar o tipo de choque. Os dados fornecidos — pressão de átrio direito 14 mmHg (elevada), pressão de artéria pulmonar 43/26 mmHg (elevada), pressão de cunha capilar pulmonar (wedge) 22 mmHg (elevada), índice cardíaco 1,3 L/min/m² (muito baixo) e resistência vascular sistêmica 1250 dynes/seg/cm⁻⁵ (elevada) — definem um padrão de choque cardiogênico: baixo débito cardíaco com pressões de enchimento elevadas (pré-carga alta) e resistência vascular sistêmica compensatoriamente elevada. Esse padrão é distinto do choque séptico (que cursa com alto débito e baixa resistência vascular sistêmica, pelo menos inicialmente), da embolia pulmonar (que cursa com pressões de câmaras direitas elevadas, mas wedge geralmente normal ou baixa, e débito cardíaco variável), e da insuficiência mitral aguda (que cursa com wedge elevada, mas com onda "v" proeminente e débito cardíaco que pode estar preservado ou reduzido, dependendo da gravidade).

A distinção entre miocardite aguda e infarto agudo do miocárdio (IAM) é um desafio clínico, pois ambos podem apresentar dor torácica, alterações de ST e elevação de troponina. No entanto, a presença de pródromo viral, a idade jovem da paciente (33 anos), a ausência de fatores de risco cardiovascular e a disfunção hepática aguda proeminente favorecem fortemente o diagnóstico de miocardite. No IAM, o padrão hemodinâmico de choque cardiogênico também pode ocorrer, mas a apresentação típica é com dor torácica anginosa e alterações eletrocardiográficas mais específicas (supradesnivelamento de ST em território coronariano definido). A miocardite fulminante, por sua vez, pode cursar com disfunção ventricular grave e choque, mas com um padrão de acometimento mais difuso e frequentemente com pródromo viral.

A pegadinha desta questão está em reconhecer o padrão hemodinâmico do choque cardiogênico e correlacioná-lo com o quadro clínico de pródromo viral e disfunção hepática aguda. A banca oferece alternativas que são causas comuns de choque e dispneia, mas que não se encaixam no perfil hemodinâmico apresentado. O cateterismo de artéria pulmonar é a chave para o diagnóstico diferencial, pois permite classificar o tipo de choque e direcionar a investigação etiológica. A miocardite aguda, especialmente na forma fulminante, é uma causa importante de choque cardiogênico em pacientes jovens, e o reconhecimento precoce é crucial para o manejo adequado, que pode incluir suporte inotrópico, vasopressor e, em casos graves, suporte circulatório mecânico (como ECMO).

Critério

Miocardite Aguda (Gabarito)

Choque Séptico

Embolia Pulmonar

IAM

Insuficiência Mitral Aguda

Padrão hemodinâmico (Swan-Ganz)

Baixo débito (IC 1,3) + pressões de enchimento elevadas (wedge 22) + RVS elevada

Alto débito (IC ↑) + RVS baixa (vasodilatação)

Pressões direitas elevadas + wedge normal/baixa + débito variável

Baixo débito + wedge elevada (semelhante à miocardite)

Wedge elevada com onda "v" proeminente + débito variável

Apresentação clínica típica

Pródromo viral (IVAS), fadiga, dispneia, disfunção hepática aguda

Febre, foco infeccioso, hipotensão com extremidades quentes

Início súbito de dispneia e dor torácica

Dor torácica anginosa, fatores de risco cardiovascular

Início súbito, sopro sistólico novo, evento precipitante (IAM/endocardite)

ECG

Taquicardia sinusal, alterações inespecíficas de ST

Inespecífico

Taquicardia, padrão S1Q3T3 (clássico)

Supra de ST em território coronariano definido

Inespecífico, taquicardia

Disfunção hepática aguda (AST/ALT ↑)

Comum (congestão/choque)

Possível (disfunção orgânica)

Rara

Possível (choque)

Possível (choque)

Perfil do paciente

Jovem, sem fatores de risco cardiovascular

Variável, frequentemente com comorbidades

Variável, fatores de risco para trombose

Geralmente mais velho, fatores de risco cardiovascular

Variável, contexto de IAM/endocardite

Alternativa A — ❌ Incorreta

O choque séptico é caracterizado por um padrão hemodinâmico hiperdinâmico, com índice cardíaco elevado (ou normal) e resistência vascular sistêmica baixa, devido à vasodilatação periférica. Na paciente, o índice cardíaco está muito baixo (1,3 L/min/m²) e a resistência vascular sistêmica está elevada (1250 dynes/seg/cm⁻⁵), o que é o oposto do esperado no choque séptico. Embora a paciente tenha febre e um possível foco infeccioso inicial (infecção de vias aéreas superiores), o padrão hemodinâmico é claramente de baixo débito, não de vasodilatação. A disfunção hepática aguda também é mais compatível com congestão/choque cardiogênico do que com sepse, embora possa ocorrer em ambos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A embolia pulmonar (EP) maciça pode causar choque e dispneia, mas o padrão hemodinâmico é diferente. Na EP, há hipertensão pulmonar aguda com pressão de átrio direito elevada, mas a pressão de cunha capilar pulmonar (wedge) é normal ou baixa, pois o problema está na circulação pulmonar, não no coração esquerdo. Na paciente, a wedge está elevada (22 mmHg), indicando disfunção do ventrículo esquerdo, o que não é esperado na EP. Além disso, a EP geralmente se apresenta com início súbito de dispneia e dor torácica, e não com um pródromo viral de duas semanas. A disfunção hepática aguda também não é uma manifestação típica da EP.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O infarto agudo do miocárdio (IAM) pode causar choque cardiogênico com padrão hemodinâmico semelhante (baixo débito, wedge elevada), mas a apresentação clínica é diferente. A paciente tem 33 anos, sem fatores de risco cardiovascular, e apresenta um pródromo de infecção de vias aéreas superiores, o que é muito mais sugestivo de miocardite viral. No IAM, a dor torácica é o sintoma predominante, e as alterações eletrocardiográficas são mais específicas (supradesnivelamento de ST em território coronariano). A disfunção hepática aguda com transaminases elevadas é uma manifestação de choque, mas não é específica de IAM. A miocardite aguda pode simular IAM, mas o contexto clínico e a idade da paciente favorecem a miocardite.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A miocardite aguda, especialmente na forma fulminante, é a causa mais provável do quadro. A paciente apresenta um pródromo de infecção de vias aéreas superiores (sugerindo etiologia viral), seguido de fadiga, fraqueza, dispneia e disfunção hepática aguda. O cateterismo de artéria pulmonar mostra um padrão de choque cardiogênico: índice cardíaco muito baixo (1,3 L/min/m²) com pressões de enchimento elevadas (wedge 22 mmHg, átrio direito 14 mmHg) e resistência vascular sistêmica elevada (1250 dynes/seg/cm⁻⁵). Esse padrão é característico de disfunção miocárdica primária, como na miocardite. A elevação das transaminases reflete a congestão hepática e o baixo débito. O ECG com taquicardia sinusal e alterações inespecíficas de ST é compatível. A miocardite fulminante é uma emergência médica que requer suporte hemodinâmico agressivo e, frequentemente, suporte circulatório mecânico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A insuficiência mitral aguda (IMA) pode causar choque cardiogênico e edema pulmonar, mas o padrão hemodinâmico é distinto. Na IMA, a pressão de cunha capilar pulmonar (wedge) é elevada, frequentemente com uma onda "v" proeminente no traçado do cateterismo, refletindo o refluxo sanguíneo para o átrio esquerdo durante a sístole. O débito cardíaco pode estar reduzido, mas a apresentação clínica típica envolve um evento precipitante, como infarto agudo do miocárdio ou endocardite, com sopro sistólico novo. Na paciente, não há menção a sopro, e o pródromo viral e a disfunção hepática aguda são mais sugestivos de miocardite. Além disso, a IMA aguda geralmente se apresenta com início súbito de dispneia e edema pulmonar, não com um quadro arrastado de duas semanas.

Gabarito: letra D — miocardite aguda, com padrão hemodinâmico de choque cardiogênico confirmado pelo cateterismo de artéria pulmonar.

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