Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
vu113360
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Intensiva
Homem de 22 anos é admitido na UTI/CTI após um acidente de moto que causou fratura de tornozelo, hematoma mesentérico e laceração esplênica. O paciente recebeu vários bolus de solução salina para manter a pressão arterial normal. Apesar disso, ele permanece hipotenso. A caminho do centro cirúrgico, o protocolo de transfusão maciça é iniciado e a gasometria arterial mostra: pH 7,21; PCO₂ : 32 mmHg; PO₂ : 70 mmHg; bicarbonato: 16 mEq/L.A descrição mais adequada para o estado ácido-base desse paciente é
Aacidose metabólica primária com alcalose respiratória combinada.
Bacidose metabólica primária com acidose respiratória combinada.
Cacidose metabólica primária com compensação respiratória.
Dalcalose respiratória primária com compensação metabólica.
Ealcalose metabólica primária com compensação respiratória.
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GabaritoC — acidose metabólica primária com compensação respiratória.
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Distúrbios do equilíbrio ácido-base: interpretação da gasometria
Gabarito: letra C. O paciente apresenta acidose metabólica primária (pH baixo, bicarbonato baixo) com compensação respiratória adequada (PCO₂ baixa, refletindo hiperventilação para eliminar CO₂ e elevar o pH). A gasometria mostra pH 7,21 (acidemia), HCO₃⁻ 16 mEq/L (acidose metabólica) e PCO₂ 32 mmHg (abaixo do normal, indicando resposta compensatória respiratória).
O equilíbrio ácido-base é mantido por mecanismos que regulam a concentração de íons hidrogênio no organismo. O pH arterial normal varia de 7,35 a 7,45. Quando o pH está abaixo de 7,35, temos acidemia; acima de 7,45, alcalemia. O distúrbio primário pode ser metabólico (alteração no bicarbonato, HCO₃⁻) ou respiratório (alteração na PCO₂). A compensação é a resposta fisiológica do sistema oposto para minimizar a variação do pH: se o problema é metabólico, o sistema respiratório compensa alterando a ventilação; se o problema é respiratório, o sistema renal compensa alterando a excreção de bicarbonato ou de ácidos.
Neste caso, o paciente sofreu trauma com choque hemorrágico, levando a hipoperfusão tecidual e acidose láctica (acidose metabólica). O bicarbonato está baixo (16 mEq/L, normal 22-26 mEq/L), confirmando a acidose metabólica. A PCO₂ está baixa (32 mmHg, normal 35-45 mmHg), o que indica hiperventilação compensatória: o paciente está respirando mais rápido e profundamente para eliminar CO₂, reduzindo a concentração de ácido carbônico e elevando o pH em direção ao normal. Essa é a compensação respiratória esperada.
A compensação respiratória para acidose metabólica pode ser avaliada pela fórmula de Winter: PCO₂ esperada = (1,5 × HCO₃⁻) + 8 ± 2. Aplicando: (1,5 × 16) + 8 = 32 ± 2, ou seja, PCO₂ esperada entre 30 e 34 mmHg. O valor encontrado (32 mmHg) está exatamente dentro da faixa, confirmando que a compensação é adequada e não há distúrbio respiratório adicional. Se a PCO₂ estivesse acima do esperado, haveria acidose respiratória concomitante; se estivesse abaixo, alcalose respiratória concomitante.
A distinção crucial é entre "compensação" e "distúrbio combinado". Na compensação, o sistema oposto responde fisiologicamente para corrigir o pH, mas o distúrbio primário permanece. No distúrbio combinado, há dois problemas primários simultâneos (ex.: acidose metabólica + acidose respiratória), e o pH se desvia mais intensamente. A banca explora exatamente essa confusão: o aluno pode achar que a PCO₂ baixa indica alcalose respiratória primária, mas na verdade é a resposta compensatória à acidose metabólica.
Guarde o passo a passo para interpretar qualquer gasometria: 1) olhe o pH (acidemia ou alcalemia); 2) identifique o distúrbio primário (HCO₃⁻ baixo = acidose metabólica; HCO₃⁻ alto = alcalose metabólica; PCO₂ alta = acidose respiratória; PCO₂ baixa = alcalose respiratória); 3) verifique se o outro sistema está compensando na direção esperada (usando fórmulas como a de Winter para metabólico, ou a regra de que na acidose respiratória crônica o HCO₃⁻ aumenta 3,5 mEq/L para cada 10 mmHg de aumento da PCO₂). É esse raciocínio que separa as alternativas.
1pH: acidemia ou alcalemia
2Distúrbio primário (HCO₃⁻/PCO₂)
3Compensação do outro sistema
4Fórmula de Winter confirma
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma "acidose metabólica primária com alcalose respiratória combinada". O erro está em "combinada": a PCO₂ baixa aqui é a compensação fisiológica esperada, não um distúrbio primário adicional. Na acidose metabólica, a hiperventilação é a resposta normal do organismo para eliminar CO₂ e elevar o pH; não há um segundo distúrbio. A fórmula de Winter confirma que a PCO₂ de 32 mmHg é exatamente a esperada para o HCO₃⁻ de 16 mEq/L.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma "acidose metabólica primária com acidose respiratória combinada". Isso exigiria PCO₂ elevada (acima de 45 mmHg), o que indicaria hipoventilação e retenção de CO₂. No paciente, a PCO₂ está em 32 mmHg (baixa), mostrando hiperventilação, não hipoventilação. Portanto, não há acidose respiratória; há compensação respiratória.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente o quadro: acidose metabólica primária (pH 7,21, HCO₃⁻ 16 mEq/L) com compensação respiratória (PCO₂ 32 mmHg, dentro da faixa esperada pela fórmula de Winter). A hiperventilação é a resposta compensatória do sistema respiratório à acidose metabólica, tentando normalizar o pH.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma "alcalose respiratória primária com compensação metabólica". Isso exigiria pH elevado (alcalemia) e PCO₂ baixa como distúrbio primário, com HCO₃⁻ baixo como compensação renal. No paciente, o pH está baixo (7,21), indicando acidemia, não alcalemia. O distúrbio primário é metabólico (HCO₃⁻ baixo), não respiratório.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma "alcalose metabólica primária com compensação respiratória". Isso exigiria HCO₃⁻ elevado (acima de 26 mEq/L) e pH alto. No paciente, o HCO₃⁻ está baixo (16 mEq/L) e o pH está baixo (7,21), caracterizando acidose metabólica, não alcalose.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao apresentar a PCO₂ baixa como se fosse um distúrbio primário (alcalose respiratória) ou um distúrbio combinado. A chave é reconhecer que, na acidose metabólica, a hiperventilação (PCO₂ baixa) é a compensação esperada. Use a fórmula de Winter para confirmar: PCO₂ esperada = (1,5 × HCO₃⁻) + 8 ± 2. Se o valor real estiver dentro da faixa, é compensação; se estiver fora, há distúrbio adicional.
PEGA ESSA DICA!
Para interpretar gasometria na prova, siga sempre a sequência: 1) pH (acidemia/alcalemia); 2) HCO₃⁻ e PCO₂ (qual está alterado na direção do distúrbio primário); 3) verifique se o outro parâmetro compensa na direção oposta. Memorize a fórmula de Winter para acidose metabólica e a regra de compensação respiratória crônica. Com treino, você identifica o padrão em segundos.