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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2025

MedicinaMedicina Intensiva
Código
vu113363
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Intensiva
Mulher de 52 anos é admitida na UTI/CTI após uma discectomia cervical anterior e cirurgia de fusão. No 5o dia de internação, ela evolui com embolia pulmonar. O tratamento é iniciado com infusão contínua de heparina não fracionada com tempo de tromboplastina parcial ativado alvo de 1,5–2 vezes o controle normal. A contagem de plaquetas esta manhã é de 130.000/mm³ (era de 280.000 na admissão). Seu escore 4T é de 6 e um imunoensaio de anticorpos anti-PF4/heparina está pendente. Nesse momento, o próximo melhor passo na condução dessa paciente é
  1. Acontinuar a infusão de heparina não fracionada e associar argatroban.
  2. Bcontinuar a infusão de heparina não fracionada enquanto aguarda o resultado do anticorpo anti-PF4/heparina.
  3. Cinterromper a infusão de heparina não fracionada e iniciar enoxaparina.
  4. Dinterromper a infusão de heparina não fracionada e iniciar bivalirudina.
  5. Einterromper a infusão de heparina não fracionada e iniciar varfarina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — interromper a infusão de heparina não fracionada e iniciar bivalirudina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trombocitopenia induzida por heparina (TIH) na UTI

Gabarito: letra D. Diante de alta suspeita clínica de trombocitopenia induzida por heparina (TIH) — escore 4T de 6, queda plaquetária > 50% e uso recente de heparina —, a conduta imediata é interromper toda heparina (incluindo a não fracionada e a de baixo peso molecular) e iniciar anticoagulação alternativa não heparínica, como a bivalirudina (inibidor direto da trombina). A alternativa D é a única que cumpre ambos os passos corretamente.

A trombocitopenia induzida por heparina (TIH) é uma reação imune grave, mediada por anticorpos contra o complexo fator plaquetário 4 (PF4) e heparina. Esses anticorpos ativam as plaquetas, gerando um estado de hipercoagulabilidade paradoxal: o paciente não apenas sangra, mas tem risco aumentado de trombose venosa e arterial. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o escore 4T é a ferramenta mais utilizada para estimar a probabilidade pré-teste. Ele avalia quatro critérios: Trombocitopenia (queda percentual e nadir), Timing (início da queda após exposição à heparina), Trombose (presença de novos eventos trombóticos) e outras causas de trombocitopenia (oTher causes). Cada critério recebe 0, 1 ou 2 pontos; o escore total varia de 0 a 8. Um escore de 6 pontos indica alta probabilidade clínica de TIH.

A regra de ouro no manejo é: na suspeita clínica forte, não se espera o resultado do teste laboratorial para agir. O imunoensaio de anticorpos anti-PF4/heparina tem alta sensibilidade, mas pode levar horas ou dias para ficar pronto. Nesse intervalo, manter a heparina expõe o paciente a um risco crescente de trombose. Portanto, a conduta é suspender imediatamente toda forma de heparina — não fracionada, de baixo peso molecular (como a enoxaparina) e até mesmo o flush de cateteres com heparina — e iniciar um anticoagulante alternativo que não reaja com os anticorpos anti-PF4. As opções disponíveis são os inibidores diretos da trombina (argatroban, bivalirudina, lepirudina) e o fondaparinux (um inibidor indireto do fator Xa, que não se liga ao PF4). A varfarina, por sua vez, é contraindicada na fase aguda da TIH, pois pode causar necrose de pele e piorar o estado de hipercoagulabilidade, especialmente antes da supressão adequada da trombina.

Na prática, a escolha entre argatroban e bivalirudina depende de fatores como função hepática e renal, disponibilidade e experiência da equipe. O argatroban é metabolizado no fígado, enquanto a bivalirudina tem eliminação predominantemente renal e enzimática. Ambos são inibidores diretos da trombina e são opções válidas. A questão, no entanto, pede o "próximo melhor passo" e a alternativa D é a que melhor reflete a conduta imediata e correta: interromper a heparina e iniciar bivalirudina. A alternativa A (continuar heparina e associar argatroban) é um erro grave, pois mantém o agente causador. A alternativa B (continuar heparina enquanto aguarda o resultado) é igualmente perigosa, pois atrasa o tratamento em um cenário de alta suspeita. A alternativa C (trocar por enoxaparina) é um erro conceitual, pois a enoxaparina é uma heparina de baixo peso molecular e também pode desencadear a TIH. A alternativa E (iniciar varfarina) é contraindicada na fase aguda.

A pegadinha central desta questão é a tentação de "esperar o resultado do exame" ou de "trocar por outra heparina". O aluno que não domina o manejo da TIH pode cair na alternativa B ou C. A chave é lembrar que, em cenário de alta probabilidade clínica (escore 4T ≥ 6), a conduta é empírica e imediata: suspender toda heparina e iniciar anticoagulação alternativa não heparínica. O teste laboratorial serve para confirmar o diagnóstico, mas não deve atrasar a terapêutica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "continuar a heparina" e "trocar por outra heparina". A alternativa C (enoxaparina) parece uma troca razoável, mas a enoxaparina é uma heparina de baixo peso molecular e também está contraindicada na TIH. A alternativa B (aguardar o resultado) parece prudente, mas em escore 4T alto a conduta é imediata. A alternativa A (continuar heparina + argatroban) é um erro grave, pois mantém o agente causador. A alternativa E (varfarina) é contraindicada na fase aguda. A única conduta correta é interromper toda heparina e iniciar um anticoagulante não heparínico, como a bivalirudina.

  1. 1Suspeita clínica (4T ≥ 6)
  2. 2Suspender toda heparina
  3. 3Iniciar anticoagulante não heparínico
  4. 4Confirmar com teste laboratorial
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Continuar a infusão de heparina não fracionada e associar argatroban é um erro grave. A heparina é o agente causador da TIH; mantê-la, mesmo com um anticoagulante alternativo, perpetua o estímulo antigênico e o risco de trombose. O argatroban é um inibidor direto da trombina, mas deve ser usado após a suspensão da heparina, nunca em associação com ela.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Continuar a infusão de heparina enquanto aguarda o resultado do anticorpo anti-PF4/heparina é uma conduta perigosa. Em cenário de alta probabilidade clínica (escore 4T = 6), a conduta é empírica e imediata: suspender toda heparina. O teste laboratorial serve para confirmar o diagnóstico, mas não deve atrasar a terapêutica. Aguardar o resultado expõe o paciente a um risco crescente de trombose.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Interromper a heparina não fracionada e iniciar enoxaparina é um erro conceitual. A enoxaparina é uma heparina de baixo peso molecular (HBPM) e também pode desencadear a TIH, pois se liga ao PF4 e forma o complexo antigênico. Na suspeita de TIH, toda forma de heparina deve ser suspensa, incluindo a HBPM.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Interromper a infusão de heparina não fracionada e iniciar bivalirudina é a conduta correta. A bivalirudina é um inibidor direto da trombina, não reage com os anticorpos anti-PF4 e é uma opção segura para anticoagulação na TIH. A suspensão imediata da heparina é o passo fundamental no manejo da TIH com alta suspeita clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Interromper a heparina e iniciar varfarina é contraindicado na fase aguda da TIH. A varfarina pode causar necrose de pele e piorar o estado de hipercoagulabilidade, especialmente antes da supressão adequada da trombina. A varfarina só deve ser iniciada após a estabilização do paciente com um anticoagulante alternativo e com a contagem de plaquetas em recuperação.

Gabarito: letra D

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