Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
vu113366
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Intensiva
Mulher de 55 anos que está recebendo quimioterapia para leucemia apresenta queixas de dor no quadrante inferior direito do abdome e evacuações sanguinolentas. A última sessão de quimioterapia foi há 14 dias. Ao exame físico, temperatura: 38,2 ºC; frequência cardíaca: 105 bpm; pressão arterial: 132 x 80 mmHg. Há dor à palpação no quadrante inferior direito do abdome com discreta defesa. Exames séricos: leucócitos: 800/mm³ com 30% de neutrófilos. Além de culturas e antibioticoterapia, o próximo passo mais apropriado na condução desse caso é
Aindicar uma laparoscopia de urgência.
Bniciar a ressuscitação com fluidos intravenosos e tratamento para Clostridium difficile.
Cpedir uma colonoscopia para avaliar a fonte do sangramento.
Dpedir radiografia de abdome de 3 posições.
Erealizar uma tomografia computadorizada de abdome e pelve.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — realizar uma tomografia computadorizada de abdome e pelve.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra E. Em paciente neutropênica febril com dor abdominal e sangramento, o próximo passo é a tomografia computadorizada de abdome e pelve para investigar complicações intra-abdominais, como a tiflite (enterocolite neutropênica) — condição que se manifesta tipicamente com febre, dor no quadrante inferior direito e diarreia sanguinolenta em pacientes imunossuprimidos. A TC é o exame de imagem de escolha nesse cenário, pois permite avaliar espessamento de parede intestinal, pneumatose e complicações como perfuração ou abscesso.
A neutropenia febril é uma emergência oncológica definida pela presença de febre (temperatura ≥ 38,3 °C) em paciente com contagem absoluta de neutrófilos < 500/mm³ (ou < 1000/mm³ com previsão de queda). No caso apresentado, a paciente tem leucócitos de 800/mm³ com 30% de neutrófilos, o que resulta em uma contagem absoluta de neutrófilos (CAN) de aproximadamente 240/mm³ — caracterizando neutropenia grave. O quadro clínico de dor no quadrante inferior direito, evacuações sanguinolentas e febre, em contexto de quimioterapia recente (14 dias), levanta forte suspeita de tiflite (enterocolite neutropênica), uma condição que acomete principalmente o ceco e o cólon ascendente, com incidência maior em pacientes com leucemia.
A conduta inicial na neutropenia febril é sempre a coleta de culturas (sangue, urina, e de sítios suspeitos) e o início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, conforme protocolos institucionais. Após essas medidas, a investigação diagnóstica direcionada é o próximo passo. No caso de suspeita de tiflite, a tomografia computadorizada é o exame de imagem mais sensível e específico, capaz de demonstrar espessamento da parede intestinal, edema pericecal, pneumatose intestinal e complicações como perfuração ou abscesso. A TC também é útil para excluir outras causas de abdome agudo, como apendicite, diverticulite ou obstrução intestinal.
A radiografia simples de abdome, embora possa mostrar sinais inespecíficos como íleo paralítico ou pneumatose intestinal, tem baixa sensibilidade para o diagnóstico de tiflite e não é o exame de escolha. A colonoscopia é contraindicada nesse cenário devido ao alto risco de perfuração em mucosa friável e neutropênica. A laparoscopia de urgência é reservada para casos de complicações cirúrgicas, como perfuração ou hemorragia incontrolável, e não deve ser realizada como primeiro passo diagnóstico. A ressuscitação volêmica é importante, mas o tratamento para Clostridium difficile não é a conduta inicial, pois a diarreia sanguinolenta nesse contexto é mais sugestiva de tiflite do que de colite pseudomembranosa.
A distinção crucial que separa as alternativas é o papel de cada exame no diagnóstico da tiflite: a TC é o padrão-ouro para imagem, enquanto a radiografia é insuficiente, a colonoscopia é perigosa e a laparoscopia é reservada para complicações. Guarde essa hierarquia: culturas + antibióticos primeiro, depois TC para definir a causa da dor abdominal.
1Culturas + antibióticos empíricos
2TC de abdome e pelve
3Diagnóstico de tiflite
4Tratamento clínico (cirurgia se complicação)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A laparoscopia de urgência é um procedimento invasivo, indicado apenas quando há suspeita de complicações cirúrgicas, como perfuração intestinal, hemorragia incontrolável ou abscesso que não responde ao tratamento clínico. No caso apresentado, a paciente está estável (PA 132 x 80 mmHg) e não há sinais de peritonite difusa ou choque, portanto a laparoscopia não é o próximo passo apropriado. O manejo inicial da tiflite é clínico, com antibióticos, suporte e observação; a cirurgia é reservada para falha do tratamento ou complicações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Embora a ressuscitação com fluidos seja importante em pacientes com sepse, a paciente está hemodinamicamente estável (PA 132 x 80 mmHg, FC 105 bpm) e não apresenta sinais de choque. O tratamento para Clostridium difficile não é a conduta inicial, pois a diarreia sanguinolenta em paciente neutropênica pós-quimioterapia é mais sugestiva de tiflite do que de colite pseudomembranosa. A tiflite é causada por invasão bacteriana da parede intestinal devido à neutropenia, enquanto a colite por C. difficile é uma complicação do uso de antibióticos. O tratamento empírico deve cobrir bacilos Gram-negativos e anaeróbios, não especificamente C. difficile.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A colonoscopia é contraindicada em pacientes neutropênicos com suspeita de tiflite, pois a mucosa intestinal está friável e edemaciada, com alto risco de perfuração e sangramento. Além disso, a colonoscopia não é necessária para o diagnóstico de tiflite, que é feito por imagem (TC) e quadro clínico. Em pacientes imunossuprimidos, procedimentos invasivos devem ser evitados sempre que possível, devido ao risco aumentado de complicações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A radiografia de abdome em 3 posições (ortostática, decúbito dorsal e decúbito lateral) é um exame de baixa sensibilidade para o diagnóstico de tiflite. Ela pode mostrar sinais inespecíficos, como íleo paralítico, distensão de alças ou pneumatose intestinal, mas não permite avaliar adequadamente o espessamento da parede intestinal ou complicações como abscessos. A TC é muito superior para essa avaliação e é o exame de escolha.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A tomografia computadorizada de abdome e pelve é o exame de imagem de escolha para investigar a suspeita de tiflite em paciente neutropênica febril com dor abdominal. A TC permite visualizar o espessamento da parede intestinal, edema pericecal, pneumatose intestinal, e complicações como perfuração ou abscesso. Além disso, a TC pode identificar outras causas de abdome agudo, como apendicite, diverticulite ou obstrução intestinal, auxiliando no diagnóstico diferencial. O exame deve ser realizado com contraste oral e intravenoso, se não houver contraindicação, para melhor avaliação das alças intestinais.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os exames de imagem no abdome agudo. O candidato pode ser tentado a escolher a radiografia de abdome (alternativa D) por ser um exame mais simples e disponível, mas ela tem baixa sensibilidade para tiflite. A colonoscopia (alternativa C) parece lógica para avaliar sangramento, mas é contraindicada em neutropênicos pelo risco de perfuração. A laparoscopia (alternativa A) é uma opção cirúrgica que não se aplica ao caso estável. A chave é lembrar que, em neutropenia febril com dor abdominal, a TC é o exame padrão-ouro para diagnóstico de tiflite e complicações intra-abdominais.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, ao se deparar com um paciente neutropênico febril com dor abdominal, lembre-se da sequência: 1) culturas + antibióticos empíricos; 2) TC de abdome e pelve para investigar complicações. A tiflite é uma emergência oncológica que exige diagnóstico rápido e tratamento clínico, com cirurgia reservada para complicações. Memorize essa hierarquia para não errar em questões semelhantes.