Questão de Medicina — Medicina Intensiva — VUNESP 2025
Medicina›Medicina Intensiva
Código
vu113369
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Área: Medicina Intensiva
A remoção de um cateter venoso central isoladamente pode ser eficaz no tratamento de uma infecção da corrente sanguínea associada à acesso central quando o germe é
AEscherichia coli.
BKlebsiella pneumonia.
CPseudomonas.
DStaphylococcus aureus.
EStaphylococcus epidermidis.
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GabaritoE — Staphylococcus epidermidis.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso central: manejo conforme o agente etiológico
Gabarito: letra E. A remoção isolada do cateter venoso central pode ser eficaz no tratamento da infecção da corrente sanguínea associada a acesso central quando o germe é o Staphylococcus epidermidis, um estafilococo coagulase-negativo de baixa virulência. Para agentes de alta virulência, como S. aureus, P. aeruginosa e fungos, a remoção do cateter é sempre indicada, mas a antibioticoterapia sistêmica é obrigatória e a simples retirada do dispositivo não é suficiente para a cura.
A infecção da corrente sanguínea associada a cateter venoso central (ICSAAC) é uma das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) mais comuns e graves, com mortalidade atribuível entre 4% e 20%. O tratamento depende de uma combinação de fatores: o tipo de cateter (curta ou longa permanência), a presença de complicações (como endocardite, tromboflebite séptica ou metástases sépticas) e, crucialmente, o microrganismo isolado. A lógica por trás da decisão de remover ou não o cateter está na virulência do patógeno e na sua capacidade de formar biofilme no dispositivo.
O Staphylococcus epidermidis é um estafilococo coagulase-negativo (SCoN), componente da microbiota normal da pele, e o agente mais comum das ICSAAC. Sua baixa virulência faz com que, em pacientes estáveis, sem complicações, a remoção do cateter possa ser suficiente para a resolução da infecção, especialmente quando a infecção é intraluminal. Nesses casos, a terapia antimicrobiana sistêmica pode até ser dispensada ou encurtada, pois a fonte da bacteriemia é eliminada com a retirada do dispositivo.
Por outro lado, microrganismos de alta virulência, como Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa, e fungos (como Candida spp.) indicam a remoção do cateter, mas a antibioticoterapia sistêmica é sempre necessária. A simples remoção do cateter não é eficaz porque esses patógenos causam infecção tecidual e podem levar a complicações metastáticas, como endocardite. A duração do tratamento também é prolongada: para S. aureus e Candida albicans, recomenda-se 14 dias de antibióticos mesmo na ausência de complicações; na presença de focos secundários, o tratamento se estende de 4 a 6 semanas.
A distinção central que a questão explora é entre microrganismos de baixa virulência (SCoN, como S. epidermidis) e os de alta virulência (S. aureus, P. aeruginosa, fungos). Para os primeiros, a remoção isolada do cateter pode ser curativa; para os segundos, a remoção é necessária, mas nunca suficiente — a antibioticoterapia é indispensável. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.
Agente
Virulência
Remoção isolada do cateter é suficiente?
Staphylococcus epidermidis (SCoN)
Baixa
✅ Sim — pode ser curativa
Staphylococcus aureus
Alta
❌ Não — antibiótico obrigatório
Pseudomonas aeruginosa
Alta
❌ Não — antibiótico obrigatório
Escherichia coli
Moderada a alta
❌ Não — antibiótico obrigatório
Klebsiella pneumoniae
Alta
❌ Não — antibiótico obrigatório
Alternativa A — ❌ Incorreta
A Escherichia coli é um bacilo gram-negativo da família das enterobactérias, frequentemente associado a infecções do trato urinário e a bacteremias secundárias. Quando causa ICSAAC, a remoção do cateter é indicada, mas a antibioticoterapia sistêmica é sempre necessária. A simples retirada do cateter não é eficaz porque a E. coli é um patógeno de virulência moderada a alta, capaz de causar sepse grave. A conduta correta envolve remoção do cateter e antibióticos direcionados (como ceftriaxona, se sensível a cefalosporinas de 3ª geração).
Alternativa B — ❌ Incorreta
A Klebsiella pneumoniae é outra enterobactéria gram-negativa, também de virulência considerável, frequentemente produtora de beta-lactamases de espectro estendido (ESBL) e carbapenemases, o que a torna um patógeno nosocomial temido. Em ICSAAC por Klebsiella, a remoção do cateter é recomendada, mas a antibioticoterapia sistêmica é obrigatória. A remoção isolada não é eficaz, pois a bacteriemia por esse agente costuma estar associada a quadros graves, com necessidade de tratamento antimicrobiano prolongado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A Pseudomonas aeruginosa é um bacilo gram-negativo não fermentador, de alta virulência e intrinsicamente resistente a muitos antibióticos. É um dos patógenos mais temidos em infecções nosocomiais. Em ICSAAC por Pseudomonas, a remoção do cateter é sempre indicada, mas a antibioticoterapia sistêmica é indispensável. A literatura é clara: a presença de microrganismos de alta virulência, como P. aeruginosa, indica a remoção do cateter, mas a simples retirada não é suficiente para a cura — o tratamento antimicrobiano é obrigatório e costuma ser prolongado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Staphylococcus aureus é o estafilococo coagulase-positivo, de alta virulência, capaz de causar endocardite, osteomielite e abscessos metastáticos. Em ICSAAC por S. aureus, a remoção do cateter é sempre indicada, mas a antibioticoterapia sistêmica é obrigatória. A duração do tratamento é de pelo menos 14 dias, mesmo na ausência de complicações, e de 4 a 6 semanas se houver focos secundários. A remoção isolada do cateter não é eficaz, pois a bacteriemia por S. aureus tem alto potencial de complicações graves.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O Staphylococcus epidermidis é um estafilococo coagulase-negativo (SCoN), de baixa virulência, e o agente mais comum das ICSAAC. Em pacientes estáveis, sem complicações, a remoção isolada do cateter pode ser eficaz para a resolução da infecção, pois a fonte da bacteriemia é eliminada. A terapia antimicrobiana sistêmica pode até ser dispensada ou encurtada nesses casos. Essa é a conduta clássica: para SCoN, a retirada do cateter é o pilar do tratamento, e a antibioticoterapia é reservada para casos com complicações ou persistência da bacteriemia.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os estafilococos coagulase-negativos (baixa virulência) e o S. aureus (alta virulência). O candidato pode pensar que a remoção isolada do cateter é suficiente para qualquer estafilococo, mas a regra é oposta: para S. aureus, a remoção é necessária, mas nunca suficiente — a antibioticoterapia é obrigatória. A chave é identificar a virulência do agente: SCoN (como S. epidermidis) → remoção pode bastar; S. aureus, P. aeruginosa e fungos → remoção + antibióticos sempre.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, associe a remoção isolada do cateter aos germes de baixa virulência, que são os comensais da pele: S. epidermidis e outros SCoN. Já os germes de alta virulência (S. aureus, P. aeruginosa, Candida spp.) sempre exigem antibioticoterapia, mesmo com a remoção do cateter. Na prova, leia o agente etiológico e pergunte: "é um germe de alta ou baixa virulência?" — isso decide a conduta.